Nota do Blogueiro: Texto adaptado de um colega altamente Bukowskiano, que vive às voltas entre o amor e o ódio pelas mulheres. Quem interpreta isso como algo vulgar ou inútil como arte é,no mínimo, mais vulgar ainda. Quem nunca pensou em escrever antes assim a uma mulher? Quem nunca provou da ambiguidade que é o amor? Sorte daquele que expressa suas frustrações na escrita, na arte e não pela violência. Puritanos, vazem daqui, este blog não é para vocês. Aqui somente habitam os amantes da escrita e leitura underground.
A noite chega no vale da morte e da vida louca. Onde o dia não existe e as danças são no ferro em brasa que queima. Eu falo coisas que não te agradam, garota. Vim nesse mundo para provocar, mas seu sague é frio como um iceberg do Alaska e seu coração gelado como o vento que sopra no além. E sua felicidade é uma nota de três reais em meu bolso. Precisamos de mais tequila para aquecer nossas almas. Não poderíamos estar mais chapados, garota. Só assim para acreditar nas mentiras da vida. Sei que você presta atenção nas palavras. Procure pensar nisso. Você continua dançando e quer mais e mais. Você é linda, não posso olhar para seu rosto mais de um segundo. Seu coração frio não me pertence. Eu digo coisas que precisam ser ditas. Mais um gole, por favor. Traga uma água, por favor. Vamos dançar no ferro em brasa. Pegue minha mão, sinta minhas veias pulsando. Sangue fervendo nas veias. É disso que você precisa, garota. Sirva-se de um copo de sangue, oferenda para o Deus da noite negra, do amor e do sexo. Deus da porra do caralho!
Deus da tequila, quero te foder!
Quero ter essa mulher para mim, mas ela não me pertence. Eu não poderia estar mais chapado, vamos dançar para esquecer de tudo que nos cerca. Existem coisas que precisam ser ditas. Sou um cavaleiro da noite, o tolo que diz as coisas tolas, que sofre mais do que vive. Sou o mensageiro do além e lhe trago boas novas: você ganhou na loteria! E o prêmio é a felicidade da vida louca. Beba mais tequila, vamos brindar a sorte.
Vamos comemorar, dançar na chuva e fazer um filho. Vamos trepar em cima de uma estrela de neutrons até eu encher a sua cara de porra, jatos de porra lançados no espaço do vazio soturno da tua boca. Garota, sinta meu coração batendo num turbilhão acelerado e meu sangue pulsando. Isso é vida...por favor, me traga água, destilada, de preferência, e vamos brindar o azar da vida projetada nas sombras da caverna de Platão. Aquele filho da puta!
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Ensaios Sobre o Arrebatador Amor De Uma Só Transa (parte1)
Houvera sido um dia esquisito, uma sexta feira que começara sem muitas boas novas e que terminara com uma sensação de "borboletas" no estômago, como ela dizia. Era a predição de que algo excitante estava por ocorrer, algo que poderia mudar a vida daquele homem amargo e desiludido. Um sorriso radiante tomou conta de seus lábios enquanto a labuta do dia era encerrada, suas mãos suavam em plena ansiedade e seus pulmões desejavam respirar ofegante novamente, como ainda não houvera respirado ou como já não respirara há anos.
Aquela fresca tarde de maio já reservava flores antecipadas de primavera e o ar estava esfuziante. As pessoas estavam mais belas, as buzinas dos carros naquele rush maldito ecoavam como sinfonias de Bach, que anunciavam uma nova era na vida daquele amargor de pessoa. Em seu carro as notas de uma velha canção de Jazz no rádio eram o incentivo para que pudesse seguir adiante na infinita estrada que o separava do gozo universal. Era já de noite e Paul Lettere chega a sua casa para enfim banhar-se e preparar-se para encontrar sua divindade. Ele não sabia até aquele momento que ela representaria para ele toda uma nova era em sua vida, que ela romperia de vez com o enfastiado personagem que assumira seu ser, e que ela daria a ele a pura e simples razão para não usar aquela pistola em direção a seu próprio crânio. Ela era uma lufada de ar fresco num clima árido e seco. Ela é Anna Schneider.
Paul era um Stock Broker bem sucedido, casado, pai e um grande colecionador de velhos LP´s de Jazz. Entre um Coltrane e Parker, ele despejava toda a sua amargura numas notas loucas de Ella Fitzgerald, estalando estupidamente seus dedos a cada nota cantada por aquela negra fabulosa. Depois de anos casado resolve se tornar boêmio, e explora profundamente a nightlife de sua Chicago de 1948, chafurdando cada clube de Jazz a procura daquele Bebop mágico que lhe faça suar e ranger os dentes a cada agudo do Saxofone. Entre doses homéricas de whisky e drinks pagos a estranhas ele olha para o outro lado do balcão daquele sujo clube de Jazz, e pela névoa exalada pelos cigarros e charutos acesos percebe um perfil angelical, com suas mãos apoiando seu delicado queixo, e seus cotovelos tocando tediosamente aquele balcão repleto de sujeira e suor de pessoas podres que lá estavam. Era uma mulher de traços finos, corpo magro e longilíneo, mas com curvas no lugar certo, com um vestido vermelho colado ao corpo com uma flor falsa na alça esquerda, de mesma cor. Paul desce os olhos e percorre suas coxas até chegar a seus delicados pés, vestidos com uma bela sandália de salto preta. - Deve ser uma dançarina Flamenca, pensou ele.
Não dava para ver muito naquela meia luz de bar, e com toda aquela fumaça. Paul já estava alto dos whiskies, mas seu instinto masculino é fatal e ele se dirige até ela. Sua roupa está um tanto quanto amassada, sua gravata afrouxada ao máximo, sua dignidade se esvai a cada passo. Seu cheiro não é dos melhores, e a camisa de seda branca já começa a sair da calça que reside na altura do umbigo. Não importava, Paul foi até ela e começou a descobrir ainda mais com seus olhos a beleza daquela mulher. Seu cabelo estava solto, era castanho escuro e liso. Ela tomava algo claro, transparente, talvez algum drink à base de gim e ou vodka, pouco importava. Sua posição se manteve inalterada e seus olhos não paravam de olhar pra frente. Paul fez alguns barulhos para chamar a atenção, aquela caminhada até ela estava durando décadas, mas ele estava chegando. Ao chegar mais perto, percebe a forte maquiagem em seu rosto, com seus lábios finos e delicados com um batom avermelhado e brilhante. Ela ainda está com uma mão no queixo e outra no drink quando Paul chega e diz: - Gosta de Jazz, garota? Não era uma boa forma de começar uma conversa, afinal por que ela estaria lá se não gostasse de Jazz? Ela o olhou, e ele pode perceber seus profundos e belos olhos castanhos escuro, que perfaziam uma tonalidade de contraste maravilhosa com sua pele branca, mas não tão branca. Ao perceber que ela somente o fitou e nada respondeu, Paul pergunta novamente: Qual é a sua idade, menina? - ele a podia chamar de menina, ela não tinha mais que 20 anos. Ele estava nos 30 e poucos - por fim, ela não responde. Intrigado, Paul volta ao seu lado do balcão, dizendo que se ela quisesse conversar lá ele estaria. Ela não foi e Paul virou sua última dose, largando alguns dólares sobre o balcão.
Ao chegar novamente mais perto ele percebe aquele perfil maravilhoso que tinha visto há minutos atrás. Aquele nariz fino e delicado, o queixinho pouco proeminente e uma testa austera formavam um rosto arrebatador. O pescoço era longo assim como seu corpo, os seios eram médios e firmes, assim como seu colo. O Jazz comia solto e alguns casais já dançavam fervorosamente, quando Paul levante de novo e desta vez sem rodeios pergunta: - Você é uma dançarina aqui do local? Ela sorriu ironicamente, como a debochar daquele bêbado deselegante e diz: - Não sou. Pareço uma, por acaso? Paul sentiu que não estava sendo respeitado e lançou secamente: - Sim, está vestida como uma dançarina Flamenca. O sorriso em sua cara se esvaiu, e uma seriedade templária assumiu sua angelical figura: - Olha aqui amigo, não sou dançarina, não sou amante do Jazz e não estou aqui para conversar com ninguém. Por favor, me deixe em paz! Paul não sabia por que ainda insistia naquilo, pois, na Elm Street, depois das 23hs, havia muitas prostitutas com faces "angelicais" nas quais ele pudesse descontar sua amargura. Ainda assim, lançou uma última frase: - Olha aqui boneca, a guerra acabou, entende? Nós sobrevivemos à era nuclear. Não podemos sair por aí dando coices uns nos outros. Vamos começar de novo, meu chamo Paul Lettere. E você? Ela ficou pensativa, mas estendeu a mão a ele, até mesmo por pena, e disse: - Sou Anna Schneider.
Ao ter falado sobre a guerra, Anna pensou estar falando com um ex combatente, o que a deixou mais complacente ao seu estado ébrio e a fez tratá-lo com mais paciência. Paul divagou o quanto pode sobre Jazz, músicos e divas. Estava arrebatado por aquela beleza jovial, mas que parecia maltratada, deprimida. Aquela roupa chique para o local não explicava muitas coisas, ela se portava como antes, estava calada, contemplativa e ainda tomava aquele único drink. Após ouvir palavra após palavra, quieta, Anna resolve perguntar se Paul havia lutado na II Guerra, visto que a havia citado a ela. Paul riu descontroladamente, aquilo ia contra tudo aquilo que acreditava, era um homem bem sucedido, pouco havia lhe importado a guerra. Foi enfático em dizer que não. Trabalho com mercado financeiro, disse ele. - Minha luta é o lucro, minhas armas são as ações e meu front de guerra é a bolsa de valores de Chicago. Mas apoiei nossas tropas do outro lado do Atlântico, disto você pode ter certeza! Paul já tinha entendido porque aquela doçura houvera lhe dado uma chance e tentou ser simpático à causa da guerra, pensando que a moça poderia ter perdido parentes no conflito e por isso ela poderia estar tão triste naquele bar imundo.
Não era comum naquele tempo ver mulheres sozinhas em clubes de Jazz, ainda mais tão jovens e belas, que não fosse prostitutas. Paul queria levá-la dali, para a casa de seus pais, pois ali não era lugar para uma moça como ela. Anna já tinha pago sua conta, e foi se preparando para ir embora, com certo marejamento em seus olhos. Espantado, Paul a pediu que esperasse, pensou ter dito algo errado, ela simplesmente se foi, sem que ele pudesse conte-la. Ele foi para casa, sua esposa o esperava com o jantar frio, mas ele foi para sua cama diretamente. Paul pensava em muitas coisas, houvera casado muito jovem, quisera fugir, divorciar-se, conhecer o mundo. O fim da guerra houvera trazido prosperidade e o mundo estava ali, pronto para ser descoberto. Eram muitos os desejos, mas sua amargura advinha especialmente da falta de perspectivas, de aventuras, novidades etc. Ele era uma alma excitada, uma alma que desejava viver intensamente, mas que poderia interromper a vida pela simples razão de ela existir, tão somente. Era um problema existencial e ninguém poderia resolvê-lo.
Os dias se passaram e Paul não mais variava suas idas a clubes aleatórios de Jazz, passou somente a ir ao mesmo em que conheceu aquela moça. Era recorrente aquela lembrança, algo indelével. Ela era cada gole num whisky barato, ela era a fumaça tragada de um cigarro achado no chão do bar, ela era o couro barato e roto dos bancos daquele clube, ela era o tilintar de copos nas mãos de garçonetes ávidas por níquel de gorjeta. Ela estava em tudo naquele lugar. A esperança era que ela abrisse a porta daquela espelunca, num ato impensado, e encontrasse Paul ali, desfalecido pelo álcool barato, entorpecido pelos vapores tabagistas e lhe desse no mínimo um pequeno gesto de atenção que fosse desde um toque por entre os dedos até um beijo que fervesse a alma. A idéia estava se tornando fixa e Paul resolvera sair dali por um tempo, dedicar-se mais a família.
Seu trabalho já houvera dado lucros, sua situação financeira era bastante estável, apesar da pouca idade. Paul tinha decidido ser um homem mais familiar daquele momento em diante, e esquecer de vez aquela névoa vermelha em forma de anjo que estocava sua memória como a querer enlouquecê-lo. Já houvera se passado seis meses ou mais que aquela curta e frívola conversa de bar ocorrera e, desde então, ele não vira mais aquela mulher em nenhum lugar da fria Chicago. O inverno havia chegado, e a brisa cortante daquela fria cidade prenunciava as festividades de fim de ano. Paul se tornara mais alegre, vira nos olhos dos filhos uma razão para continuar, um regozijo que somente um pai pode ter. Num certo dia, ele resolvera caminhar na neve, se cobrir daquele gélido cristal em suas costas, senti-la espalhar-se pelo seu rosto, como a querer adormecê-lo numa posição de sorriso perene. Ao parar numa banca de jornal para comprar seu jornal matinal se depara com um cheiro esfuziante, familiar, que atiça destreza masculina que procura o olhar a cada traço interessante de feminilidade por perto. É ela, está do lado dele, folhando algumas revistas, é ela! Paul gela repentinamente e, naquele momento, ele era mais frio que a Chicago no inverno de 1948/49. Não havia como esquecer aquele par de pernas de fora, mesmo que protegidos por uma grossa meia calça de lã continuavam divinos. Paul subira um pouco mais os olhos e fitara seu rosto e sua pele de cor quase cinzenta, denotando que houvera caído da cama naquela manhã, sem nem mesmo preocupar-se em maquiar-se como estivera naquela noite naquele clube de Jazz. Ela não notara Paul nem um pouco, mas ele aos poucos foi se soltando e fez menção de iniciar um diálogo:
-Olá, a Senhora não vai se lembrar de mim, mas, por uma vez somente a Senhora me marcou intensamente.
-Não entendo, quem ou que é o Sr?
-Pouco importa, a Senhora não lembrará. Mas da Senhora me lembrei por meses a fio.
-Risos. Se não me lembrarei do Senhor, será porque não valeu ser lembrado mesmo. De onde nos conhecemos?
-Seis meses atrás te abordei num clube de Jazz, trôpego, bêbado, mas sóbrio o suficiente pra te reconhecer como uma visão angelical no meio da bruma daquele local. Reconheci-te, sim, como uma das criaturas mais lindas que já houvera visto. Tentei em vão conversar com a Senhora, queria levá-la daquele antro, mas...
-Fui embora, não?
-Sim, foi.
Um silêncio estarrecedor acomete o diálogo, e o olhar desconfiado do dono da banca incomodara Paul. Nos olhos de Anna, um brilho incomum estivera se instalado, um brilho raro de ver nos olhos de uma mulher, ainda mais numa jovem mulher, um tanto insossa ainda quanto ao sexo oposto. Era a primeira vez que Paul a percebia sem os efeitos do álcool, sem aquela meia luz de bar, e sem a tristeza que estivera em seus olhos na época. Era fato, ela parecia mais feliz, renovada:
-Está muito frio aqui, Anna. Podemos entrar em algum lugar e tomarmos algo quente?
-O Senhor lembrou-se do meu nome? Devo ter sido inesquecível mesmo...
-Por favor, não me chame mais de Senhor, sou Paul.
-Claro Paul, está muito frio mesmo, eu aceito.
Conversaram por horas a fio sem qualquer preocupação com o mundo externo. Ali, naquele bistrô isolado no centro da cidade, eles dividiram experiências, foram sinceros, expuseram suas fraquezas. Paul descobrira que Anna estava devastada naquele dia por ter sido deixada esperando num restaurante da cidade, por horas. Ela era noiva de um rapaz na Faculdade. Cursavam letras e literatura inglesa, e o rapaz era um moço filho de um industrial do meio oeste americano. Era riquíssimo, e dela somente queria o sexo. Apesar do noivado, ele não a levava a sério. Anna, por sua vez, trabalhava num restaurante durante o dia, para custear seus estudos. Seus pais eram do sul, e as gorjetas que recebia gastava em enxovais para seu futuro casamento. Viu que aquilo não passava de falsas esperanças, seu noivo saia descaradamente com todas as mulheres do campus. Paul sentiu um desespero na alma daquela mulher, muito parecido com dele, o que o fez criar uma conexão massiva com ela. Paul contou sobre sua infância boa, seus pais eram médicos, mas ele tinha asco da profissão de salvar vidas. Queria mais que isso e cursou Economia e Finanças, conseguindo depois de formado um emprego na área de ações e investimentos. Conheceu sua esposa muito cedo, e teve logo seu primeiro filho. Sua esposa era secretária num escritório de advocacia e tinha surtos psicóticos vez por outra, fruto de uma infância perturbadora numa fazenda no interior de Illinois. Houvera sido estuprada por dois tios, empregados da fazenda e jamais conseguira superar este trauma. Após o nascimento de seu segundo filho, Paul fez votos de ficar com sua esposa fosse qual fosse os acontecimentos em sua vida. Era demais para ele, Paul queria viver, queria arrancar de si as amarras de uma vida sólida, mas entediante. Não havia como aquela mulher psicótica e de coração vil fazer dele um homem realizado. Estava acima das possibilidades dela realizá-lo e acima das dele compreendê-la.
Eram problemas pessoais comuns, mas que aproximaram os dois naquelas duas ou 3 horas de conversa. Mais uma vez um silêncio atordoante acometera o ambiente, parece que o ar havia ficado pesado. Por alguma razão, naquele momento, o silêncio dizia tudo, e Paul alcança a mão de Anna, apertando-a com a leve força que se usa para ser erguer um bebe do berço. Anna sorrira, e ruborizara, mas aceitara o carinho. Não teve como ser diferente, em poucos minutos estavam num beijo longamente louco. Era a realização de Paul, o sonho estava realizado, ou não, o que pensar? E sua esposa e a família, e nova fase de sua vida? Era aquilo mesmo, uma imensa descarga de energia constante, fruto de meses de frustração contínua, que fora despejada nos lábios daquela mulher. Era final, era um momento ímpar, o coração de Paul explodiria.
Fizeram amor loucamente naquela tarde fria, na republica onde morava Anna. Fizeram promessas um para o outro, se entregaram, mas não poderia deixar de pensar que talvez Paul estivesse super dimensionando aquele momento. Quem sabe aquela moça não estivesse somente se vingando do noivo, pelas suas traições constantes? Mulheres são vingativas. Será que ela fez amor comigo porque sentiu algo diferente por mim? Pensou Paul. Era um momento de reflexão pós coito, mas que seria revelador para ele em breve. Ela também poderia ter suas reservas, talvez ele fosse um homem daqueles casados e sem vergonhas, que traem suas esposas e tem boa conversa. Talvez ambos tivessem se arrependido. Despediram-se calorosamente e Paul queria voltar logo, planejava em sua cabeça dar um fim em seu casamento e dar a Anna todo o amor que esteve escondido em si por tanto tempo.
Continua...
Aquela fresca tarde de maio já reservava flores antecipadas de primavera e o ar estava esfuziante. As pessoas estavam mais belas, as buzinas dos carros naquele rush maldito ecoavam como sinfonias de Bach, que anunciavam uma nova era na vida daquele amargor de pessoa. Em seu carro as notas de uma velha canção de Jazz no rádio eram o incentivo para que pudesse seguir adiante na infinita estrada que o separava do gozo universal. Era já de noite e Paul Lettere chega a sua casa para enfim banhar-se e preparar-se para encontrar sua divindade. Ele não sabia até aquele momento que ela representaria para ele toda uma nova era em sua vida, que ela romperia de vez com o enfastiado personagem que assumira seu ser, e que ela daria a ele a pura e simples razão para não usar aquela pistola em direção a seu próprio crânio. Ela era uma lufada de ar fresco num clima árido e seco. Ela é Anna Schneider.
Paul era um Stock Broker bem sucedido, casado, pai e um grande colecionador de velhos LP´s de Jazz. Entre um Coltrane e Parker, ele despejava toda a sua amargura numas notas loucas de Ella Fitzgerald, estalando estupidamente seus dedos a cada nota cantada por aquela negra fabulosa. Depois de anos casado resolve se tornar boêmio, e explora profundamente a nightlife de sua Chicago de 1948, chafurdando cada clube de Jazz a procura daquele Bebop mágico que lhe faça suar e ranger os dentes a cada agudo do Saxofone. Entre doses homéricas de whisky e drinks pagos a estranhas ele olha para o outro lado do balcão daquele sujo clube de Jazz, e pela névoa exalada pelos cigarros e charutos acesos percebe um perfil angelical, com suas mãos apoiando seu delicado queixo, e seus cotovelos tocando tediosamente aquele balcão repleto de sujeira e suor de pessoas podres que lá estavam. Era uma mulher de traços finos, corpo magro e longilíneo, mas com curvas no lugar certo, com um vestido vermelho colado ao corpo com uma flor falsa na alça esquerda, de mesma cor. Paul desce os olhos e percorre suas coxas até chegar a seus delicados pés, vestidos com uma bela sandália de salto preta. - Deve ser uma dançarina Flamenca, pensou ele.
Não dava para ver muito naquela meia luz de bar, e com toda aquela fumaça. Paul já estava alto dos whiskies, mas seu instinto masculino é fatal e ele se dirige até ela. Sua roupa está um tanto quanto amassada, sua gravata afrouxada ao máximo, sua dignidade se esvai a cada passo. Seu cheiro não é dos melhores, e a camisa de seda branca já começa a sair da calça que reside na altura do umbigo. Não importava, Paul foi até ela e começou a descobrir ainda mais com seus olhos a beleza daquela mulher. Seu cabelo estava solto, era castanho escuro e liso. Ela tomava algo claro, transparente, talvez algum drink à base de gim e ou vodka, pouco importava. Sua posição se manteve inalterada e seus olhos não paravam de olhar pra frente. Paul fez alguns barulhos para chamar a atenção, aquela caminhada até ela estava durando décadas, mas ele estava chegando. Ao chegar mais perto, percebe a forte maquiagem em seu rosto, com seus lábios finos e delicados com um batom avermelhado e brilhante. Ela ainda está com uma mão no queixo e outra no drink quando Paul chega e diz: - Gosta de Jazz, garota? Não era uma boa forma de começar uma conversa, afinal por que ela estaria lá se não gostasse de Jazz? Ela o olhou, e ele pode perceber seus profundos e belos olhos castanhos escuro, que perfaziam uma tonalidade de contraste maravilhosa com sua pele branca, mas não tão branca. Ao perceber que ela somente o fitou e nada respondeu, Paul pergunta novamente: Qual é a sua idade, menina? - ele a podia chamar de menina, ela não tinha mais que 20 anos. Ele estava nos 30 e poucos - por fim, ela não responde. Intrigado, Paul volta ao seu lado do balcão, dizendo que se ela quisesse conversar lá ele estaria. Ela não foi e Paul virou sua última dose, largando alguns dólares sobre o balcão.
Ao chegar novamente mais perto ele percebe aquele perfil maravilhoso que tinha visto há minutos atrás. Aquele nariz fino e delicado, o queixinho pouco proeminente e uma testa austera formavam um rosto arrebatador. O pescoço era longo assim como seu corpo, os seios eram médios e firmes, assim como seu colo. O Jazz comia solto e alguns casais já dançavam fervorosamente, quando Paul levante de novo e desta vez sem rodeios pergunta: - Você é uma dançarina aqui do local? Ela sorriu ironicamente, como a debochar daquele bêbado deselegante e diz: - Não sou. Pareço uma, por acaso? Paul sentiu que não estava sendo respeitado e lançou secamente: - Sim, está vestida como uma dançarina Flamenca. O sorriso em sua cara se esvaiu, e uma seriedade templária assumiu sua angelical figura: - Olha aqui amigo, não sou dançarina, não sou amante do Jazz e não estou aqui para conversar com ninguém. Por favor, me deixe em paz! Paul não sabia por que ainda insistia naquilo, pois, na Elm Street, depois das 23hs, havia muitas prostitutas com faces "angelicais" nas quais ele pudesse descontar sua amargura. Ainda assim, lançou uma última frase: - Olha aqui boneca, a guerra acabou, entende? Nós sobrevivemos à era nuclear. Não podemos sair por aí dando coices uns nos outros. Vamos começar de novo, meu chamo Paul Lettere. E você? Ela ficou pensativa, mas estendeu a mão a ele, até mesmo por pena, e disse: - Sou Anna Schneider.
Ao ter falado sobre a guerra, Anna pensou estar falando com um ex combatente, o que a deixou mais complacente ao seu estado ébrio e a fez tratá-lo com mais paciência. Paul divagou o quanto pode sobre Jazz, músicos e divas. Estava arrebatado por aquela beleza jovial, mas que parecia maltratada, deprimida. Aquela roupa chique para o local não explicava muitas coisas, ela se portava como antes, estava calada, contemplativa e ainda tomava aquele único drink. Após ouvir palavra após palavra, quieta, Anna resolve perguntar se Paul havia lutado na II Guerra, visto que a havia citado a ela. Paul riu descontroladamente, aquilo ia contra tudo aquilo que acreditava, era um homem bem sucedido, pouco havia lhe importado a guerra. Foi enfático em dizer que não. Trabalho com mercado financeiro, disse ele. - Minha luta é o lucro, minhas armas são as ações e meu front de guerra é a bolsa de valores de Chicago. Mas apoiei nossas tropas do outro lado do Atlântico, disto você pode ter certeza! Paul já tinha entendido porque aquela doçura houvera lhe dado uma chance e tentou ser simpático à causa da guerra, pensando que a moça poderia ter perdido parentes no conflito e por isso ela poderia estar tão triste naquele bar imundo.
Não era comum naquele tempo ver mulheres sozinhas em clubes de Jazz, ainda mais tão jovens e belas, que não fosse prostitutas. Paul queria levá-la dali, para a casa de seus pais, pois ali não era lugar para uma moça como ela. Anna já tinha pago sua conta, e foi se preparando para ir embora, com certo marejamento em seus olhos. Espantado, Paul a pediu que esperasse, pensou ter dito algo errado, ela simplesmente se foi, sem que ele pudesse conte-la. Ele foi para casa, sua esposa o esperava com o jantar frio, mas ele foi para sua cama diretamente. Paul pensava em muitas coisas, houvera casado muito jovem, quisera fugir, divorciar-se, conhecer o mundo. O fim da guerra houvera trazido prosperidade e o mundo estava ali, pronto para ser descoberto. Eram muitos os desejos, mas sua amargura advinha especialmente da falta de perspectivas, de aventuras, novidades etc. Ele era uma alma excitada, uma alma que desejava viver intensamente, mas que poderia interromper a vida pela simples razão de ela existir, tão somente. Era um problema existencial e ninguém poderia resolvê-lo.
Os dias se passaram e Paul não mais variava suas idas a clubes aleatórios de Jazz, passou somente a ir ao mesmo em que conheceu aquela moça. Era recorrente aquela lembrança, algo indelével. Ela era cada gole num whisky barato, ela era a fumaça tragada de um cigarro achado no chão do bar, ela era o couro barato e roto dos bancos daquele clube, ela era o tilintar de copos nas mãos de garçonetes ávidas por níquel de gorjeta. Ela estava em tudo naquele lugar. A esperança era que ela abrisse a porta daquela espelunca, num ato impensado, e encontrasse Paul ali, desfalecido pelo álcool barato, entorpecido pelos vapores tabagistas e lhe desse no mínimo um pequeno gesto de atenção que fosse desde um toque por entre os dedos até um beijo que fervesse a alma. A idéia estava se tornando fixa e Paul resolvera sair dali por um tempo, dedicar-se mais a família.
Seu trabalho já houvera dado lucros, sua situação financeira era bastante estável, apesar da pouca idade. Paul tinha decidido ser um homem mais familiar daquele momento em diante, e esquecer de vez aquela névoa vermelha em forma de anjo que estocava sua memória como a querer enlouquecê-lo. Já houvera se passado seis meses ou mais que aquela curta e frívola conversa de bar ocorrera e, desde então, ele não vira mais aquela mulher em nenhum lugar da fria Chicago. O inverno havia chegado, e a brisa cortante daquela fria cidade prenunciava as festividades de fim de ano. Paul se tornara mais alegre, vira nos olhos dos filhos uma razão para continuar, um regozijo que somente um pai pode ter. Num certo dia, ele resolvera caminhar na neve, se cobrir daquele gélido cristal em suas costas, senti-la espalhar-se pelo seu rosto, como a querer adormecê-lo numa posição de sorriso perene. Ao parar numa banca de jornal para comprar seu jornal matinal se depara com um cheiro esfuziante, familiar, que atiça destreza masculina que procura o olhar a cada traço interessante de feminilidade por perto. É ela, está do lado dele, folhando algumas revistas, é ela! Paul gela repentinamente e, naquele momento, ele era mais frio que a Chicago no inverno de 1948/49. Não havia como esquecer aquele par de pernas de fora, mesmo que protegidos por uma grossa meia calça de lã continuavam divinos. Paul subira um pouco mais os olhos e fitara seu rosto e sua pele de cor quase cinzenta, denotando que houvera caído da cama naquela manhã, sem nem mesmo preocupar-se em maquiar-se como estivera naquela noite naquele clube de Jazz. Ela não notara Paul nem um pouco, mas ele aos poucos foi se soltando e fez menção de iniciar um diálogo:
-Olá, a Senhora não vai se lembrar de mim, mas, por uma vez somente a Senhora me marcou intensamente.
-Não entendo, quem ou que é o Sr?
-Pouco importa, a Senhora não lembrará. Mas da Senhora me lembrei por meses a fio.
-Risos. Se não me lembrarei do Senhor, será porque não valeu ser lembrado mesmo. De onde nos conhecemos?
-Seis meses atrás te abordei num clube de Jazz, trôpego, bêbado, mas sóbrio o suficiente pra te reconhecer como uma visão angelical no meio da bruma daquele local. Reconheci-te, sim, como uma das criaturas mais lindas que já houvera visto. Tentei em vão conversar com a Senhora, queria levá-la daquele antro, mas...
-Fui embora, não?
-Sim, foi.
Um silêncio estarrecedor acomete o diálogo, e o olhar desconfiado do dono da banca incomodara Paul. Nos olhos de Anna, um brilho incomum estivera se instalado, um brilho raro de ver nos olhos de uma mulher, ainda mais numa jovem mulher, um tanto insossa ainda quanto ao sexo oposto. Era a primeira vez que Paul a percebia sem os efeitos do álcool, sem aquela meia luz de bar, e sem a tristeza que estivera em seus olhos na época. Era fato, ela parecia mais feliz, renovada:
-Está muito frio aqui, Anna. Podemos entrar em algum lugar e tomarmos algo quente?
-O Senhor lembrou-se do meu nome? Devo ter sido inesquecível mesmo...
-Por favor, não me chame mais de Senhor, sou Paul.
-Claro Paul, está muito frio mesmo, eu aceito.
Conversaram por horas a fio sem qualquer preocupação com o mundo externo. Ali, naquele bistrô isolado no centro da cidade, eles dividiram experiências, foram sinceros, expuseram suas fraquezas. Paul descobrira que Anna estava devastada naquele dia por ter sido deixada esperando num restaurante da cidade, por horas. Ela era noiva de um rapaz na Faculdade. Cursavam letras e literatura inglesa, e o rapaz era um moço filho de um industrial do meio oeste americano. Era riquíssimo, e dela somente queria o sexo. Apesar do noivado, ele não a levava a sério. Anna, por sua vez, trabalhava num restaurante durante o dia, para custear seus estudos. Seus pais eram do sul, e as gorjetas que recebia gastava em enxovais para seu futuro casamento. Viu que aquilo não passava de falsas esperanças, seu noivo saia descaradamente com todas as mulheres do campus. Paul sentiu um desespero na alma daquela mulher, muito parecido com dele, o que o fez criar uma conexão massiva com ela. Paul contou sobre sua infância boa, seus pais eram médicos, mas ele tinha asco da profissão de salvar vidas. Queria mais que isso e cursou Economia e Finanças, conseguindo depois de formado um emprego na área de ações e investimentos. Conheceu sua esposa muito cedo, e teve logo seu primeiro filho. Sua esposa era secretária num escritório de advocacia e tinha surtos psicóticos vez por outra, fruto de uma infância perturbadora numa fazenda no interior de Illinois. Houvera sido estuprada por dois tios, empregados da fazenda e jamais conseguira superar este trauma. Após o nascimento de seu segundo filho, Paul fez votos de ficar com sua esposa fosse qual fosse os acontecimentos em sua vida. Era demais para ele, Paul queria viver, queria arrancar de si as amarras de uma vida sólida, mas entediante. Não havia como aquela mulher psicótica e de coração vil fazer dele um homem realizado. Estava acima das possibilidades dela realizá-lo e acima das dele compreendê-la.
Eram problemas pessoais comuns, mas que aproximaram os dois naquelas duas ou 3 horas de conversa. Mais uma vez um silêncio atordoante acometera o ambiente, parece que o ar havia ficado pesado. Por alguma razão, naquele momento, o silêncio dizia tudo, e Paul alcança a mão de Anna, apertando-a com a leve força que se usa para ser erguer um bebe do berço. Anna sorrira, e ruborizara, mas aceitara o carinho. Não teve como ser diferente, em poucos minutos estavam num beijo longamente louco. Era a realização de Paul, o sonho estava realizado, ou não, o que pensar? E sua esposa e a família, e nova fase de sua vida? Era aquilo mesmo, uma imensa descarga de energia constante, fruto de meses de frustração contínua, que fora despejada nos lábios daquela mulher. Era final, era um momento ímpar, o coração de Paul explodiria.
Fizeram amor loucamente naquela tarde fria, na republica onde morava Anna. Fizeram promessas um para o outro, se entregaram, mas não poderia deixar de pensar que talvez Paul estivesse super dimensionando aquele momento. Quem sabe aquela moça não estivesse somente se vingando do noivo, pelas suas traições constantes? Mulheres são vingativas. Será que ela fez amor comigo porque sentiu algo diferente por mim? Pensou Paul. Era um momento de reflexão pós coito, mas que seria revelador para ele em breve. Ela também poderia ter suas reservas, talvez ele fosse um homem daqueles casados e sem vergonhas, que traem suas esposas e tem boa conversa. Talvez ambos tivessem se arrependido. Despediram-se calorosamente e Paul queria voltar logo, planejava em sua cabeça dar um fim em seu casamento e dar a Anna todo o amor que esteve escondido em si por tanto tempo.
Continua...
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
A Horda De Zumbis Sociais
...Ou aleijados sociais, como queiram. Minha adolescência se passou num período pré internet. Ao menos meu ápice se deu neste período. Das coisas que mais me lembro, das mais especiais, posso considerar que a convivência diária com meus amigos era algo gostoso. Chegávamos da aula e íamos diretamente à praia, jogar futebol, falar de mulheres, observar as transeuntes e seus biquinis deliciosos. Nossa vida era aquilo tudo, de segunda a sábado. Nas sextas e sábados à noite nos reuníamos em um local extinto, mas agradável, onde podíamos fazer aquilo que mais gostávamos de novo, que era falar de futebol e mulheres. De vez em quando surgia a oportunidade de ir ao que chamam hoje de Balada, num também extinto estabelecimento, onde dançávamos ao som do que tocava na época. Entrávamos com identificações falsas, as fazíamos em qualquer lojinha que continha uma maquina de Xerox, e lá adulterávamos inocentemente nossas idades para dezoito anos. Nem um ano acima e nem um ano abaixo, sempre dezoito. A técnica não convem explicar aqui, mesmo porque se tem uma coisa que não quero ser é mau exemplo, mas posso dizer que funcionava. Apesar de terem se passado quinze anos, muita coisa mudou. Eram mais rígidas as regras para adolescentes entrarem nas boates (aí um termo mais nosso, da época) sendo menores de idade. Todo mundo pedia nosso RG, não era fácil. O domingo era dia das famílias, e na segunda chegávamos na escola contando, aumentando as peripécias do fim de semana, para culminar com mais um joguinho de futebol na praia, pela semana à fio. Tomávamos agua do chuveiro quando tinhamos sede, brigavamos constantemente no jogo e depois estavamos juntos novamente. As meninas não gostavam muito da gente, pelo menos do nosso grupo, mas adorávamos observá-las. Toda esta introdução serve para ilustrar exatamente o ponto principal do texto, que tenta mostrar o quanto a internet tem degenerado as relações sociais do presente, especialmente a dos adolescentes, que precisam muito da socialização neste periodo dificil, algo que ajuda e muito no desenvolvimento das suas personalidades e criam vinculos sociais eternos para eles.
É um pouco complicado entender o mundo atual. O que era branco e preto está se tornando pink com lilás laranja e amarelo, ou seja, não temos certeza de muita coisa hoje em dia, senão da famigerada morte no fim de tudo, e olhe lá. Muita coisa que era segregada, hoje se fundiu, como a cultura, música, arte etc. É um resultado óbvio do encurtamento das relações que a internet trouxe. Ponto positivo pra ela neste quesito. Nem sempre o resultado é bom, como na musica, por exemplo. Entretanto, na maioria das vezes o que ocorre é a queda de barreiras sociais, e uma melhor aceitação do que é diferente. Enfim, esbanja tolerância num mundo cada vez mais intolerante. Nos anos sessenta, setenta e oitenta (um pouco nos noventa) era fácil saber quem era quem, ou seja, se fulano era gay, chique, roqueiro, hip hop, punk, aventureiro, cafona, careta etc. Hoje está tudo meio que fundido (eu disse fundido!). É positivíssima a consequência desta saladinha cultural pois nos leva ao fim paulatino dos preconceitos de outrora, que tanto atrapalhavam as relações sociais entre pessoas de origens e países distintos. Hoje dança-se forró no Sul e música eletrônica no Norte, por exemplo.
O que não esperávamos é que a internet fosse ter seu lado perverso, ou melhor, esperávamos sim, só que o ignoramos dadas as facilidades que a mesma trouxe em nossas vidas. Quem hoje aqui estaria disposto a abrir mão de seus e-mails (antes cartas e cartas), MSN e afins, notícias just in time, informações infinitas etc.? Eu também não. Pressinto, entretanto, que deva haver um limite para o grau de atuação da internet, especialmente nas mentes mais jovens. Redes sociais são uma praga, devo admitir. Percebo muitos jovens criando um microcosmos em suas redes sociais, fingindo comportamentos e maneiras de ser, flertando com o fake, criando uma persona que quase sempre não condiz com a realidade da sua personalidade. O que é pior, preferindo quase sempre o frio contato via internet ao encontro físico com seus "amigos" de rede social. Digo "amigos" pois muitos que estão ali eles jamais encontrarão ou se socializarão. Trocarão somente experiências ridículas, em frases cada vez mais sucintas, sem conteúdo. Alguns têm mil e tantos "amigos", mas são tão solitários quanto um homem de meia idade, divorciado e acima do peso. Aliás, quantos adolescentes acima do peso, não? Óbvio que se não se fazem exercícios e ficam tanto tempo sentados, 'online', não serão nenhum exemplo de vigor atlético.
O resultado disso tudo são jovens obesos, sem auto estima, sem assunto, fechados, reclusos como ratos em subterrâneos durante o dia. Sim, até mesmo os ratos do subterrâneo saem à noite, não? A depressão, que é tão latente na adolescência, se intensifica num ambiente desses, e pode levar a coisas piores. A consequência mais futura deverá ser mesmo o aleijo social, a prostração das relações. Estes adultos do futuro terão problemas em criar conexões sociais REAIS, que dificultarão e muito suas vidas como um todo. Profissionais que não se socializam ficam pra trás. Pessoas sem amigos reais (não só amigos de balada ou de redes sociais) são mais propensas a problemas psicologicos como depressão e pânico. A família será sempre um refúgio, não é? Pois até mesmo a familia sofre com um recluso social destes e acabam por isolá-lo naturalmente.
A criação de personagens na internet como um todo, daquele cara legalzão, bonitão, que tira fotos do torax para as moças, ornado com seus piercings e tatoos é pura exposição falsa. Ele é um produto de uma salada cultural sem identificação com nada, mas seu intuito é somente mostrar, expor algo que quase nunca condiz com sua realidade. Deve ser duro pra este jovem olhar para si e perceber que nunca exerceu a realidade, ou seja, se perdeu na virtualidade e nas mentiras que inventava a si próprio. Ele tem a necessidade de mostrar cada passo que dá em seu microcosmos virtual, e quase sempre com uma dose de enfeite tremenda. Ele é fashionista, é escravo de uma moda e suas regras, é fanático por artistas comerciais, que também nada têm a contribuir senão com o caos intelectocultural. Ele é capaz de estar numa mesa com amigos e pegar seu smartphone e conectar-se a um serviço de mensagens rápidas num clique, somente porque não consegue ficar sem. Ao não socializar-se, ele não evolui, não dialoga, não desenvolve a fala e seu discurso, atrasando ainda mais seu desenvolvimento. O pior de tudo: não lê! Se não lê, jamais vai escrever bem, e se escreve internetês fatalmente vai acabar usando isso na vida real e vai sendo assim julgado. Seu futuro é ser um zumbi social, um alheio, um mero profundo conhecedor de emoticons ou retwiador de sandices, e nada mais.
Eu ainda encontro meus amigos da escola porém não mais jogamos bola com tanta assiduidade. Fazemos programas mais adultos. Alguns estão distantes, outros estão perto, mas altamente ocupados. No entanto, ao menos duas vezes no mês, nos vemos e sabe do que mais? É como estar na escola de novo. Usamos a internet para nos comunicar com aqueles que não possam estar por aqui, este sim, um uso correto da ferramenta. No fim, é só o que levamos para o resto de nossas vidas: as amizades reais, os amores eternos e nossas conexões sociais como um todo. Não faço questão de levar meu micro comigo para o além mundo, quero ir para o céu. Porém acredito que o inferno é uma grande Lan House, sem ar condicionado, com um monte de alienados, babando, olhando para telas, atrofiados, jogando Counter sei lá quê, enternamente, como zumbis.
É um pouco complicado entender o mundo atual. O que era branco e preto está se tornando pink com lilás laranja e amarelo, ou seja, não temos certeza de muita coisa hoje em dia, senão da famigerada morte no fim de tudo, e olhe lá. Muita coisa que era segregada, hoje se fundiu, como a cultura, música, arte etc. É um resultado óbvio do encurtamento das relações que a internet trouxe. Ponto positivo pra ela neste quesito. Nem sempre o resultado é bom, como na musica, por exemplo. Entretanto, na maioria das vezes o que ocorre é a queda de barreiras sociais, e uma melhor aceitação do que é diferente. Enfim, esbanja tolerância num mundo cada vez mais intolerante. Nos anos sessenta, setenta e oitenta (um pouco nos noventa) era fácil saber quem era quem, ou seja, se fulano era gay, chique, roqueiro, hip hop, punk, aventureiro, cafona, careta etc. Hoje está tudo meio que fundido (eu disse fundido!). É positivíssima a consequência desta saladinha cultural pois nos leva ao fim paulatino dos preconceitos de outrora, que tanto atrapalhavam as relações sociais entre pessoas de origens e países distintos. Hoje dança-se forró no Sul e música eletrônica no Norte, por exemplo.
O que não esperávamos é que a internet fosse ter seu lado perverso, ou melhor, esperávamos sim, só que o ignoramos dadas as facilidades que a mesma trouxe em nossas vidas. Quem hoje aqui estaria disposto a abrir mão de seus e-mails (antes cartas e cartas), MSN e afins, notícias just in time, informações infinitas etc.? Eu também não. Pressinto, entretanto, que deva haver um limite para o grau de atuação da internet, especialmente nas mentes mais jovens. Redes sociais são uma praga, devo admitir. Percebo muitos jovens criando um microcosmos em suas redes sociais, fingindo comportamentos e maneiras de ser, flertando com o fake, criando uma persona que quase sempre não condiz com a realidade da sua personalidade. O que é pior, preferindo quase sempre o frio contato via internet ao encontro físico com seus "amigos" de rede social. Digo "amigos" pois muitos que estão ali eles jamais encontrarão ou se socializarão. Trocarão somente experiências ridículas, em frases cada vez mais sucintas, sem conteúdo. Alguns têm mil e tantos "amigos", mas são tão solitários quanto um homem de meia idade, divorciado e acima do peso. Aliás, quantos adolescentes acima do peso, não? Óbvio que se não se fazem exercícios e ficam tanto tempo sentados, 'online', não serão nenhum exemplo de vigor atlético.
O resultado disso tudo são jovens obesos, sem auto estima, sem assunto, fechados, reclusos como ratos em subterrâneos durante o dia. Sim, até mesmo os ratos do subterrâneo saem à noite, não? A depressão, que é tão latente na adolescência, se intensifica num ambiente desses, e pode levar a coisas piores. A consequência mais futura deverá ser mesmo o aleijo social, a prostração das relações. Estes adultos do futuro terão problemas em criar conexões sociais REAIS, que dificultarão e muito suas vidas como um todo. Profissionais que não se socializam ficam pra trás. Pessoas sem amigos reais (não só amigos de balada ou de redes sociais) são mais propensas a problemas psicologicos como depressão e pânico. A família será sempre um refúgio, não é? Pois até mesmo a familia sofre com um recluso social destes e acabam por isolá-lo naturalmente.
A criação de personagens na internet como um todo, daquele cara legalzão, bonitão, que tira fotos do torax para as moças, ornado com seus piercings e tatoos é pura exposição falsa. Ele é um produto de uma salada cultural sem identificação com nada, mas seu intuito é somente mostrar, expor algo que quase nunca condiz com sua realidade. Deve ser duro pra este jovem olhar para si e perceber que nunca exerceu a realidade, ou seja, se perdeu na virtualidade e nas mentiras que inventava a si próprio. Ele tem a necessidade de mostrar cada passo que dá em seu microcosmos virtual, e quase sempre com uma dose de enfeite tremenda. Ele é fashionista, é escravo de uma moda e suas regras, é fanático por artistas comerciais, que também nada têm a contribuir senão com o caos intelectocultural. Ele é capaz de estar numa mesa com amigos e pegar seu smartphone e conectar-se a um serviço de mensagens rápidas num clique, somente porque não consegue ficar sem. Ao não socializar-se, ele não evolui, não dialoga, não desenvolve a fala e seu discurso, atrasando ainda mais seu desenvolvimento. O pior de tudo: não lê! Se não lê, jamais vai escrever bem, e se escreve internetês fatalmente vai acabar usando isso na vida real e vai sendo assim julgado. Seu futuro é ser um zumbi social, um alheio, um mero profundo conhecedor de emoticons ou retwiador de sandices, e nada mais.
Eu ainda encontro meus amigos da escola porém não mais jogamos bola com tanta assiduidade. Fazemos programas mais adultos. Alguns estão distantes, outros estão perto, mas altamente ocupados. No entanto, ao menos duas vezes no mês, nos vemos e sabe do que mais? É como estar na escola de novo. Usamos a internet para nos comunicar com aqueles que não possam estar por aqui, este sim, um uso correto da ferramenta. No fim, é só o que levamos para o resto de nossas vidas: as amizades reais, os amores eternos e nossas conexões sociais como um todo. Não faço questão de levar meu micro comigo para o além mundo, quero ir para o céu. Porém acredito que o inferno é uma grande Lan House, sem ar condicionado, com um monte de alienados, babando, olhando para telas, atrofiados, jogando Counter sei lá quê, enternamente, como zumbis.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
O que o eleitor do Tiririca não sabe...
É a primeira vez que posto um vídeo por aqui, mas este jornalista, Daniel Fraga, conseguiu diluir em poucas palavras algumas idéias que tenho sobre o público eleitor deste país. O vídeo é curtinho, mas revelador àqueles que não estão familiarizados com o sistema democrático e às armadilhas que o mesmo propõe. Como estamos numa nação de ignorantes e alienados, leiam, e engrossem um pouco mais a camada pensante deste país, que precisa crescer urgentemente não só nos números, mas nos indíces de educação como um todo.
PS: Adorei a citação do rodeio, Daniel Fraga está de parabéns!
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Carta Aberta Ao Brasil Da Copa e Das Olimpiadas.
O Brasil finalmente se tornou uma constante nos circuitos desportivos mundiais. Nossa dita prosperidade economica nos deu a possibilidade de aparecermos na midia mundial, sediando dois eventos importantíssimos no calendário das grandes competições:A Copa Do Mundo e as Olimpiadas. Lindo, maravilhoso, fora de serie; estou estupefato com estas duas inclusões e, não posso negar, sinto um certo regozijo de ser brasileiro, até certo ponto. Longe de querer ser o antinacionalista, o inimigo da pátria. Quero muito ver as coisas darem certo neste país e nada melhor que competições de alto nível para engendrar investimentos diversos na melhoria do país como um todo.
Baboseiras a parte, vamos ao que interessa. Sou desconfiado por natureza, não acredito em grandes canais de comunicação, aliás no grande canal de comunicação brasileiro, voz ativa de uma imprensa sem qualquer credibilidade, que não tem compromisso algum com a realidade dos fatos. Não vejo a imprensa brasileira esmiuçando os gastos realizados na organizações dos Jogos Panamericanos de 2007, no Rio de Janeiro. Aparentemente o Tribunal de Contas da União está investigando supostos casos de superfaturamento de obras e pagamentos de propinas para ganhos de licitações fraudulentas. De fato, podemos entender que o Pan do RJ foi um sucesso de organização, mas poucos sabem a que custo isto ocorreu. Não houve transparencia por parte dos organizadores e dirigentes quanto aos gastos reais para um evento deste porte e nós, os contribuintes, apenas batemos palmas, sem saber o real beneficio que tivemos ao "bancarmos" esta competição neste país. Eu tenho certeza de que, se o TCU está investigando é porque realmente há podridão por baixo disso tudo. Uma pena mesmo, eu reitero, a imprensa não nos expor a realidade e somente fazer 'oba oba' em cima do fato.
Me preocupa, portanto, saber que estas duas competições irão ocorrer num período de dois anos entre uma e outra (Copa em 2014 e Olimpiadas em 2016). É no mínimo temeroso para os contribuintes bancar a construção de novos estádios, centros desportivos, e toda a indumentaria necessaria para a relização de eventos grandes como estes, sem que haja a devida fiscalização e transparencia. O país tem traços de pobreza grotesca, favelas em todas as capitais, indices sociais pifeos, sistema viario parco, sistemas de transportes dignos de riso. É prioridade para o Brasil a consecução de todas estas melhorias antes mesmo de pensarmos em sediarmos competições em nivel mundial. A situação da saúde publica é desesperadora, assim como a infraestrutura dos aeroportos, estradas, telecomunicações, ou seja, este país é um caos. Com uma das cargas tributárias mais pesadas do mundo, não vejo como o cidadão pagar mais do que já paga em impostos absurdos e dos quais não sabemos a destinação. Pagamos no escuro.
A corrupção flagrante de confederações, políticos e dirigentes nos faz pensar em quem está ganhando com estes eventos. A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) é reconhecidamente corrupta e chegada em acordos obscuros. É uma entidade cravejada de sanguesugas, pessoas que se locupletam do ótimo futebol brasileiro em beneficio proprio. Como confiar neste orgão corrupto para coordenar e fiscalizar as obras de estadios de futebol neste país? Os prefeitos e governadores são outros que, apesar da sucessão do cargo (até lá já teremos outros), aguardam a verba federal em beneficio da construção do estrutural para os eventos com grande boa vontade. Como não desconfiar destes politicos com verbas federais ilimitadas nas mãos? Quanto disso será repassado a empreiteiras que superfaturarão material, mão de obra e no fim nos deixarão com estádios de má qualidade? Os clubes brasileiros detentores dos estádios ou as prefeituras que os administrarão terão condições reais financeiras para manter estes elefantes brancos? E a transparencia? onde serão publicados os gastos das obras, à medida que são executadas?
Não tem como confiar. Como contribuinte e cidadão consciente do país em que vivo, sou obrigado a convocar os brasileiros para pressionar, protestar, seja qual for a ação, de modo a evitar que nossos suados tributos caiam nas mão de ladrões, criminosos de colarinho branco, que esperam ansiosamente estes eventos, com mãos e bolsos abertos, prontos para lucrarem horrores com isso. Não concordo e não posso concordar jamais que, em um país com tantas debilidades, tanta pobreza, tanta falta de tudo, se realize duas competições carissimas e muito acima das nossas possibilidades. A FIFA exige cada vez mais que o Brasil gaste e gaste com infraestrutura. Suas exigencias são altas porque há interesses maiores por trás. Interesses de gente que quer ganhar com as obras, e precisa das mesmas realizadas o quanto antes. Na minha opinião, o setor privado deve explorar as competições esportivas. Como patrocinadores, os mesmos devem custear o esporte. Não é justo que os governos, especialmente o nosso, custeie coisas que não trazem beneficio algum a população como um todo.
A minha critica é para a imprensa também. Parece-me que tem muito a ganhar com as competições, tanto que esqueceram de investigar. As obras já começaram em alguns estados, por que não exigir relatórios e planilhas das obras? A imprensa é a voz do povo, mas se o povo não cobra, ela não corre atrás. Vamos esperar, pelo jeito, ambas competições acabarem para, enfim, abrirmos uma CPI sem sentido, e inocentarmos gente que já deveria estar longe do esporte, longe da politica. O Pan-2007 já deixou seu legado: Contas absurdas, obras faraonicas abandonadas, especulação imobiliária etc. O que mais vamos esperar? Do jeito que está vamos somente aplaudir, cada vez mais pobres, à glutonice e sem vergonhice dos politicos e dirigentes do esporte brasileiro. Não se esqueçam: Pagamos alguns dos maiores tributos do mundo e não recebemos nada, NADA de volta. Se quisermos um bom ensino, pagamos escolas particulares. Se quisermos boa saúde, pagamos convenios. Se quisermos boas estradas, pagamos pedágio. Se quisermos um bom carro, pagamos o dobro que qualquer país do mundo. O brasileiro é milionário e não sabe. Não quero prever o pior, mas o pior está por acontecer.
Em Tempo: O Corinthians acaba de anunciar um novo estádio a ser construído com todo o apoio do Exmo Presidente do Brasil, Sr Luiz Lula Da Silva e seu também Exmo Ministro dos Esportes, Orlando Silva, numa joint venture jamais vista na história deste país (como gosta de dizer nosso analfa lider). Uma união entre clube, governo federal, municipal e estadual e orgãos privados como a CBF e uma empresa como a Odebrecht (outro poço de corrupção). É uma vergonha! Mais um capítulo para meu romance: Eu Tenho Vergonha De Ser Brasileiro! Neste caso, a corrupção caminhou de cima (Lula) pra baixo (A. Sanchez, presidente do Corinthians). Parabéns Brasil e parabéns brasileiros, seus suados impostos serão muito bem investidos na eterna causa pesudopopular corintiana.
Baboseiras a parte, vamos ao que interessa. Sou desconfiado por natureza, não acredito em grandes canais de comunicação, aliás no grande canal de comunicação brasileiro, voz ativa de uma imprensa sem qualquer credibilidade, que não tem compromisso algum com a realidade dos fatos. Não vejo a imprensa brasileira esmiuçando os gastos realizados na organizações dos Jogos Panamericanos de 2007, no Rio de Janeiro. Aparentemente o Tribunal de Contas da União está investigando supostos casos de superfaturamento de obras e pagamentos de propinas para ganhos de licitações fraudulentas. De fato, podemos entender que o Pan do RJ foi um sucesso de organização, mas poucos sabem a que custo isto ocorreu. Não houve transparencia por parte dos organizadores e dirigentes quanto aos gastos reais para um evento deste porte e nós, os contribuintes, apenas batemos palmas, sem saber o real beneficio que tivemos ao "bancarmos" esta competição neste país. Eu tenho certeza de que, se o TCU está investigando é porque realmente há podridão por baixo disso tudo. Uma pena mesmo, eu reitero, a imprensa não nos expor a realidade e somente fazer 'oba oba' em cima do fato.
Me preocupa, portanto, saber que estas duas competições irão ocorrer num período de dois anos entre uma e outra (Copa em 2014 e Olimpiadas em 2016). É no mínimo temeroso para os contribuintes bancar a construção de novos estádios, centros desportivos, e toda a indumentaria necessaria para a relização de eventos grandes como estes, sem que haja a devida fiscalização e transparencia. O país tem traços de pobreza grotesca, favelas em todas as capitais, indices sociais pifeos, sistema viario parco, sistemas de transportes dignos de riso. É prioridade para o Brasil a consecução de todas estas melhorias antes mesmo de pensarmos em sediarmos competições em nivel mundial. A situação da saúde publica é desesperadora, assim como a infraestrutura dos aeroportos, estradas, telecomunicações, ou seja, este país é um caos. Com uma das cargas tributárias mais pesadas do mundo, não vejo como o cidadão pagar mais do que já paga em impostos absurdos e dos quais não sabemos a destinação. Pagamos no escuro.
A corrupção flagrante de confederações, políticos e dirigentes nos faz pensar em quem está ganhando com estes eventos. A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) é reconhecidamente corrupta e chegada em acordos obscuros. É uma entidade cravejada de sanguesugas, pessoas que se locupletam do ótimo futebol brasileiro em beneficio proprio. Como confiar neste orgão corrupto para coordenar e fiscalizar as obras de estadios de futebol neste país? Os prefeitos e governadores são outros que, apesar da sucessão do cargo (até lá já teremos outros), aguardam a verba federal em beneficio da construção do estrutural para os eventos com grande boa vontade. Como não desconfiar destes politicos com verbas federais ilimitadas nas mãos? Quanto disso será repassado a empreiteiras que superfaturarão material, mão de obra e no fim nos deixarão com estádios de má qualidade? Os clubes brasileiros detentores dos estádios ou as prefeituras que os administrarão terão condições reais financeiras para manter estes elefantes brancos? E a transparencia? onde serão publicados os gastos das obras, à medida que são executadas?
Não tem como confiar. Como contribuinte e cidadão consciente do país em que vivo, sou obrigado a convocar os brasileiros para pressionar, protestar, seja qual for a ação, de modo a evitar que nossos suados tributos caiam nas mão de ladrões, criminosos de colarinho branco, que esperam ansiosamente estes eventos, com mãos e bolsos abertos, prontos para lucrarem horrores com isso. Não concordo e não posso concordar jamais que, em um país com tantas debilidades, tanta pobreza, tanta falta de tudo, se realize duas competições carissimas e muito acima das nossas possibilidades. A FIFA exige cada vez mais que o Brasil gaste e gaste com infraestrutura. Suas exigencias são altas porque há interesses maiores por trás. Interesses de gente que quer ganhar com as obras, e precisa das mesmas realizadas o quanto antes. Na minha opinião, o setor privado deve explorar as competições esportivas. Como patrocinadores, os mesmos devem custear o esporte. Não é justo que os governos, especialmente o nosso, custeie coisas que não trazem beneficio algum a população como um todo.
A minha critica é para a imprensa também. Parece-me que tem muito a ganhar com as competições, tanto que esqueceram de investigar. As obras já começaram em alguns estados, por que não exigir relatórios e planilhas das obras? A imprensa é a voz do povo, mas se o povo não cobra, ela não corre atrás. Vamos esperar, pelo jeito, ambas competições acabarem para, enfim, abrirmos uma CPI sem sentido, e inocentarmos gente que já deveria estar longe do esporte, longe da politica. O Pan-2007 já deixou seu legado: Contas absurdas, obras faraonicas abandonadas, especulação imobiliária etc. O que mais vamos esperar? Do jeito que está vamos somente aplaudir, cada vez mais pobres, à glutonice e sem vergonhice dos politicos e dirigentes do esporte brasileiro. Não se esqueçam: Pagamos alguns dos maiores tributos do mundo e não recebemos nada, NADA de volta. Se quisermos um bom ensino, pagamos escolas particulares. Se quisermos boa saúde, pagamos convenios. Se quisermos boas estradas, pagamos pedágio. Se quisermos um bom carro, pagamos o dobro que qualquer país do mundo. O brasileiro é milionário e não sabe. Não quero prever o pior, mas o pior está por acontecer.
Em Tempo: O Corinthians acaba de anunciar um novo estádio a ser construído com todo o apoio do Exmo Presidente do Brasil, Sr Luiz Lula Da Silva e seu também Exmo Ministro dos Esportes, Orlando Silva, numa joint venture jamais vista na história deste país (como gosta de dizer nosso analfa lider). Uma união entre clube, governo federal, municipal e estadual e orgãos privados como a CBF e uma empresa como a Odebrecht (outro poço de corrupção). É uma vergonha! Mais um capítulo para meu romance: Eu Tenho Vergonha De Ser Brasileiro! Neste caso, a corrupção caminhou de cima (Lula) pra baixo (A. Sanchez, presidente do Corinthians). Parabéns Brasil e parabéns brasileiros, seus suados impostos serão muito bem investidos na eterna causa pesudopopular corintiana.
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
O Casamento É O Fim?
Não vou falar sobre isso por clichês, não faz meu estilo. Eu odeio compartilhar minhas opiniões com outros, prefiro até que seja contrária à maioria. Tenho a minha propria, que seja assim. Ademais, este assunto é demasiado controvertido para haver concordancia entre todos. Há diversas teorias sobre o assunto, e as estatísticas dizem que o mesmo está em processo de falencia, moral e social: O casamento.
Já fui namorado, já estive casado. Por uma década inteira dividi minhas opiniões, idéias, fluídos, alimentos, casa, carro, televisão etc. com a mesma pessoa. Eu não quero aqui fazer apologia pela abolição do casamento na sociedade, vou acabar sendo ainda mais odiado que já sou. É fato que quando amamos, nada mais importa, nos tornamos cegos a algumas consequencias do amor e partimos para a consecução de nossos planos mais urgentes, de modo a homologar nossos sentimentos. Ora, se uma relação funciona bem para dois namorados que estão sempre juntos, por que não estreitar mais ainda os laços? Certas coisas são esquecidas, pois ao terminarem suas "atividades" de namorados, onde sempre fazem coisas agradáveis juntos, ambos voltam para seus lares. Por muitas razões muitos esquecem que ao casar não há para onde fugir, ou seja, se brigaram, não adianta cada um ir para seu lado, emburrados. Vocês estão no mesmo teto. O espaço individual não existe, e por consequencia não há privacidade. Mulheres tendem a ser mais invasivas que os homens, e estes sofrem mais com este processo nocivo do casamento. O casamento mata a privacidade.
Mas isso não é tudo. A vida social, como fica? Não há. Ao menos aquela vida social fora do casamento, com amigos de antes da relação. É fato que você os perde paulatinamente até que você desaparece de vez. É mais ou menos assim: - Poxa, faz tempo que não falo com o Paulo, o que houve com ele, nunca mais apareceu pra gente ver um jogo na TV? Logo alguém retruca: - Ele casou, esqueceu? Os primeiros anos do casamento, ou do relacionamento estável, seja lá o que for, são de desligamento de suas antigas amizades para um novo estágio, as amizades do casal. Estas amizades perdem sua pureza e essencia, visto que, além de recentes, são muitas vezes baseadas no interesse entre as partes. Não é aquela coisa de camaradagem, profunda. Tem mais viés de escala social, de competição patrimonial, coisa chata pra caramba. Depois de alguns anos de casados, muitos casais entendem que não deveriam ter se afastado tanto de seus verdadeiros amigos e decidem voltar atrás, ocasionando mais brigas e conflitos à relação. O casamento mata a sua vida social, te isola.
Quando vocês namoravam tinham uma vida sexual daquelas. Estou afirmando isso pois é verdade, quem nunca ficou sem ver a namoradinha por uns quatro dias e voltou louco para fazer dela uma "amazonia moderna"? (pra entender essa precisam ter uma mente poluída nível 5, manja?) Pois é, o fato de não ver seu parceiro ajudou a aumentar sua libido, que no fim ajudou a estreitar ainda mais sua relação com este. Ao estar com ele sob o mesmo teto, é obvio que isto será cada vez mais raro. Pelo contrário, você vai querer fugir dali pra ter este elan sexual de novo. É uma contradição louca, aquilo que te faz se aproximar de seu parceiro é aquilo que, mais pra frente, te fará se afastar. Seria comico se não fosse tragico. O casamento mata o tesão.
A consequencia do paragrafo acima é o tedio sexual. E não me venham estes sexologos de merda com absurdos do tipo: "apimentem sua relação com brinquedinhos sexuais, roupinhas, role playing, perucas etc." isto é tudo balela. Por baixo daquilo tudo continua a mesma pessoa, com seus mesmos defeitos e hábitos irritantes. O que me lembra uma coisa: Se durante o namoro aquela pessoa tem algum traço que te irrita, isso dobrará no casamento. Mulheres, especialmente (perdoem-me por criticar tanto vocês), tendem a piorar após o casamento. Aquela namorada legal que você tinha vira uma mulher cheia de cobranças, reclamando de tudo e todos na sua vida. Se faz necessário compreender quem é seu parceiro antes de casar, saber seus defeitos, mesmo aqueles que ele tenta ocultar, pois pode ser uma armadilha no futuro. O casamento transforma as pessoas.
Num dado momento da relação estável, seus olhos se voltam para outros possíveis parceiros. Este é o estágio que a mulher mais gosta, pois é aí que elas buscam a razão de serem quem são. Os homens, neste estágio, começam a reparar em outras mulheres, visto que o casamento se torna uma falácia na vida deles. É aí que surge a infidelidade, e mesmo que a mulher não descubra (elas sempre descobrem), a culpa sempre recairá sobre os homens pelo casamento falido. É um baita jogo de empurra, mas que elas sempre vencem, pois homens não conseguem jogar o jogo da relação estável. Em tempo, hoje em dia, devo reconhecer, não é mais privilégio dos homens o adultério. A coisa meio que se equilibrou. O casamento gera traição.
Os filhos chegam e tudo parece bonito e claro, belo e sublime, como diria Dostoiévski. O casal se torna algo como passarinhos fazendo seu ninho, com aquela situação meio Disney Story, com coisas rosinhas ou azuis. De fato, a coisa fica bonita de se ver. No início é um fator de união do casal, é um projeto em conjunto. Tudo isso dura mais ou menos o período em que a criança ainda é incapaz de tudo. A distribuição de responsabilidades, coisa importante nas relações do século XXI, ainda é um mistério pra muitos homens e o peso da criação e educação dos filhos acaba recaindo muito na mulher. Neste período os conflitos são latentes, e muitos divóricos surgem nos primeiros sete anos da criança. O casamento gera filhos, e filhos geram brigas.
A coisa funciona mais ou menos assim: Não funciona. Não há nada que se possa fazer. Pessoas vão se conhecer, vão namorar e vão casar. Faz parte da cultura mundial cultuar o casamento como algo mister em nossas vidas. Entende-se como fracassado aquele que evita este comprometimento, ainda mais numa sociedade católica como a nossa. Aqui o casamento é visto como a redenção do homem, excessivamente boemio, putanheiro e notívago (entendam como quiser). Para a mulher é um premio pela mesma ter sido virtuosa e casta durante sua vida. Ou seja, ambos se juntam para agradar aos olhos de outros e não aos seus próprios. O relacionamento vai esfriar, isso é obrigatório, é um resultado do tempo e do excesso de conflitos normais ao casamento. Cabe ao casal ter, entre si, um grau de tolerancia imenso dos defeitos de um e de outro. Somos criaturinhas muito defeituosas, e quando duas se juntam a intolerancia impera.
Em minha humilde opinião, a melhor forma de se manter o casamento é ser cego às falhas do parceiro, esquece-las, sumprimi-las. Casais que não se suportam duram menos. Se você for homem, tente a qualquer custo arranjar uma mulher que te complete sexualmente, pois se no namoro existir alguma discrepancia sexual, nem se junte. Quanto à mulher, tanto faz, para ela sexo é secundario mesmo. Exijam privacidade, sempre. Se for pra morar num quarto e sala, exijam ter um espaço para si proprio. Há horas em que você quer ficar só, e isso deve ser respeitado. Não ignorem ou esqueçam os amigos do passado, mesmo que sejam solteiros. O casamento é uma biosfera onde muitos precisam suprimir alguns comportamentos como meio de evitar brigas. Seus antigos amigos te entendem, e para eles você pode dizer tudo. É a melhor válvula de escape para um casamento, e se faz importante bater o pé neste quesito: Manter os amigos! Claro que dividir bem o tempo com eles e seu parceiro é mais importante ainda. Não percam a forma física. Muitas pessoas que casam se tornam desleixadas fisicamente e menos atraente. Não pense que só porque aquela pessoa fez um pacto de amor com você, que ela não deixará de ter tesão por sua figura caso fique rotundo e fétido. Cuide-se! Se for ter filhos, os tenha tarde na vida. Deixe para aquele momento onde a relação vai naturalmente esfriar, e eles virão como um combustível para manter o casal ainda mais junto. Quando os temos cedo demais, estamos ainda imaturos e despreparados. Queremos, por vezes, curtir nosso parceiro ainda. Quando eles chegam, ao menos a mulher, se torna altamente inacessível, exigindo muita paciencia do homem. Por fim, antes de casar, namore muito, beije muito, transe muito, conheça uma miriade de pessoas antes de se decidir por uma. O mundo está cheio de gente por aí que merece ser apreciada rapidamente, numa noite somente. Mas também há pessoas que podem ser aquelas tais, aquelas que serão dignas de um relacionamento longo. Se faz necessário esperar, não case por impulso. Por fim, delineiem o que é bem do casal e o que é bem proprio. Isso pode dar problemas num provavel divorcio. Já este é um outro assunto...
Já fui namorado, já estive casado. Por uma década inteira dividi minhas opiniões, idéias, fluídos, alimentos, casa, carro, televisão etc. com a mesma pessoa. Eu não quero aqui fazer apologia pela abolição do casamento na sociedade, vou acabar sendo ainda mais odiado que já sou. É fato que quando amamos, nada mais importa, nos tornamos cegos a algumas consequencias do amor e partimos para a consecução de nossos planos mais urgentes, de modo a homologar nossos sentimentos. Ora, se uma relação funciona bem para dois namorados que estão sempre juntos, por que não estreitar mais ainda os laços? Certas coisas são esquecidas, pois ao terminarem suas "atividades" de namorados, onde sempre fazem coisas agradáveis juntos, ambos voltam para seus lares. Por muitas razões muitos esquecem que ao casar não há para onde fugir, ou seja, se brigaram, não adianta cada um ir para seu lado, emburrados. Vocês estão no mesmo teto. O espaço individual não existe, e por consequencia não há privacidade. Mulheres tendem a ser mais invasivas que os homens, e estes sofrem mais com este processo nocivo do casamento. O casamento mata a privacidade.
Mas isso não é tudo. A vida social, como fica? Não há. Ao menos aquela vida social fora do casamento, com amigos de antes da relação. É fato que você os perde paulatinamente até que você desaparece de vez. É mais ou menos assim: - Poxa, faz tempo que não falo com o Paulo, o que houve com ele, nunca mais apareceu pra gente ver um jogo na TV? Logo alguém retruca: - Ele casou, esqueceu? Os primeiros anos do casamento, ou do relacionamento estável, seja lá o que for, são de desligamento de suas antigas amizades para um novo estágio, as amizades do casal. Estas amizades perdem sua pureza e essencia, visto que, além de recentes, são muitas vezes baseadas no interesse entre as partes. Não é aquela coisa de camaradagem, profunda. Tem mais viés de escala social, de competição patrimonial, coisa chata pra caramba. Depois de alguns anos de casados, muitos casais entendem que não deveriam ter se afastado tanto de seus verdadeiros amigos e decidem voltar atrás, ocasionando mais brigas e conflitos à relação. O casamento mata a sua vida social, te isola.
Quando vocês namoravam tinham uma vida sexual daquelas. Estou afirmando isso pois é verdade, quem nunca ficou sem ver a namoradinha por uns quatro dias e voltou louco para fazer dela uma "amazonia moderna"? (pra entender essa precisam ter uma mente poluída nível 5, manja?) Pois é, o fato de não ver seu parceiro ajudou a aumentar sua libido, que no fim ajudou a estreitar ainda mais sua relação com este. Ao estar com ele sob o mesmo teto, é obvio que isto será cada vez mais raro. Pelo contrário, você vai querer fugir dali pra ter este elan sexual de novo. É uma contradição louca, aquilo que te faz se aproximar de seu parceiro é aquilo que, mais pra frente, te fará se afastar. Seria comico se não fosse tragico. O casamento mata o tesão.
A consequencia do paragrafo acima é o tedio sexual. E não me venham estes sexologos de merda com absurdos do tipo: "apimentem sua relação com brinquedinhos sexuais, roupinhas, role playing, perucas etc." isto é tudo balela. Por baixo daquilo tudo continua a mesma pessoa, com seus mesmos defeitos e hábitos irritantes. O que me lembra uma coisa: Se durante o namoro aquela pessoa tem algum traço que te irrita, isso dobrará no casamento. Mulheres, especialmente (perdoem-me por criticar tanto vocês), tendem a piorar após o casamento. Aquela namorada legal que você tinha vira uma mulher cheia de cobranças, reclamando de tudo e todos na sua vida. Se faz necessário compreender quem é seu parceiro antes de casar, saber seus defeitos, mesmo aqueles que ele tenta ocultar, pois pode ser uma armadilha no futuro. O casamento transforma as pessoas.
Num dado momento da relação estável, seus olhos se voltam para outros possíveis parceiros. Este é o estágio que a mulher mais gosta, pois é aí que elas buscam a razão de serem quem são. Os homens, neste estágio, começam a reparar em outras mulheres, visto que o casamento se torna uma falácia na vida deles. É aí que surge a infidelidade, e mesmo que a mulher não descubra (elas sempre descobrem), a culpa sempre recairá sobre os homens pelo casamento falido. É um baita jogo de empurra, mas que elas sempre vencem, pois homens não conseguem jogar o jogo da relação estável. Em tempo, hoje em dia, devo reconhecer, não é mais privilégio dos homens o adultério. A coisa meio que se equilibrou. O casamento gera traição.
Os filhos chegam e tudo parece bonito e claro, belo e sublime, como diria Dostoiévski. O casal se torna algo como passarinhos fazendo seu ninho, com aquela situação meio Disney Story, com coisas rosinhas ou azuis. De fato, a coisa fica bonita de se ver. No início é um fator de união do casal, é um projeto em conjunto. Tudo isso dura mais ou menos o período em que a criança ainda é incapaz de tudo. A distribuição de responsabilidades, coisa importante nas relações do século XXI, ainda é um mistério pra muitos homens e o peso da criação e educação dos filhos acaba recaindo muito na mulher. Neste período os conflitos são latentes, e muitos divóricos surgem nos primeiros sete anos da criança. O casamento gera filhos, e filhos geram brigas.
A coisa funciona mais ou menos assim: Não funciona. Não há nada que se possa fazer. Pessoas vão se conhecer, vão namorar e vão casar. Faz parte da cultura mundial cultuar o casamento como algo mister em nossas vidas. Entende-se como fracassado aquele que evita este comprometimento, ainda mais numa sociedade católica como a nossa. Aqui o casamento é visto como a redenção do homem, excessivamente boemio, putanheiro e notívago (entendam como quiser). Para a mulher é um premio pela mesma ter sido virtuosa e casta durante sua vida. Ou seja, ambos se juntam para agradar aos olhos de outros e não aos seus próprios. O relacionamento vai esfriar, isso é obrigatório, é um resultado do tempo e do excesso de conflitos normais ao casamento. Cabe ao casal ter, entre si, um grau de tolerancia imenso dos defeitos de um e de outro. Somos criaturinhas muito defeituosas, e quando duas se juntam a intolerancia impera.
Em minha humilde opinião, a melhor forma de se manter o casamento é ser cego às falhas do parceiro, esquece-las, sumprimi-las. Casais que não se suportam duram menos. Se você for homem, tente a qualquer custo arranjar uma mulher que te complete sexualmente, pois se no namoro existir alguma discrepancia sexual, nem se junte. Quanto à mulher, tanto faz, para ela sexo é secundario mesmo. Exijam privacidade, sempre. Se for pra morar num quarto e sala, exijam ter um espaço para si proprio. Há horas em que você quer ficar só, e isso deve ser respeitado. Não ignorem ou esqueçam os amigos do passado, mesmo que sejam solteiros. O casamento é uma biosfera onde muitos precisam suprimir alguns comportamentos como meio de evitar brigas. Seus antigos amigos te entendem, e para eles você pode dizer tudo. É a melhor válvula de escape para um casamento, e se faz importante bater o pé neste quesito: Manter os amigos! Claro que dividir bem o tempo com eles e seu parceiro é mais importante ainda. Não percam a forma física. Muitas pessoas que casam se tornam desleixadas fisicamente e menos atraente. Não pense que só porque aquela pessoa fez um pacto de amor com você, que ela não deixará de ter tesão por sua figura caso fique rotundo e fétido. Cuide-se! Se for ter filhos, os tenha tarde na vida. Deixe para aquele momento onde a relação vai naturalmente esfriar, e eles virão como um combustível para manter o casal ainda mais junto. Quando os temos cedo demais, estamos ainda imaturos e despreparados. Queremos, por vezes, curtir nosso parceiro ainda. Quando eles chegam, ao menos a mulher, se torna altamente inacessível, exigindo muita paciencia do homem. Por fim, antes de casar, namore muito, beije muito, transe muito, conheça uma miriade de pessoas antes de se decidir por uma. O mundo está cheio de gente por aí que merece ser apreciada rapidamente, numa noite somente. Mas também há pessoas que podem ser aquelas tais, aquelas que serão dignas de um relacionamento longo. Se faz necessário esperar, não case por impulso. Por fim, delineiem o que é bem do casal e o que é bem proprio. Isso pode dar problemas num provavel divorcio. Já este é um outro assunto...
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Uma Visão Positiva Do Futuro.
Havia um tempo em que éramos tribais. Sim, há milhares de anos atrás nossa forma maior de sociedade eram as tribos. Não havia países, fronteiras, mapas ou mesmo governos. Seus integrantes sabiam o que era certo e errado e criavam suas leis a partir da experiência dos mais velhos. Daí era só transmitir aos mais jovens. Tudo que era produzido pela comunidade, era consumido pela comunidade e os excedentes eram trocados com outras tribos. Guerras eram raras, mas como algo inerente ao ser humano, faziam parte também destas sociedades tribais. Não havia uma forma de governo centralizada e isso é mister para o desenvolvimento do que quero escrever. Precisamos mesmo de um governo?
Fato é que evoluímos dos períodos tribais. A própria inquietude humana, que impõe na descoberta uma de suas maiores virtudes faz com que a vida em pequenas tribos seja pífea demais para um ser tão complexo. A descoberta dos metais, e manufaturas a partir disso nos deu a capacidade de expandirmos nossas fronteiras, conquistando outros povos, aglutinando alguns e dizimando outros. A navegação trouxe a obtenção de riquezas por meio da troca intensa de mercadorias e serviços com terras antes jamais acessíveis. A prosperidade destas atividades geraram ainda mais poder as nações que detinham tais tecnologias, e com o implemento da pólvora, os conflitos foram ficando mais violentos, alçando a ambição dos líderes nacionais a voos antes jamais alcançados. Neste período, temos a propagação dos impérios.
A figura central de um Imperador ou Rei, apesar das democracias romana e grega, era a maior expressão de um povo. A evolução de tribos para imperios é o simbolo do que o desenvolvimento tecnologico e social trouxeram. À medida que as atividades se tornaram mais complexas, precisaríamos tornar a forma de governo também mais complexa, com leis, tributos, fronteiras, exércitos e tudo mais aquilo que tirasse a preocupação latente no cidadão que seu habitat seria de alguma forma usurpado, dadas as riquezas que suas nações acumulavam. Neste momento vemos os estados nações prosperarem, e com o conhecimento sendo disseminado por meio dos livros - outrora era por meio de gravuras - precisaríamos de maior divulgação disso. A imprensa surge como a resposta para a massificação do conhecimento para aqueles que não o tinham.
A religião está no meio disso tudo. Fosse ela politeísta ou não, era fato que a mesma exercia papel fundamental na consecução das leis, costumes e na própria sociedade como um todo. O Estado da antiguidade é regido por figuras eleitas por Deus ou pelos Deuses. Seria um grande paradoxo disseminar grande conhecimento a populares, levando em conta que os mandos e desmandos das religiões, além dos seus extremismos causam numa pessoa letrada grande desconfiança. Logo, a idade média fora marcada pela manutenção da ignorância forçada à sociedade como um todo, de forma a manter o povo fiel e sob o comando da figura central eleita pela religião. As leis extremas tinham a pena de morte para aqueles que não as cumpriam, mesmo por razões absurdas. O Estado tinha o poder sobre a vida e a morte do cidadão. Os tributos incorriam sobre tudo e todos, centralizando a riqueza para os cofres públicos, repassando muito pouco ao cidadão comum, enriquecendo as monarquias e impérios daquele tempo. Ao manter a população pobre, o poder dos aristocratas, encoroados e afins era perpetuado por centenas de anos, numa sucessão sem fim.
Dando um salto na história, temos o último grande império, a nação estadounidense que por meio da democracia, igualdade, fraternidade - princípios da revolução francesa - com importância maior à liberdade, que impõe sua forma de governo às demais nações, muitas vezes por meio do conflito armado. As guerras do início e metade do século XX deram aos EUA o poder de mostrar ao mundo que sua forma de governo era a mais correta e justa. A figura de um estado nação não diferia tanto das anteriores na história, com a diferença básica que o Estado se tornava laico, e os líderes não eram mais eleitos por Deus e sim pelo povo. Os tributos e leis (por vezes com penas capitais) eram mantidos como meio de controlar os impulsos populares e revolucionários, que assolaram o mundo no vigésimo século. O comunismo, como forma de governo e vida em sociedade, em teoria, perfeita, era uma ameaça a um país tão centrado na livre iniciativa, no comercio forte e na liberdade irrestrita (todos termos contraditórios, mas latentes). O Estado americano moderno foi, antes de tudo, um Estado de guerra. Os conflitos bélicos, as invasões, as brigas político-comerciais etc., não retratavam uma nação evoluída. Era somente uma diferente forma centralizada de governo em busca de mais poder perante outras nações. Nem mesmo o comunismo trouxe qualquer inovação senão atraso economico e social. Por outro lado, a escola e a universidade trouxeram ao povo o conhecimento que lhes foram negados na idade média. O trabalho escravo fora abolido, e o trabalho remunerado trouxe benefícios ao pobre moderno. A mobilidade social era algo plausível, mas muito pouco aplicável. Era sim, possível, um homem pobre ficar rico e gerar riquezas para outros, contanto que raramente. Fora todo um processo de evolução. Voltemos então à pergunta inicial do texto e implementemos: No futuro, precisaremos mesmo de um governo? O que o cenário politicosocial nos reserva para o futuro?
Odeio previsões feitas sem base, as contradições são muitas. Contudo, baseado na história e na observação pura e simples de como a humanidade tem caminhado, posso dizer com grande certeza que não precisaremos mais de governos no futuro. O raciocínio é simples, ou seja, se estamos tendo mais acesso ao conhecimento e caminhamos cada vez mais para a igualdade por que iríamos ter conflitos? Para que teríamos fronteiras? Logo aqui matamos as figuras de exércitos e forças armadas como um todo. Se os mercados são livres, por que precisamos de diferentes moedas? Se todos cuidam do bem estar de todos, para que precisamos de tributos? É um paradoxo termos todos que pagarmos impostos para benefícios que não vemos na prática dar retorno algum. Aliás,qual serviço público, na prática, funciona bem? É fato que quando algo vai mal na administração pública, é privatizado. No fim, o setor privado cuida de tudo: Infraestrutura, comunicações, transportes, informação, produção, saúde, educação etc. Ora, para que preciso do governo? Ah sim, a segurança pública, a policia. O rigor e a aplicação das leis podem ser feitas pelo próprio cidadão. Muito embora sejamos corruptos, não teríamos mais necessidade de se-los caso fossemos iguais, economicamente e socialmente. Polícia? Quem precisa de polícia? Segurança privatizada também é uma opção. Funciona no sistema bancário, funciona nas empresas, logo por que não funcionaria para o cidadão? Por fim, percebe-se que, cada vez mais, a figura de um governo executivo cai por terra, à medida que o conjunto de serviços oferecidos pelo mesmo, quase todos débeis e pouco funcionais, serão oferecidos pelo setor privado a preços mais baixos forçados pela livre concorrencia. Prefiro saber aquilo que estou pagando do que pagar tributos que não sei para onde vão.
Isso dará, em pouco tempo, margem para cada vez menos corrupção. Os governos são criadouros de corruptos, gente que emperra a máquina pública e fere os interesses da povo. O legislativo está repleto deles. O judiciário ainda pode ser mantido. Se faz necessário punir seres humanos que não se encaixem no quadro social e causem o mal ao seu semelhante. Muitas leis são frutos do bom senso: Não jogar lixo na rua, não dirigir erradamente, não matar, não agredir etc., tudo isto não deveria estar escrito. É fruto da evolução saber disto tudo sem precisar que o Estado te imponha o bom costume. Quando evoluirmos veremos que nosso semelhante é tão importante quanto nós mesmos, por isso quereremos seu bem estar. Nos dias de hoje a informação já é livre, o conhecimento é livre, porque não derrubarmos as fronteiras e os conceitos de nação no futuro? Não parece que isto vai acontecer? É inexorável. Um dia, poderá ser daqui a mil, cem mil anos, veremos que não mais precisaremos de governos, Estados, controles e burocracias em geral. Seremos evoluídos demais para nos prendermos a limites e regras estapafúrdias que os governos nos fazem engolir. Tudo que precisarmos, saúde, educação, bens de consumo, estradas, habitação etc., tudo será privado, comprável. O trabalho gerará a riqueza, a educação gerará o trabalho e tudo isso será reinvestido no bem estar de todos. É isso que prevejo, apesar de odiar previr coisas. A anarquia é o futuro.
Fato é que evoluímos dos períodos tribais. A própria inquietude humana, que impõe na descoberta uma de suas maiores virtudes faz com que a vida em pequenas tribos seja pífea demais para um ser tão complexo. A descoberta dos metais, e manufaturas a partir disso nos deu a capacidade de expandirmos nossas fronteiras, conquistando outros povos, aglutinando alguns e dizimando outros. A navegação trouxe a obtenção de riquezas por meio da troca intensa de mercadorias e serviços com terras antes jamais acessíveis. A prosperidade destas atividades geraram ainda mais poder as nações que detinham tais tecnologias, e com o implemento da pólvora, os conflitos foram ficando mais violentos, alçando a ambição dos líderes nacionais a voos antes jamais alcançados. Neste período, temos a propagação dos impérios.
A figura central de um Imperador ou Rei, apesar das democracias romana e grega, era a maior expressão de um povo. A evolução de tribos para imperios é o simbolo do que o desenvolvimento tecnologico e social trouxeram. À medida que as atividades se tornaram mais complexas, precisaríamos tornar a forma de governo também mais complexa, com leis, tributos, fronteiras, exércitos e tudo mais aquilo que tirasse a preocupação latente no cidadão que seu habitat seria de alguma forma usurpado, dadas as riquezas que suas nações acumulavam. Neste momento vemos os estados nações prosperarem, e com o conhecimento sendo disseminado por meio dos livros - outrora era por meio de gravuras - precisaríamos de maior divulgação disso. A imprensa surge como a resposta para a massificação do conhecimento para aqueles que não o tinham.
A religião está no meio disso tudo. Fosse ela politeísta ou não, era fato que a mesma exercia papel fundamental na consecução das leis, costumes e na própria sociedade como um todo. O Estado da antiguidade é regido por figuras eleitas por Deus ou pelos Deuses. Seria um grande paradoxo disseminar grande conhecimento a populares, levando em conta que os mandos e desmandos das religiões, além dos seus extremismos causam numa pessoa letrada grande desconfiança. Logo, a idade média fora marcada pela manutenção da ignorância forçada à sociedade como um todo, de forma a manter o povo fiel e sob o comando da figura central eleita pela religião. As leis extremas tinham a pena de morte para aqueles que não as cumpriam, mesmo por razões absurdas. O Estado tinha o poder sobre a vida e a morte do cidadão. Os tributos incorriam sobre tudo e todos, centralizando a riqueza para os cofres públicos, repassando muito pouco ao cidadão comum, enriquecendo as monarquias e impérios daquele tempo. Ao manter a população pobre, o poder dos aristocratas, encoroados e afins era perpetuado por centenas de anos, numa sucessão sem fim.
Dando um salto na história, temos o último grande império, a nação estadounidense que por meio da democracia, igualdade, fraternidade - princípios da revolução francesa - com importância maior à liberdade, que impõe sua forma de governo às demais nações, muitas vezes por meio do conflito armado. As guerras do início e metade do século XX deram aos EUA o poder de mostrar ao mundo que sua forma de governo era a mais correta e justa. A figura de um estado nação não diferia tanto das anteriores na história, com a diferença básica que o Estado se tornava laico, e os líderes não eram mais eleitos por Deus e sim pelo povo. Os tributos e leis (por vezes com penas capitais) eram mantidos como meio de controlar os impulsos populares e revolucionários, que assolaram o mundo no vigésimo século. O comunismo, como forma de governo e vida em sociedade, em teoria, perfeita, era uma ameaça a um país tão centrado na livre iniciativa, no comercio forte e na liberdade irrestrita (todos termos contraditórios, mas latentes). O Estado americano moderno foi, antes de tudo, um Estado de guerra. Os conflitos bélicos, as invasões, as brigas político-comerciais etc., não retratavam uma nação evoluída. Era somente uma diferente forma centralizada de governo em busca de mais poder perante outras nações. Nem mesmo o comunismo trouxe qualquer inovação senão atraso economico e social. Por outro lado, a escola e a universidade trouxeram ao povo o conhecimento que lhes foram negados na idade média. O trabalho escravo fora abolido, e o trabalho remunerado trouxe benefícios ao pobre moderno. A mobilidade social era algo plausível, mas muito pouco aplicável. Era sim, possível, um homem pobre ficar rico e gerar riquezas para outros, contanto que raramente. Fora todo um processo de evolução. Voltemos então à pergunta inicial do texto e implementemos: No futuro, precisaremos mesmo de um governo? O que o cenário politicosocial nos reserva para o futuro?
Odeio previsões feitas sem base, as contradições são muitas. Contudo, baseado na história e na observação pura e simples de como a humanidade tem caminhado, posso dizer com grande certeza que não precisaremos mais de governos no futuro. O raciocínio é simples, ou seja, se estamos tendo mais acesso ao conhecimento e caminhamos cada vez mais para a igualdade por que iríamos ter conflitos? Para que teríamos fronteiras? Logo aqui matamos as figuras de exércitos e forças armadas como um todo. Se os mercados são livres, por que precisamos de diferentes moedas? Se todos cuidam do bem estar de todos, para que precisamos de tributos? É um paradoxo termos todos que pagarmos impostos para benefícios que não vemos na prática dar retorno algum. Aliás,qual serviço público, na prática, funciona bem? É fato que quando algo vai mal na administração pública, é privatizado. No fim, o setor privado cuida de tudo: Infraestrutura, comunicações, transportes, informação, produção, saúde, educação etc. Ora, para que preciso do governo? Ah sim, a segurança pública, a policia. O rigor e a aplicação das leis podem ser feitas pelo próprio cidadão. Muito embora sejamos corruptos, não teríamos mais necessidade de se-los caso fossemos iguais, economicamente e socialmente. Polícia? Quem precisa de polícia? Segurança privatizada também é uma opção. Funciona no sistema bancário, funciona nas empresas, logo por que não funcionaria para o cidadão? Por fim, percebe-se que, cada vez mais, a figura de um governo executivo cai por terra, à medida que o conjunto de serviços oferecidos pelo mesmo, quase todos débeis e pouco funcionais, serão oferecidos pelo setor privado a preços mais baixos forçados pela livre concorrencia. Prefiro saber aquilo que estou pagando do que pagar tributos que não sei para onde vão.
Isso dará, em pouco tempo, margem para cada vez menos corrupção. Os governos são criadouros de corruptos, gente que emperra a máquina pública e fere os interesses da povo. O legislativo está repleto deles. O judiciário ainda pode ser mantido. Se faz necessário punir seres humanos que não se encaixem no quadro social e causem o mal ao seu semelhante. Muitas leis são frutos do bom senso: Não jogar lixo na rua, não dirigir erradamente, não matar, não agredir etc., tudo isto não deveria estar escrito. É fruto da evolução saber disto tudo sem precisar que o Estado te imponha o bom costume. Quando evoluirmos veremos que nosso semelhante é tão importante quanto nós mesmos, por isso quereremos seu bem estar. Nos dias de hoje a informação já é livre, o conhecimento é livre, porque não derrubarmos as fronteiras e os conceitos de nação no futuro? Não parece que isto vai acontecer? É inexorável. Um dia, poderá ser daqui a mil, cem mil anos, veremos que não mais precisaremos de governos, Estados, controles e burocracias em geral. Seremos evoluídos demais para nos prendermos a limites e regras estapafúrdias que os governos nos fazem engolir. Tudo que precisarmos, saúde, educação, bens de consumo, estradas, habitação etc., tudo será privado, comprável. O trabalho gerará a riqueza, a educação gerará o trabalho e tudo isso será reinvestido no bem estar de todos. É isso que prevejo, apesar de odiar previr coisas. A anarquia é o futuro.
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