quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Revolución, Camarada!

Gosto de revoluções, mudanças extremas, quebra de paradigmas. Por 12 anos, o país colocou fé numa suposta revolução encabeçada por um lider trabalhista supostamente ilibado, com trejeitos e maneirismos populares. Era o sonho das classes menos abastadas do país assoladas pelos frequentes governos das, e para as oligarquias, que marginalizavam qualquer movimento que sequer tocasse a questão social como cerne de uma gestão. Doze anos depois, o que mudou? Qual foi a revolução? Houve sequer uma tentativa de implantação de um socialismo, na acepção da palavra? Tudo que vejo são denúncias e mais denúncias. Investigações profundas, resultados nefastos de 12 anos em que todos se abstraíram da verdade e se traíram também, por meio de uma vã tentativa governamental de aumentar o poder de compra das classes C e D, expandindo crédito, sem que houvesse lastro econômico e educação suficiente da população para te-lo. A manutenção deste longo período de unipartidarismo, no executivo federal, deixou marcas. Ainda que haja alguns poucos tolos falando em golpe - aliás, este conceito é tão fora de contexto, visto que o golpe surge das diferenças ideológicas entre os supostos golpistas e a situação. O PSDB e o PT são farinha do mesmo saco!! - ou seja, golpe só se for pra inglês ver. O que o Brasil precisa não é dos esquerdas radicais cegos e nem dos coxinhas que adoram comprar na Flórida, batendo suas panelas como imbecis em suas varandas, no alto seus apartamentos inflacionados pela especulação imobiliária absurda, decorrente do...crédito petista!! Sim, você bate panela contra o PT, mas seu imóvel milionário vale o que vale hoje por conta de um erro crasso dos pensadores econômicos nomeados pelo partido. Ou seja, ironicamente, a sua riqueza patrimonial advém das cagadas petistas. O Brasil precisa, sim, de um choque de gestão. E isso vai muito além dos anseios da classe média que quer viajar, ou dos revolucionários de boutique, em seus centros acadêmicos de universidades.Significa romper com o sistema atual de governança, enxugar o legislativo, diminuir as benesses ao funcionalismo público, investigar prefeituras profundamente, assim como suas câmaras legislativas. Enxugar a máquina, como um todo. Momentos como este exigem gestões apolíticas, voltadas para um objetivo único: a recuperação do moral popular, da confiança no país, nas instituições e em seus gestores. Acabou, o Brasil que conhecemos morreu e teve que morrer! A corrupção e a Lei de Gerson precisam ser apagadas da psique desta nação. Aliás, o brasileiro se questiona se ele é ou não um povo. Ou se é só um bando de seres humanos, em tese, com educação e cultura em declínio, quase que esperando avidamente pelo próximo salvador da patria, que nunca virá. A unica revolução que vi, até hoje, em 35 anos de vida, neste país, esta sendo feita pela Policia Federal, em suas operações com nomes irônicos, frutos de uma geração de agentes que agem mais, e falam menos. Pode-se até questionar as prisões, as fases de investigação e suas condutas. Mas não se pode negar que a suposta revolução de 12 anos atrás não passou de papo de pastor de igreja evangélica. Era só mais do mesmo, já eles só queriam o que todos os outros canalhas da republica sempre quiseram: extirpar o país, locupletar-se do ganho patrimonial irrestrito e flertar com o ditatorialismo nojento. Nada mudou. Viva la revolución, PF!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Sobre o Carnaval e a Humanidade


No bloco da saudade já desfilei, cantando versinhos, balançando os braços e,  olhando meu suor farto, declinei da festa. Pensei na humanidade.

Dos foliões de edredon, ao pândegos das ruas, o que nos resta para filosofar nesta festa tão sui generis, tão cheia de exotismo, contudo questionada? A alegria tênue, que permeia entre o descontrole da dança e o embarque dolorido em um mundo alcoólico faz com que pensemos na necessidade humana unica de curtir até o mais espremido espaço, dentre tantos, ocupados por pessoas, igualmente alegres, que exacerbam o limite do corpo, colocando sobre seus ombros adornos e fantasias abrasivos, pesados, duros, só pelo momento, pelo escarnio, deboche, sensualidade e mídia.

O Carma intenso das dores quase nos remetem a meditação plena, onde o transe, neste caso, advém das batidas intensas  dos tambores e bumbos, que marcam os ritmos e fazem o sangue destes foliões ebulirem em ato continuo, até que suas forças se esvaziem num corpo fétido, caído, ébrio e escaldado do calor intenso desta parte do trópico. Que engraçado perceber o quanto queremos estar próximos uns dos outros neste momento.

A humanidade é tão fria. Olhamos ao nosso lado e interações não mais existem. Olhares são mal interpretados, abraços são vistos com grande reserva, especialmente se vindos do mesmo sexo. O toque humano nos falta, e se ocorrem, vem acompanhados de grande relutância. A solidão escalda a sociedade moderna, assim como o sol do meio dia escalda aqueles foliões suados em um bloco qualquer. E a alegria? É fabricada? Será que não agimos fora da curva porque já vivemos em reclusão atualmente? É como se tivéssemos que explodir a cada feriado, a cada lapso de tempo que passamos longe de nossas entediantes mesas de trabalho.

O carnaval não é tudo isso, não. E nunca foi. Hoje, então, nem se fala, pois dos costumes de outrora, da curtição tranquila e dos bailes infinitos dos clubes sociais só nos restam as migalhas. O feriado virou business, para os artistas celebrados e para os não tão celebrados assim. Um midiático show de mulheres testosterógenas, homens estranhos, patrocinadores de eventos e trios elétricos repletos de babaquices para quem deseja ser privado de seus sentidos. Para os meros mortais virou uma desculpa para bebedeiras, comilanças, liberação de agressividade, demonstração de desrespeito e muita, mas muita desilusão. Sim, desilusão! O carnaval é o opiáceo do folião e o cativa pela promessa de um período de intensas experiências, mas o destrói como resultado delas. O resultado são picos de alegria e fossas abissais de depressão, numa montanha russa de experiencias profundas que somente atiçam o que há de pior na humanidade de hoje: o imediatismo das sensações.

Eu olho para o carnaval com olhos de saudade, porém críticos. É uma visão de sintomas graves, como a ver um drogado dizer que está bem, que está sóbrio. Uma miríade de coisas passam pela mente, ao ver o carnaval pelo Brasil, na tela da tevê, como diz o bordão. Muitas delas, são de pura indiferença, de desapego por um período festivo que tanto foi uma expressão das camadas mais esquecidas da sociedade, e que hoje é um showcase para ricos e milionários exporem seus abdomens negativos, ou seus fantasiosos dedos ao ar, a marcar os ritmos rompantes. Era uma festa do povo, hoje é um espelho da decadência humana, e do elitismo prosaico, ordinário, marcado por gente que jamais viveu o carnaval em sua essência, somente suga, sorve a mesma.

...é que o folião nunca tem razão, ele apenas aproveita a ocasião...

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Virtude Virtual

  Há quem diga que a humildade é a maior das virtudes humanas, e que aquele que a cultiva coleciona as benesses de uma vida plena e livre de ódios e rancores, contra si ou outrem. A virtude de se aceitar a perda é o que faz com que pensemos no quão vão é conviver com um materialismo cronico. 

  A virtude de saber perder não reside em somente reconhecer a glória do vencedor. Muitas vezes, você perde para si mesmo, para sua arrogância, autoconfiança exagerada. A virtude real é saber quando exatamente você já perdeu, e não reconhecer após a derrota acachapante. Virtuoso ou defeituoso, eu perdi.

  De fato, não me sinto virtuoso. O que fazer além de entoar a derrota, tilintando copos e copos de bebida, e buscar uma forma de vencer novamente? A vida não é uma competição, eu não compito com nada neste mundo. Todavia medimos a vitória pelo vão capital, pela acumulação dele, pelos nossos sorrisos hostis e debochados após cada milhar em nossas contas rotas. Virtude de fingir humildade, mas na verdade dizer para si mesmo: "ainda bem que venci!", como num alívio escroto perante um mundo repleto de defeitos e cisões por conta de pessoas que competem.

 É uma guerra silenciosa, onde cada virtuoso potencial busca seu espaço estreito numa baia d´agua quase árida, como um equino a arfar litros após uma longa cavalgada. Onde fica a humildade quando somos esmagados pela sociedade de consumo e suas artimanhas para nos expor como criaturas inadequadas e impulsivas? Olhar para o lado e pedir passagem não é uma opção.

  No transito somos como hordas de animais irracionais cruzando vias com nosso ego disfarçado de toneladas de aço, buzinando, empurrando, gritando e...competindo pela melhor oportunidade de fazer o mesmo em menos tempo. Vejo mais ordem numa manada de búfalos a romper as savanas africanas. A humildade se esvai na vã ideia que somos bons quando despidos da nossa proteção material, e não somos. Somos maus, irritados, canalhas, justamente porque pensamos que o nosso semelhante quer nos vencer, nos derrotar a cada sinal verde. 

  Nos sentimos derrotados quando o saldo está negativo, e quando gastamos mais do que ganhamos. Aí compensamos com mais gastos, pois a cultura da tristeza pelo não consumo nos atinge como um homem de barriga cheia num banquete real. Com a virtuosidade do presente, do material como forma de compensar, nos tornamos defeituosos sem perceber, entoando em nossas mentes um mantra repetitivo: trabalho mais, ganho mais, compro mais, satisfaço mais, desiludo mais, trabalho mais...e assim em diante para no fim perceber que somente dedicamos horas ao trabalho para que a recompensa seja maior, de forma que a usemos para indulgencia pessoal, para logo após voltar ao trabalho competitivo e estafante, de forma a maximizar cada vez mais pequenos e curtos momentos de prazer meramente ilusório. 

  Me sinto derrotado por não ter seguido os planos traçados ainda na juventude. Engraçado ver como planejamos e criamos situações para que nada mude, mas que dentro de nós incendiamos um desejo mordaz de mudança. Somos contradições virtuosas. De manhã acordamos pensando em mudar nossas vidas, de noite vamos pra cama com o desejo que nada mude, e que nosso aconchego financeiro/emocional se mantenha. Mas minha derrota é mais que isso. Perdi porque me faltam virtudes morais e humanas. Nossa sociedade moderna é derrotada mesmo quando ela se sente vitoriosa.

  A virtude da beleza é a mais destruidora. Defeito em querer parecer belo sob todos os aspectos, da vaidade desenfreada à esdruxula auto desvalorização para que possa buscar ser mais belo. A vaidade é ciclicamente frustrante, pois vai de encontro a uma realidade inexorável: o envelhecimento. A virtude é envelhecer bem, o defeito é estar velho. Eu estou ficando velho. Sempre achei-me desprovido da virtude da beleza, mas descobri que o defeito de ficar velho é meu grande companheiro. Por vezes sinto que estou mais velho e acabado que muitos homens da minha idade, mas não me sinto menos ou mais virtuoso que eles. Me sinto...igual. 

  Da concepção a primeira desilusão, do auto conhecimento à morte vindoura, nos sentimos centro do universo quando nos sentimos virtuosos. No entanto, estamos recheados de defeitos ilógicos, frutos da nossa própria necessidade em exaurir o máximo de nossas personalidades egoístas. Comparamos nosso sucesso ao do nosso semelhante, e seu nível de fracasso. Sempre achei que a maior virtude do mundo estava em adquirir conhecimento e repassa-lo, simplesmente, por querer ver a evolução humana calcada nas suas habilidades naturais de constante evolução. Nem fodendo! A virtude do mundo é ser sexy, atraente, rico, culto, insensível, frio e calculista. Os defeitos são ser sentimental, gordos, pobres, desleixados e desorganizados. Gente assim é cuspida deste mundo como dejetos do anus de um elefante.

  Não há virtudes válidas para quem não circula nas concepções básicas de seres humanos competitivos, oportunistas e sádicos. Não há espaço para os humildes, propalados como os verdadeiros virtuosos, e nem para os de coração mole. O defeito é se importar. 



terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Café e Eu.

...- Ei, autor deste blog, venha cá, vamos conversar!

- Sim, sou todo ouvidos.

- Tu não te cansas de ser tão imbecil?

- Imbecil por quê? Não gosta do que lês?

- Nem preciso ler. Pelos titulos de suas publicações, já te odeio amargamente.

- Ora, amigo hater, não podes me julgar só pelos meus titulos. Meu conteúdo deve ter algum valor.

- Não tem valor algum, tu me deprimes, me calunias sem nem mesmo me ofenderes. Tu és tudo aquilo que não preciso em minha vida, tu és petista, promiscuo, depravado e corno de si próprio.

- Agora passou de hater a brigão. Te identificas com algo, comente. Gosto de comentários contra mim, aprecio o contragosto e prefiro um bom critico veemente a uma claque ignóbia.

- Não ponho em palavras escritas minhas discordâncias com quem quer que seja. Eu te enfrento  como o câncer que tu és, que tu TENS!

- Pois me enfrentes! Queres um café?

- Claro, pois não, se não for muito incomodo.

- De forma alguma. Pois afinal, quem é este ser que me odeia tanto?


Engenheiro da vida, pois sim! É o termo que cunho para descrever quem mais haveria de ojerizar bloguinho tão rasteiro e careta como este. Engenheiro da vida...pois vale a dissertação.

Xícara número 1:

- Para começar, critico-te por seres hipócrita! O que fazes por trás deste teclado? Tu praticas o que pregas?

- Como, sou um pastor? Não prego absolutamente nada. Só exponho minha visão enviesada do mundo. Aqui estou certo acima dos fatos. Quem disse que preciso ser para dizer?

- Ah sim. Como tu tens a pachorra de se declarar ao mundo feminino em narrativas aparentemente tórridas e languidas, quando na verdade, pelo que vejo de ti, não passas de um homenzinho ordinário e comum? Que mulher veria em ti algum valor?

- Por atributos físicos sim, critica aceita. Quaisquer outros atributos intangíveis valem uma minima atenção feminina. Veja, caro hater, vivemos na sociedade atual uma relação de amor e ódio com as mulheres. Por um lado, temos a fertilidade a nortear e ebulir nossas mentes. Por outro, vemos a carne, mas vemos o comportamento. Sua mulher, está satisfeita, oh engenheiro?

- Como assim, queres passar de um autorzinho anonimo, para um autorzinho morto? Talvez alguém te valorizes estes vãos escritos após morreres...

- Não há necessidade, meu caro, de me capitalizar. Veja, pergunto porque você me parece tão defensor da boa aparência para que um possa discorrer sobre a complexidade feminina. Será que sua mulher está satisfeita com seus dotes? Sempre pode se melhorar...

- Continuo dizendo a ti, tomes cuidado para não teres tua boca quebrada. Não sou como os leitores vagabundos e desmiolados que cultivam tuas idéias desconexas!

- Eu não preciso de autorização de qualquer mulher deste mundo para me derreter em palavras calorosas por elas. Escrevo, tomo-as de assalto, faço de suas personalidades minha paleta e tela...

- Quanta pretensão, ah...

- De fato, o que você, nobre engenheiro da vida, faz pelo feminino? Planeja? Constrói, tijolo após tijolo, para depois desconstruir e fazer tudo de novo? Tem sentimento pelo que cultiva? Ou somente posse? Aceita mais um café?

Xícara de café número 2:

- Tu não me almiscaras o pensamento, socialistazinho dos teclados. Eu sei o que bem faço de minha vida! Não tentes tirar o teu da reta. Aliás, quando foi que tu fizeste diferente dos políticos que criticas? És tu um brasileiro diferente de mim, ou de 200 e tantos milhões deles?

- Não sou, não. Sou tão brasileiro quanto a imbecilidade dos meus textos permite-me ser. A diferença entre eu e você, é que você vê, mas não nota. Eu noto, escrevo, mas nada faço. Somos ambos inúteis perante a massa, não criamos, não destruímos, não pressionamos, não revolucionamos. O que fazemos? Tomamos café enquanto o país afunda, dia após dia. Se meus textos fazem pelo menos alguém pensar, já ganhei meu dia, mesmo que este já esteja, de fato, perdido.

- Um grande farsante, isso sim! E quem pensas que és ao ditar se a sociedade está em decadência ou não? Tu decais com ela, meu autor. Me fale, que traços da sua personalidade são mais incoerentes? O bom moço que tu não és, ou o cara politicamente engajado que tu nunca foste?

- Touché, você me acertou. Finalmente está tendo algum senso esta conversa. Sou decadente, admito. Sexualmente não sou santo, nem religioso sou. Não prego, já disse acima, nada de bons costumes ou bons exemplos para os jovens. Declaro-me culpado do choque constante das palavras, no entanto, que poucos querem ouvir. Veja, nobre engenheiro, você tapa o sol com a peneira. Você acorda de manhã e vislumbra seu dia, seus ganhos, e volta para sua vida cega, ensolarada, como um animal de corte que escapou do matadouro por mais um dia. Eu, meu caro, fico a espera deste dia capital no matadouro, contando os minutos para quando meu dia chegar. Se até lá eu puder espernear bastante, mesmo que este fim seja inevitável, eu o farei. No fim, todos inexoravelmente viraremos alimento desta terra. Nossa unica diferença é a resignação. A minha incoerência é proporcional à complexidade dos dias de hoje. Freud total.

- Então tu escreves o que não praticas? Estive certo este tempo todo.

- Você pratica o que diz? Diga-me, quando foi a ultima vez que deu um beijo em seu filho, e rezou por ele?

- Sempre faço isto!

- Verdade? Pois este café está bom demais, muito embora não seja um soro de veracidade. Posso te dizer? Você nem nota a existência dele. Você não beija nada, a não ser sua própria imagem de sucesso de cartilha. Seu coração é uma bolha rosada, física, árida, que pulsa pelo simples desejo de ter. Não me julgue como você julga este café, que por sinal, foi feito com pó de quinta.

- Me dá mais uma xícara!


Xícara de café numero 3:

- Talvez se você me lesse, saberia que o que sempre quis foi fazer o certo, mesmo que o certo não faça mais sentido.

- Fale por ti, medíocre! Não leio o nonsense que você escreve nem que estivesse com uma Glock em minha cabeça.

- Pois sim, ninguém te obriga. Mas se quer criticar, tenha base. Não me critique baseado nos seus preceitos pré estabelecidos (redundância) que todos que fogem da reta são medíocres ou covardes. Se eu vejo a sociedade com olhos marejados é porque sinto as pessoas em rota de colisão com seus desvarios. Faço curvas para evitar seu fim doloroso e trágico. Vivendo em retas, chegaria lá mais cedo!


- Preciso ir, este assunto não me leva a lugar algum. Já disse o que tinha em meu peito, tu és um farsante, um pessimista clássico, que usa de modos caóticos para subverter uma série de ignorantes que não pensam por conta própria. Faça um favor à sociedade, apague esta antologia de fracassos, e mude-se de país!

- Se hoje temos visões dispares, não significa que em outro mundo não podemos avizinhar ideologias.  Somos, afinal, a mesma pessoa.

- O que?

- Consegue se enxergar em alguns manuscritos aqui, ó?

- Não mesmo, bosteiro! Não me venha catequizar as idéias.

- Você é meu ideal, cara! Eu olho para você, e vejo o ideal culto, quadrado e conformado que minha alma gostaria de repousar. Pelo contrario, anuncio neste blog o indivíduo desleixado e pusilânime que sou, descompromissado com a realidade, exceto por critica-la, como se este mundo me devesse algo. Mas meu alvo é você.

- Estranho você dizer isto, pois apesar de tu me pareceres alguém que não transa a realidade e se abstém dela como um pássaro que vai de encontro a um vidro translucido, eu também te admiro o cinismo. Que lado deste corpo tu deténs?

- O lado obscuro e sombrio. E você?

- O lado mecânico, que involuntariamente faz o que é certo, mas não entende o porquê.

- Não vou deixar de escrever neste blog.

- Vou trabalhar amanhã.




domingo, 8 de fevereiro de 2015

Lamentos da Carne, da Minha Carne.

Das dores de ser um homem já provei tantas quantas a vida me permitiu, e delas compreendi que se aperfeiçoar é a unica vantagem de ter passado por aqui por um curto período de tempo, nesta terra injusta, de prazeres vãos e sofrimentos perenes. As experiencias te fazem passar ao largo dos momentos ruins e restringem seus desejos aos mais seguros e plenamente possíveis de serem realizados.

Que paliativo mais gostoso para uma vida de sofrimento temos senão a doce experiencia da paternidade? Da superficialidade dos meus atos a vida me propôs uma simples, mas desafiadora missão: a de criar duas doçuras em forma de ser humano. Presente máximo que de puro deleite não espero nenhum retorno, muito embora gratificante seja sentir o amor irradiado por dois pares de olhinhos ávidos pelo meu simples abraço, meu simples ensejo ou desvio de uma atenção em algo desimportante, para que possa olhar seus olhares desejosos do mais puro amor, que não tem interesse, não tem nome, não tem fronteira. O que eles querem é tão pouco comparado a este mundo de ilusões breves, que sentimos sempre estar em débito com eles.

Quando nasceram foram eles no brilho dos meus olhos que minha alma refletiu, cada um a seu momento, e com importância unica pontual. Ao me recostar num estado de reflexão ainda sinto presente em meus dedos o cheiro infindável da bendita Hipoglós que nos salvou das assaduras tão comuns na pátria ardente que eles nasceram. Dos choros da madrugada sem fim, das idas ao pediatra, das noites ainda por descontar o sono, dos cochilos no sofá com seus corpos mínimos em meu tórax largo e disforme, guardo a mais terna lembrança de dias melhores, dias piores. A paternidade me moldou, ainda que pela ingratidão de outra, um homem menos irascível, menos revoltado e mais sensível. O toque leve de suas pelezinhas rosadas em minhas mãos brutas eram o grande acalmador da minha alma inconstante, e me fazia tecer lágrimas de pura incredulidade em tal milagre que eles me proporcionaram. Ah, como me fazem falta...

Das fraldas sujinhas o cheiro não me abandona a memoria olfativa, e os bracinhos delgados a me pedirem eterno colo, somente para que pudessem descansar as perninhas, ainda que tivessem de aguentar o suor azedo de minha face. Pidões e inocentes, eles me cuidavam, me tratavam, me deixavam a par das minhas próprias limitações, que não são poucas. Dos dias divertidos ao lado deles minha mente flutua em desejos intensos de repetir sempre aquilo que não posso mais ter no meu cotidiano duro, e busco na lembrança gostosa o alento destes pequenos milagres a quem devo muito, mas pouco posso fazer para alenta-los dum querer eterno.

A vida me fez seguir caminho distinto d´eles, mas que eles um dia possam ler esta declaração ofegante como um testemunho de que seu pai tentou, e mesmo quando estiver em meu leito de morte, quando bem ela desejar vir, que possa deixa-los com uma sensação de que nas minhas melhores memorias eles estarão sempre. Que do outro lado desta vida, eu vos guardarei, em seus sonos infantis e inocentes de hoje, ou em suas agruras adultas do amanhã, eu estarei, em vida ou não, restando meu braço firme abaixo de suas cabeças, num onírico desejo de ainda te-los em meu colo, como quando o fiz em suas infâncias, em minha juventude passada. Onde quer que eles estejam, meu coração ainda os guarda, secretamente choroso, mas orgulhoso das duas coisas mais lindas que a vida me presenteou. Que eu não vá embora agora, e possa sentir o ralar da tua barba num beijo seu, meu filho! Que eu possa sentir o cuidado da tua alma feminina com seu velho pai, minha filha.

Pensando bem, ando com muitas saudades do cheiro de Hipoglós. Foi especial, é especial e ainda será especial em minhas narinas.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

O Voto Ignorante

  Da incompetência latino americana para entender suas mais reais necessidades, eu já sabia. Ela, de tão contumaz, já vitimiza este povo sofrido por décadas, desde as mais variadas independências, heróicas até por demais do crível, passando pelo ditatorialismo caudilhista do século XX, até os dias de hoje. O que mudou? Houve evolução? Às vésperas de mais um processo eleitoral, a maior democracia da América do Sul, o Brasil, sofre com uma crise ideológica jamais vista antes, muito embora seu povo permaneça afundado numa impertinente ignorância, contraditoriamente.

  O voto direto como meio de escolha de um governante ou representante é indiscutivelmente a forma mais correta e justa de um povo eleger seus dirigentes, e neste ponto o Brasil, desde 1988, ano de sua ultima assembleia constituinte, é tácito em impor a democracia como sua forma e estilo de governança estatal. Uma miríade de políticos controlam esta dança caótica sob a qual nossa democracia se sustenta, e muitos deles se perduram há décadas, numa frenética mudança de cargos eletivos, onde as necessidades da nação são postas em segundo plano, em detrimento de interesses escusos, obscuros, diria até. De fato, a democracia foi porta para muitas liberdades individuais e igualdades de direitos. No entanto, esta porta, de tão escancarada, foi explicitamente usada como meio de meros interesseiros, mercadores do poder, entrarem na dinâmica do Estado com um discurso pretensamente liberal mas, na verdade, focado única e exclusivamente na perpetuação de partidos e grupos no poder perenemente.

  Ora, a democracia é, como dito acima, a forma mais justa e direta de se governar um país. No entanto, creio que a América Latina não estava pronta para esta governança "do povo". É importante frisar que para que um sistema democrático evolua dentro de uma nação o sistema de votos deve ser puramente voltado para a licitude, e cabe ao votante fiscalizar seus eleitos de forma ostensiva, acompanhando seus projetos, no caso do legislativo, e promessas, no caso do executivo. Na política, nem tudo que é prometido é viável. Como, numa nação de centenas de milhares de indivíduos abaixo da linha desejável de educação, podemos esperar um acompanhamento correto das ações políticas tomadas neste país pelos governantes eleitos? Parece-me pouco provável exigir do povo brasileiro, e latino americano, quaisquer iniciativas para se desenvolver um processo democrático pleno, dadas as condições culturais que nos encontramos.

  Num país como o Brasil, o legislativo existe na esfera Federal, estadual e municipal como meio de não só criar leis, mas como meio de fiscalizar as ações do poder executivo. Câmaras de vereadores, deputados, federais ou estaduais e senado federal atuam, primordialmente, como elementos regulatórios que representam diretamente seus eleitores contra os mandos e desmandos da administração pública que, por sua vez, faz o que pode, dentro de um orçamento, para implementar melhorias à vida da população em geral. Na prática, resumidamente, deveria funcionar assim. Mas, de fato, não funciona.

  Quando elegemos vereadores, deputados e senadores, quase sempre, elegemos por um partido, por uma ideologia, por um punhado de promessas. Está errado! Devemos eleger nossos representantes no legislativo pela quantidade de projetos e a viabilidade dos mesmos, caso sejam eleitos. Projetos de leis podem e devem ser plataformas de candidatura dos postulantes às câmaras, e infelizmente poucos destes apresentam projetos reais de lei que possam melhorar a vida como um todo da população. Em pleno século XXI, votar por ideologia, seja qual for, de esquerda, de direita ou de centro, me parece ser de um atraso atroz. A ideologia não move o caráter de um político. Há canalhas em todas as vertentes da ideologia humana, e não é um nacionalista contumaz, ou um liberal de cartilha que farão as coisas mudarem. Na verdade, quem se prende demais a ideologias na esfera política e em geral deve ser visto com muito cuidado. 

  Voltando à América Latina, quantos destes ideológicos caudilhos não se perpetuaram no poder, até por meios sanguinários, por tantos anos? Muitos deles estiveram no poder até pouco tempo, sendo freados pela morte ou pela própria incapacidade de gerenciar uma nação, natural de um ditador. Portanto, deve se partir da premissa que os partidos políticos, como um todo, são meros veículos de escolha de um candidato. O que importa mesmo é saber da lisura do postulante e dos seus projetos. O que vemos é que continuamos errando na escolha dos candidatos. Sarneys, Malufs, Tiriricas, Suplicys, Serras e até mesmo nosso ex-presidente Lula são figuras carimbadas na política, de forma exaustiva, os mesmos não desaparecem, não dão espaço para novas idéias e novos políticos. A falta de renovação na politica brasileira deveria ser assunto mister entre as pessoas com o mínimo de cultura. Homens velhos com idéias velhas já não podem mais figurar no cenário político nacional. Coloquei o Tiririca no bolo pois ele é um oportunista, um elemento simbolo da imbecilidade brasileira ao votar em seus representantes. Como ele, há vários nestas eleições pretendendo uma boquinha do já suado dinheiro do contribuinte brasileiro, elegendo-se para cargos de imensa responsabilidade sem terem a minima preparação para tal.

  O que leva o brasileiro a votar tão mal? Seria a ignorância nua e crua? Seria um protesto estúpido (onde já se viu protestar jogando o voto fora?)? Seria um desejo inconsciente de destruir o país? Enfim, é possível ter certeza que muitos dos votos advindos de regiões mais carentes do país são obtidos por meios nada ortodoxos e por mais que o TSE tente coibir a compra de votos, o suborno de autoridades e as fraudes eleitorais, é muito difícil numa nação continente fiscalizar cada pequena eleição de cada pequeno município e estado da federação. Ou seja, políticos espertos se candidatam por estados mais pobres, como forma de conseguir o máximo de votos de gente com menos educação possível. Muitas vezes, os políticos que lá se elegem mal têm residencia nestes locais, o que torna a fraude ainda mais evidente. 

  Muitos eleitores não sabem, mas os legislativos do país são as moradas dos maiores casos de corrupção vistos diariamente em escândalos, atrás de escândalos noticiados em vários veículos da mídia. Ainda assim, como que um Maluf ainda aparece em rede nacional pedindo votos? E como ele os consegue? O povo do estado de São Paulo, supostamente o que tem os melhores índices econômicos e educacionais da nação, ainda vota num homem com mais escândalos políticos nas costas do que dentes na boca. O que dizer então de Anthony Garotinho no Rio de Janeiro? E pasmem!!! José Roberto Arruda, no Distrito Federal, terra de gente bem colocada e educada nos mais altos cargos públicos, com renda per capita altíssima. Como isto ainda ocorre, em pleno século XXI, pretensamente a era da informação? Pois todos agem como desinformados.

  Enfim, ainda recrimino aqueles que na forma de protesto, dizem anular seu voto ou votar em branco. Ora, tantos lutaram há tantos anos para que este momento enfim chegasse para que seu voto fosse desperdiçado? Ou melhor, utilizado por coeficientes eleitorais para elegerem-se mais canalhas de terno e gravata? É melhor justificar e não comparecer às urnas. São atitudes como esta que demonstram o quanto a América Latina estava despreparada para a democracia. Nosso sistema politico corrompido, nossas economias devastadas, nossos índices sociais vergonhosos...tudo isso tem uma raiz e ela compreende toda a nossa falha como um povo nas decisões que mais importam para nosso bem estar. O Brasil precisa muito mudar. O continente também, mas o Brasil ainda mais. O partido vigente no governo federal não fez um mau trabalho no computo geral, mas falha miseravelmente em não querer sair do poder. A renovação é necessária para que as mudanças sejam implementadas, e politicamente o Partido dos Trabalhadores já está com sua imagem desgastada. Está na hora de se reciclar, assim como tudo na vida, e mudar os conceitos do partido. Os mercados, que são tão importantes para as economias das nações de hoje, clamam por mudanças no Brasil. Estas mudanças passam por reformas de ordem politica, com redução dos partidos nanicos, tão conhecidos pelas suas contribuições aos índices de corrupção. Reformas de ordem tributária são misteres para o desengripamento das engrenagens na atividade econômica brasileira. O país está estagnado porque está afundado em burocracias e alta carga tributária. 

  Se faz necessário, também, o investimento maciço em educação. O Brasil é um país em que o povo carece de cultura, de modos e de tempo investido em capacitação profissional. Sem isto, o desemprego será muito alto no futuro, até pela falta de mão de obra qualificada. Assim, voltamos ao cerne da questão, e concluímos que um povo que vota mal é porque é mal educado, aculturado, descomprometido e sem perspectivas de melhora. No entanto, se faz necessário um esforço nacional, sob forma de protestos, por entidades de classe, centrais de trabalhadores e fiscalização do público em geral para o trabalho dos políticos como um todo. Desta forma, aqueles que não rendem serão expurgados da política, abrindo espaço para novas mentes e novos horizontes nestes país e continente tão jovens. Precisamos mudar, de fato. mas começamos a mudar da urna em diante. 




quarta-feira, 21 de maio de 2014

Associe-se à Sociedade!

Da sociedade atual só acumulo desencanto. O que esperávamos que nos tornássemos após uma década inteira de excessos e de informação vasta? Ver que a ciência da escassez não mais lida com ela, e despeja seus dogmas no excessivo poder de compra da população, nos faz crer em prosperidade, mas também em derrocada de principios pelo simples desejo de ter, e não de ser.

Ver a escassez é como uma reeducação do que é mais inerente à humanidade atual, e perceber que o restante de uma população grande neste mundo sofre com ela. A falta do superfluo atiça o sentimento de igualdade, que por sua vez regula a sociedade num parâmetro de comportamento servil, de fato, mas condizente com o sentido de comunidade. Acredito que o excesso tem nos liderado para o egoísmo desenfreado, além de nos tornar egolatras compulsivos, buscando recompensas a cada ato raro de altruísmo displicente . Até mesmo a humana arte de conceber, reproduzir, está ameaçada por esta crescente cultura do "Eu" moderna.

A ideia de que as pessoas possam deixar de pensar no próximo parece absurda, mas está pautada num estilo de vida centralizador, que mata as emoções humanas em detrimento de um comportamento superficial perante as urgências da maioria. Existe a morte do sentimento de humildade, da parte de um todo que destrói o conceito universal de que somos nada mais ou menos que pó num universo vasto e disperso em coisas jamais alcançáveis pelo homem comum. Estas noções tem começado cada vez mais cedo nas cabeças mais jovens com a vã cultura da pequena celebridade que atinge a atenção da maioria. Sim, estou falando de redes sociais.

Ver os jovens trabalhando suas imagens, tais quais as celebridades o fazem, criando pequenas ilhas de isolamento é passível de fobias mesmo. A maior das maldades com um jovem é priva-lo do contato social e dos xistes juvenis que ajudam as mentes mais jovens a evoluirem. A urgencia da postagem tira qualquer ambição de se ter coisas particulares, até mesmo problemas pessoais, já que todos sabem dos males de todos. A intenção de ruminar suas questões em familia, ou só, é fator importante para as resoluções das mesmas, e o simples fato de um particular expor seus anseios a um coletivo faz daquele problema alvo de deboche alheio. É como um isolamento em publico, como estar cercado de pessoas e ao mesmo tempo solitário.

A imagem que um passa se torna menos importante que seus credos e intenções, num mundo tão hostil. Na verdade, esta hostilidade em nível mundial encontra base no egoísmo das pessoas, e seus anseios cada dia mais inatingíveis. A vida em sociedade está morrendo, à medida que nos encontramos cada dia mais escravos de nossos desejos e da atenção de todos a nossos passos mais ordinários. Será, prevejo, uma era prolífica para os psicologos e profissionais da mente humana. Perceberemos, em breve, que tudo aquilo que projetamos ser não passa de um truque de nossas mentes escravas do ego e a partir daí entraremos numa espiral de destruição de nossa autoconfiança, tornando-a inábil para as coisas mais simples da vida, tal como ter uma vida social, ter um filho, uma família...

A destruição da capacidade de assumir compromissos vem de uma insegurança mordaz, calcada na falta de preocupação com o próximo. Esta noção de que o mundo é uma grande prostituta e nós os clientes é fator preponderante para a derrocada da sociedade atual. Perdemos a mão com a internet, com os calabouços do consumo irresponsável, do crédito infinito e da nossa necessidade de estarmos sempre no centro das atenções. Ter visto a escassez, e como ela afeta a vida em sociedade me fez refletir. Ver que a busca incessante por uma "vida boa" passa por querer, antes de tudo, o bem do próximo. A felicidade, na atual sociedade ocidental-cristã, passa muito pelo desejo de acumular capital, de estar acima dos outros, de ser um sucesso profissional, ter dentes brancos, sorriso boçal e interminável, patrocinado por observar seu ganho, por meios éticos ou não. Neste ponto vemos até um adendo na corrupção humana. Sim, o excesso corrompe!

Seria necessário que a humanidade voltasse a sentir falta daquilo que hoje é abundante para que nós entendêssemos a lama na qual estamos nos afundando. Contudo, é fato que de toda esta imersão no culto ao ter gerará algum tipo de reflexão futura, espero assim, já que a humanidade percebe que os preceitos de caridade, amor ao próximo, amor incondicional e altruísmo deram lugar a um sentimento nojento de auto promoção, auto amor exagerado, auto confiança excessiva e falsa, ambição desenfreada e falta de companheirismo. Tudo isso perdemos com esta cultura nefasta da utilização de ferramentas que em tese estão disponiveis para nossa evolução, muito embora as utilizemos para disfarçarmos nossa infelicidade latente.