quarta-feira, 11 de agosto de 2010

O Casamento É O Fim?

Não vou falar sobre isso por clichês, não faz meu estilo. Eu odeio compartilhar minhas opiniões com outros, prefiro até que seja contrária à maioria. Tenho a minha propria, que seja assim. Ademais, este assunto é demasiado controvertido para haver concordancia entre todos. Há diversas teorias sobre o assunto, e as estatísticas dizem que o mesmo está em processo de falencia, moral e social: O casamento.

Já fui namorado, já estive casado. Por uma década inteira dividi minhas opiniões, idéias, fluídos, alimentos, casa, carro, televisão etc. com a mesma pessoa. Eu não quero aqui fazer apologia pela abolição do casamento na sociedade, vou acabar sendo ainda mais odiado que já sou. É fato que quando amamos, nada mais importa, nos tornamos cegos a algumas consequencias do amor e partimos para a consecução de nossos planos mais urgentes, de modo a homologar nossos sentimentos. Ora, se uma relação funciona bem para dois namorados que estão sempre juntos, por que não estreitar mais ainda os laços? Certas coisas são esquecidas, pois ao terminarem suas "atividades" de namorados, onde sempre fazem coisas agradáveis juntos, ambos voltam para seus lares. Por muitas razões muitos esquecem que ao casar não há para onde fugir, ou seja, se brigaram, não adianta cada um ir para seu lado, emburrados. Vocês estão no mesmo teto. O espaço individual não existe, e por consequencia não há privacidade. Mulheres tendem a ser mais invasivas que os homens, e estes sofrem mais com este processo nocivo do casamento. O casamento mata a privacidade.

Mas isso não é tudo. A vida social, como fica? Não há. Ao menos aquela vida social fora do casamento, com amigos de antes da relação. É fato que você os perde paulatinamente até que você desaparece de vez. É mais ou menos assim: - Poxa, faz tempo que não falo com o Paulo, o que houve com ele, nunca mais apareceu pra gente ver um jogo na TV? Logo alguém retruca: - Ele casou, esqueceu? Os primeiros anos do casamento, ou do relacionamento estável, seja lá o que for, são de desligamento de suas antigas amizades para um novo estágio, as amizades do casal. Estas amizades perdem sua pureza e essencia, visto que, além de recentes, são muitas vezes baseadas no interesse entre as partes. Não é aquela coisa de camaradagem, profunda. Tem mais viés de escala social, de competição patrimonial, coisa chata pra caramba. Depois de alguns anos de casados, muitos casais entendem que não deveriam ter se afastado tanto de seus verdadeiros amigos e decidem voltar atrás, ocasionando mais brigas e conflitos à relação. O casamento mata a sua vida social, te isola.

Quando vocês namoravam tinham uma vida sexual daquelas. Estou afirmando isso pois é verdade, quem nunca ficou sem ver a namoradinha por uns quatro dias e voltou louco para fazer dela uma "amazonia moderna"? (pra entender essa precisam ter uma mente poluída nível 5, manja?) Pois é, o fato de não ver seu parceiro ajudou a aumentar sua libido, que no fim ajudou a estreitar ainda mais sua relação com este. Ao estar com ele sob o mesmo teto, é obvio que isto será cada vez mais raro. Pelo contrário, você vai querer fugir dali pra ter este elan sexual de novo. É uma contradição louca, aquilo que te faz se aproximar de seu parceiro é aquilo que, mais pra frente, te fará se afastar. Seria comico se não fosse tragico. O casamento mata o tesão.

A consequencia do paragrafo acima é o tedio sexual. E não me venham estes sexologos de merda com absurdos do tipo: "apimentem sua relação com brinquedinhos sexuais, roupinhas, role playing, perucas etc." isto é tudo balela. Por baixo daquilo tudo continua a mesma pessoa, com seus mesmos defeitos e hábitos irritantes. O que me lembra uma coisa: Se durante o namoro aquela pessoa tem algum traço que te irrita, isso dobrará no casamento. Mulheres, especialmente (perdoem-me por criticar tanto vocês), tendem a piorar após o casamento. Aquela namorada legal que você tinha vira uma mulher cheia de cobranças, reclamando de tudo e todos na sua vida. Se faz necessário compreender quem é seu parceiro antes de casar, saber seus defeitos, mesmo aqueles que ele tenta ocultar, pois pode ser uma armadilha no futuro. O casamento transforma as pessoas.

Num dado momento da relação estável, seus olhos se voltam para outros possíveis parceiros. Este é o estágio que a mulher mais gosta, pois é aí que elas buscam a razão de serem quem são. Os homens, neste estágio, começam a reparar em outras mulheres, visto que o casamento se torna uma falácia na vida deles. É aí que surge a infidelidade, e mesmo que a mulher não descubra (elas sempre descobrem), a culpa sempre recairá sobre os homens pelo casamento falido. É um baita jogo de empurra, mas que elas sempre vencem, pois homens não conseguem jogar o jogo da relação estável. Em tempo, hoje em dia, devo reconhecer, não é mais privilégio dos homens o adultério. A coisa meio que se equilibrou. O casamento gera traição.

Os filhos chegam e tudo parece bonito e claro, belo e sublime, como diria Dostoiévski. O casal se torna algo como passarinhos fazendo seu ninho, com aquela situação meio Disney Story, com coisas rosinhas ou azuis. De fato, a coisa fica bonita de se ver. No início é um fator de união do casal, é um projeto em conjunto. Tudo isso dura mais ou menos o período em que a criança ainda é incapaz de tudo. A distribuição de responsabilidades, coisa importante nas relações do século XXI, ainda é um mistério pra muitos homens e o peso da criação e educação dos filhos acaba recaindo muito na mulher. Neste período os conflitos são latentes, e muitos divóricos surgem nos primeiros sete anos da criança. O casamento gera filhos, e filhos geram brigas.

A coisa funciona mais ou menos assim: Não funciona. Não há nada que se possa fazer. Pessoas vão se conhecer, vão namorar e vão casar. Faz parte da cultura mundial cultuar o casamento como algo mister em nossas vidas. Entende-se como fracassado aquele que evita este comprometimento, ainda mais numa sociedade católica como a nossa. Aqui o casamento é visto como a redenção do homem, excessivamente boemio, putanheiro e notívago (entendam como quiser). Para a mulher é um premio pela mesma ter sido virtuosa e casta durante sua vida. Ou seja, ambos se juntam para agradar aos olhos de outros e não aos seus próprios. O relacionamento vai esfriar, isso é obrigatório, é um resultado do tempo e do excesso de conflitos normais ao casamento. Cabe ao casal ter, entre si, um grau de tolerancia imenso dos defeitos de um e de outro. Somos criaturinhas muito defeituosas, e quando duas se juntam a intolerancia impera.

Em minha humilde opinião, a melhor forma de se manter o casamento é ser cego às falhas do parceiro, esquece-las, sumprimi-las. Casais que não se suportam duram menos. Se você for homem, tente a qualquer custo arranjar uma mulher que te complete sexualmente, pois se no namoro existir alguma discrepancia sexual, nem se junte. Quanto à mulher, tanto faz, para ela sexo é secundario mesmo. Exijam privacidade, sempre. Se for pra morar num quarto e sala, exijam ter um espaço para si proprio. Há horas em que você quer ficar só, e isso deve ser respeitado. Não ignorem ou esqueçam os amigos do passado, mesmo que sejam solteiros. O casamento é uma biosfera onde muitos precisam suprimir alguns comportamentos como meio de evitar brigas. Seus antigos amigos te entendem, e para eles você pode dizer tudo. É a melhor válvula de escape para um casamento, e se faz importante bater o pé neste quesito: Manter os amigos! Claro que dividir bem o tempo com eles e seu parceiro é mais importante ainda. Não percam a forma física. Muitas pessoas que casam se tornam desleixadas fisicamente e menos atraente. Não pense que só porque aquela pessoa fez um pacto de amor com você, que ela não deixará de ter tesão por sua figura caso fique rotundo e fétido. Cuide-se! Se for ter filhos, os tenha tarde na vida. Deixe para aquele momento onde a relação vai naturalmente esfriar, e eles virão como um combustível para manter o casal ainda mais junto. Quando os temos cedo demais, estamos ainda imaturos e despreparados. Queremos, por vezes, curtir nosso parceiro ainda. Quando eles chegam, ao menos a mulher, se torna altamente inacessível, exigindo muita paciencia do homem. Por fim, antes de casar, namore muito, beije muito, transe muito, conheça uma miriade de pessoas antes de se decidir por uma. O mundo está cheio de gente por aí que merece ser apreciada rapidamente, numa noite somente. Mas também há pessoas que podem ser aquelas tais, aquelas que serão dignas de um relacionamento longo. Se faz necessário esperar, não case por impulso. Por fim, delineiem o que é bem do casal e o que é bem proprio. Isso pode dar problemas num provavel divorcio. Já este é um outro assunto...

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Uma Visão Positiva Do Futuro.

Havia um tempo em que éramos tribais. Sim, há milhares de anos atrás nossa forma maior de sociedade eram as tribos. Não havia países, fronteiras, mapas ou mesmo governos. Seus integrantes sabiam o que era certo e errado e criavam suas leis a partir da experiência dos mais velhos. Daí era só transmitir aos mais jovens. Tudo que era produzido pela comunidade, era consumido pela comunidade e os excedentes eram trocados com outras tribos. Guerras eram raras, mas como algo inerente ao ser humano, faziam parte também destas sociedades tribais. Não havia uma forma de governo centralizada e isso é mister para o desenvolvimento do que quero escrever. Precisamos mesmo de um governo?

Fato é que evoluímos dos períodos tribais. A própria inquietude humana, que impõe na descoberta uma de suas maiores virtudes faz com que a vida em pequenas tribos seja pífea demais para um ser tão complexo. A descoberta dos metais, e manufaturas a partir disso nos deu a capacidade de expandirmos nossas fronteiras, conquistando outros povos, aglutinando alguns e dizimando outros. A navegação trouxe a obtenção de riquezas por meio da troca intensa de mercadorias e serviços com terras antes jamais acessíveis. A prosperidade destas atividades geraram ainda mais poder as nações que detinham tais tecnologias, e com o implemento da pólvora, os conflitos foram ficando mais violentos, alçando a ambição dos líderes nacionais a voos antes jamais alcançados. Neste período, temos a propagação dos impérios.

A figura central de um Imperador ou Rei, apesar das democracias romana e grega, era a maior expressão de um povo. A evolução de tribos para imperios é o simbolo do que o desenvolvimento tecnologico e social trouxeram. À medida que as atividades se tornaram mais complexas, precisaríamos tornar a forma de governo também mais complexa, com leis, tributos, fronteiras, exércitos e tudo mais aquilo que tirasse a preocupação latente no cidadão que seu habitat seria de alguma forma usurpado, dadas as riquezas que suas nações acumulavam. Neste momento vemos os estados nações prosperarem, e com o conhecimento sendo disseminado por meio dos livros - outrora era por meio de gravuras - precisaríamos de maior divulgação disso. A imprensa surge como a resposta para a massificação do conhecimento para aqueles que não o tinham.

A religião está no meio disso tudo. Fosse ela politeísta ou não, era fato que a mesma exercia papel fundamental na consecução das leis, costumes e na própria sociedade como um todo. O Estado da antiguidade é regido por figuras eleitas por Deus ou pelos Deuses. Seria um grande paradoxo disseminar grande conhecimento a populares, levando em conta que os mandos e desmandos das religiões, além dos seus extremismos causam numa pessoa letrada grande desconfiança. Logo, a idade média fora marcada pela manutenção da ignorância forçada à sociedade como um todo, de forma a manter o povo fiel e sob o comando da figura central eleita pela religião. As leis extremas tinham a pena de morte para aqueles que não as cumpriam, mesmo por razões absurdas. O Estado tinha o poder sobre a vida e a morte do cidadão. Os tributos incorriam sobre tudo e todos, centralizando a riqueza para os cofres públicos, repassando muito pouco ao cidadão comum, enriquecendo as monarquias e impérios daquele tempo. Ao manter a população pobre, o poder dos aristocratas, encoroados e afins era perpetuado por centenas de anos, numa sucessão sem fim.

Dando um salto na história, temos o último grande império, a nação estadounidense que por meio da democracia, igualdade, fraternidade - princípios da revolução francesa - com importância maior à liberdade, que impõe sua forma de governo às demais nações, muitas vezes por meio do conflito armado. As guerras do início e metade do século XX deram aos EUA o poder de mostrar ao mundo que sua forma de governo era a mais correta e justa. A figura de um estado nação não diferia tanto das anteriores na história, com a diferença básica que o Estado se tornava laico, e os líderes não eram mais eleitos por Deus e sim pelo povo. Os tributos e leis (por vezes com penas capitais) eram mantidos como meio de controlar os impulsos populares e revolucionários, que assolaram o mundo no vigésimo século. O comunismo, como forma de governo e vida em sociedade, em teoria, perfeita, era uma ameaça a um país tão centrado na livre iniciativa, no comercio forte e na liberdade irrestrita (todos termos contraditórios, mas latentes). O Estado americano moderno foi, antes de tudo, um Estado de guerra. Os conflitos bélicos, as invasões, as brigas político-comerciais etc., não retratavam uma nação evoluída. Era somente uma diferente forma centralizada de governo em busca de mais poder perante outras nações. Nem mesmo o comunismo trouxe qualquer inovação senão atraso economico e social. Por outro lado, a escola e a universidade trouxeram ao povo o conhecimento que lhes foram negados na idade média. O trabalho escravo fora abolido, e o trabalho remunerado trouxe benefícios ao pobre moderno. A mobilidade social era algo plausível, mas muito pouco aplicável. Era sim, possível, um homem pobre ficar rico e gerar riquezas para outros, contanto que raramente. Fora todo um processo de evolução. Voltemos então à pergunta inicial do texto e implementemos: No futuro, precisaremos mesmo de um governo? O que o cenário politicosocial nos reserva para o futuro?

Odeio previsões feitas sem base, as contradições são muitas. Contudo, baseado na história e na observação pura e simples de como a humanidade tem caminhado, posso dizer com grande certeza que não precisaremos mais de governos no futuro. O raciocínio é simples, ou seja, se estamos tendo mais acesso ao conhecimento e caminhamos cada vez mais para a igualdade por que iríamos ter conflitos? Para que teríamos fronteiras? Logo aqui matamos as figuras de exércitos e forças armadas como um todo. Se os mercados são livres, por que precisamos de diferentes moedas? Se todos cuidam do bem estar de todos, para que precisamos de tributos? É um paradoxo termos todos que pagarmos impostos para benefícios que não vemos na prática dar retorno algum. Aliás,qual serviço público, na prática, funciona bem? É fato que quando algo vai mal na administração pública, é privatizado. No fim, o setor privado cuida de tudo: Infraestrutura, comunicações, transportes, informação, produção, saúde, educação etc. Ora, para que preciso do governo? Ah sim, a segurança pública, a policia. O rigor e a aplicação das leis podem ser feitas pelo próprio cidadão. Muito embora sejamos corruptos, não teríamos mais necessidade de se-los caso fossemos iguais, economicamente e socialmente. Polícia? Quem precisa de polícia? Segurança privatizada também é uma opção. Funciona no sistema bancário, funciona nas empresas, logo por que não funcionaria para o cidadão? Por fim, percebe-se que, cada vez mais, a figura de um governo executivo cai por terra, à medida que o conjunto de serviços oferecidos pelo mesmo, quase todos débeis e pouco funcionais, serão oferecidos pelo setor privado a preços mais baixos forçados pela livre concorrencia. Prefiro saber aquilo que estou pagando do que pagar tributos que não sei para onde vão.

Isso dará, em pouco tempo, margem para cada vez menos corrupção. Os governos são criadouros de corruptos, gente que emperra a máquina pública e fere os interesses da povo. O legislativo está repleto deles. O judiciário ainda pode ser mantido. Se faz necessário punir seres humanos que não se encaixem no quadro social e causem o mal ao seu semelhante. Muitas leis são frutos do bom senso: Não jogar lixo na rua, não dirigir erradamente, não matar, não agredir etc., tudo isto não deveria estar escrito. É fruto da evolução saber disto tudo sem precisar que o Estado te imponha o bom costume. Quando evoluirmos veremos que nosso semelhante é tão importante quanto nós mesmos, por isso quereremos seu bem estar. Nos dias de hoje a informação já é livre, o conhecimento é livre, porque não derrubarmos as fronteiras e os conceitos de nação no futuro? Não parece que isto vai acontecer? É inexorável. Um dia, poderá ser daqui a mil, cem mil anos, veremos que não mais precisaremos de governos, Estados, controles e burocracias em geral. Seremos evoluídos demais para nos prendermos a limites e regras estapafúrdias que os governos nos fazem engolir. Tudo que precisarmos, saúde, educação, bens de consumo, estradas, habitação etc., tudo será privado, comprável. O trabalho gerará a riqueza, a educação gerará o trabalho e tudo isso será reinvestido no bem estar de todos. É isso que prevejo, apesar de odiar previr coisas. A anarquia é o futuro.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Classismos e Tragédias

Nem toda a morte é trágica, nem toda tragédia tem morte em seu escopo. Sempre digo que basta estar vivo para morrer, e consequentemente a morte deve ser encarada como algo natural no decorrer da vida. Ainda temos muitos problemas em aceitar mortes prematuras, algo como um espelho que reflete o que seria de nossas vidas se tivéssemos morrido cedo demais. Nos ressentimos com a morte de estranhos pois não queremos isso para nós. Elegemos vilões, criamos teorias e somos manipulados infinamente rumo a revolta, justamente quando deveríamos, de fato, refletir.

A mídia está consternada com a morte de um menino de dezoito anos, filho de uma atriz famosa. Provavelmente devia ser um menino cheio de vida, com aspirações, saúde etc. Como pai, analiso e me consterno junto à mãe neste momento horroroso. Investimos tudo num filho, assistimos seu crescimento, renegamos parte de nossas vidas em prol da dele, e vemos nossa imagem naquele projeto de ser humano, o que nos dá ainda mais força para seguir. Perder esta vida é definitivamente perder parte da nossa, em que pese ainda respirarmos e continuarmos vivendo fisicamente, psicologicamente nos tornamos zumbis. Em tese, foi mais um adolescente para as estatísticas de mortes em vias públicas deste país, mas não é o que a mídia quer fazer parecer. Existe uma pressão para a distribuição de culpas e prisões sem que haja julgamento prévio daqueles que foram misteres na morte no rapaz. Teria sido mesmo uma tragédia? Ou uma consequencia natural de se praticar esportes radicais em vias públicas? Fico com a segunda opção.

Não posso crer que no meio de tudo isto a imprensa esqueça que, apesar das restrições de trânsito no local àquela hora, não se poderia, em hipótese alguma, praticar o skate por alí. É um túnel sem áreas de escape, mal iluminado, e em descida. O que ocorreu foi um acidente, não foi um assassinato, não foi doloso, foi a comprovação do risco que se corre ao se desafiar o perigo, assim como um paraquedista, um alpinista ou um piloto de fórmula um sofrem. Quero, portanto, desmistificar o papel da mídia no noticiamento de um acidente, e de como a mesma tende a julgar, sem se preocupar com a imparcialidade dos fatos.

É fato que dias antes da morte deste rapaz, um outro menino, mais novo, de nove anos,havia sido morto numa escola pública carioca por meio de uma bala perdida disparada por policiais em conflito com traficantes. Este menino era filho da camada mais pobre da sociedade, possivelmente iria enriquecer o ciclo da pobreza que assola este país, onde a mobilidade social é coisa para inglês ver. Nasceu pobre, e morreu pobre. Este menino e sua morte estúpida não teve nem dois dias de cobertura e apuração dos fatos pela imprensa. Quando um pobre morre, deixem que a polícia cuide. O filho da atriz era um membro da elite carioca, morava num bairro nobre. O menino favelado não estava numa aventura perigosa numa madrugada "zoando" com a galera. Estava numa escola, estudando, lutando para sair daquela vida difícil, com recursos escassos. Está aí a minha definição de fatalidade, de tragédia. Um alvejar de projétil numa sala de aula de uma escola numa favela num menino em plena atividade escolar, sendo que ninguém reconhece, ou quer reconhecer o autor do disparo.

Ora, mas a quem a imprensa deu mais cobertura? Obviamente para o menino pródigo da classe mais abastada. Eles fazem dossiês, buscam provas, câmeras, documentos, testemunhas...pasmem a imprensa está fazendo o papel da promotoria neste caso! Quanto ao menino da favela, deixem a justiça se encarregar, é o que dizem. São dois pesos e duas medidas. Eram duas vidas importantes, duas jóias que estavam separadas somente por suas classes sociais. Infelizmente a sociedade não os vê como semelhantes, não é preparada para ter opinião, é manipulada. Ninguém quer discernir a tragédia do acidente, o bandido do contraventor, o culpado do criminoso. Somente diferem o rico do pobre, o preto do branco. Somos obtusos demais, refletimos pouco. Que ambos descansem em paz!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

O Insone Adormeceu.

O controle remoto estava com as pilhas fracas, precisava de dois ou mais toques no seletor de canais para que houvesse mudanças. Meu whisky estava quente, o gelo há muito havia derretido, já houvera sido assim anteriormente. Era o mesmo filme, o enredo era igual. Era em preto e branco aquele romance estúpido da década de quarenta, aquela coisa pósguerra fabricada, sem muito efeito nos dias de hoje para essa geração marrenta e decompromissada. A minha poltrona estava quente demais, não achava uma posição ideal, e me deitei solenemente, fechando os olhos por um momento. Ali compenetrei-me nas distâncias intagíveis, nas realidades intocáveis...vou buscar mais gelo.

Aquilo não era só mais uma madrugada, era diferente. Estava tão silenciosa aquela noite, ouvia meu coração palpitar suavemente pela minha jugular no pescoço ao me deitar sobre o travesseiro gasto e duro da poltrona. Me encanta ouvir o corpo funcionar, a máquina divina perfeita é notável, seu mecanismo intrincado faria qualquer engenheiro surtar ao tentar reproduzi-la. Como grande hipócrita que sou, fui buscar mais um whisky, de modo a açoitar minha "máquina" e diminuir, quem sabe, os batimentos. Mudei o canal de novo, caí naquele mais popular. Me deparo com um homem de mais de cinquenta anos, falando como um menino de vinte, entretendo pessoas de dezoito. Ele fazia entrevistas vazias com pseudos ícones nacionais, talvez o meu estado de embriaguez elevado me tenha feito tolerar aquilo por uns vinte minutos. Cansei no exato momento em que ele disse: - Fala, garoto! Pensei: - Tchau, coroa!

O controle estava funcionando de novo, nunca entenderei de eletrônica, mas algo me diz que se você sopra uma pilha ela volta a funcionar. Deve ser superstição, sei lá. Bem, ele parou de novo, num programa Evangélico. Era só o que me faltava, mas vamos ver. Um homem, de terno e gravata, fechando os olhos e orando fervorosamente. Ele se dirige a mim como se eu fosse o único assistindo TV àquela hora. Talvez fosse. Nas palavras dele, o "inimigo" atrapalhava minha vida, me fazia ser um pervertido, me fazia beber, me fazia fumar, me fazia ter insônia...ora, por que ele não me matava logo? Ah, sim. Ele não tem poder para isso. Entretanto ele me pede para por um copo em cima da TV. Vocês acham que iria fazer isso em cima de uma finíssima e caríssima LCD? Olhei fixamente para o pastor e pensei: - Meu "inimigo" é você, meu prezado engravatado/pseudoreligioso/lavador de dinheiro. Meu mundo seria melhor se pessoas como você desparecessem!

Entre um gole ou outro de whisky, meu controle funcionava erraticamente, e eu parecia um louco zapeando de canal em canal, a procura de algo que não estava lá. Fechei meus olhos de novo. Uma imagem não se apagava da minha cabeça, algo que nem o álcool e nem os torpes programas de televisão ajudavam a apagar. Não era de se negar, eu estava em outro lugar, não estava alí. Aquela poltrona, aquele controle, aquele whisky...era tudo miragem. Olho ao meu redor e não vejo nada. Vejo um completo vazio, uma redoma repleta de objetos e coisas, sem nada quente e vívido. Nunca valorizei coisas, mas fui mestre em valorizar o que não se devia. Era isso, era a autocrítica. Precisava me autoflagelar naquele momento para entender que de nada me adiantava ficar pensando, divagando sobre questões fúteis na vida. Era momento de agir, de reconstruir aquilo que já tinha feito na base. Era o fim do meu auspício, do remorso, da choradeira juvenil e da tristeza de ter passado um ano desejando uma fraude. Já era hora de trazer de volta o homem, o ardil ser que teve culhão de revolucionar sua vida e voltar são e salvo pra contar as estórias. Lavei meu rosto insistentemente, molhei os cabelos, tomei um belo copo de leite e adormeci, nos braços de Orfeu (antes que alguém me chame de viado, vão olhar na Wikipédia).

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Assasinatos Brutais, Crimes Comportamentais.

Estranha esta explosão de atos violentos contra a mulher registrada nos últimos meses pelos meios de comunicação, não? Pessoas famosas e anônimas cometendo todo tipo de atrocidade contra suas mulheres, num misto de perversão e violência gratuita. Para um bom observador, estes atos parecem ter o mesmo tipo motivação: reatar relações desfeitas. Homens fracos, de baixa auto estima são impelidos por suas parceiras a terminarem seus relacionamentos, e não "entedem a mensagem", explodindo em doses letais de raiva e transgressões, ultrapssando o limite da agressão, assasinando o objeto de sua fúria.

O homem, por si só, é uma criatura mais violenta por natureza, costuma resolver muitas das suas diferenças por meio dela, mas com o passar dos tempos isso diminuiu. Não que sua testosterona de macho tenha ficado branda, ou tenha diminuído. Nossas mentes passaram a ter maior autocontrole, o que nos possibilita dialogar, discutir, quando não punir de outras formas, situações que, basicamente, seríamos violentos. As mulheres têm mais o dom da palavra, da imposição por meio dela, e resolvem suas diferenças assim, quase sempre sem serem violentas. Isso ajuda muito a entender, portanto, a mente de um homem assassino passional, e sua motivação para chegar a este ponto.

Gosto muito de citar o passado, pois a história pode explicar tudo sobre nosso presente, bastando que a entendamos a fundo. Não precisa ser nenhum historiador para saber que as mulheres percorreram um grande caminho até os dias de hoje, e movimentos como o feminista conquistaram para elas um vasto mundo de possibilidades que não tinham no passado. Oportunidades de trabalho, cargos de alto escalão, participação ativa na sociedade, na política e nos esportes. Tudo isso é muito bom, e dá possibilidades pra que sejamos ainda mais iguais no futuro, e toda aquela baboseria que vocês já sabem. Entretanto, faltou falar para alguns homens, de clase média e instruídos, que isso vem ocorrendo nos últimos quarenta anos com extrema velocidade.

Alguns desavisados vem querendo levar seus relacionamentos com o sexo oposto como era anteriormente, nos tempos de nossos avós e pais. As mulheres daquele tempo davam graças a Deus por terem maridos, pretendentes, seja lá o que forem. Isto ocorria porque não havia muitas perspectivas para as mesmas, a não ser casar e viver à sombra de seu homem. Era uma sociedade machista aquela, diferente da atual. Em algumas sociedades, as mulheres não votavam, não podiam andar sozinhas nas ruas, não trabalhavam, e as que o faziam, eram mal vistas. Era algo ruim, mas era arraigado na sociedade, e ninguém questionava. Os homens, por sua vez, numa zona de conforto impressionante, se sentiam livres para serem aquilo que ainda são em suas cabeças: se relacionavam com outras mulheres, chegavam a hora que bem entendiam em casa, pouco ligavam para os filhos e só faziam seus papéis de provedores, na acepção da palavra. Qualquer mulher que questionasse isso fatalmente era agredida, ou poderia sofrer o risco de perder o marido, sem qualquer direitos, e tudo isso era normal. Em algumas sociedades era permitido o assassinato da mulher, por meio de apedrejamento (e em algumas ainda o é), caso a mulher não correspondesse às necesidades do marido. Enfim, era a falocentria em escala, um mundo desigual pra cacete.

Dando um salto na história, a década de sessenta e setenta deram à mulher a voz que tanto necessitava. Era um período mais liberal, o mundo estava aberto a novas teorias, especialmente pela comoção causada pelo fim da Segunda Guerra, na década de quarenta. As pessoas que nasceram neste período, tornaram-se jovens idealistas nos vinte anos seguintes, e cresceram ouvindo sobre a podridão da sociedade em guerra. Os Baby Boomers, como são chamados os nascidos logo após a guerra, foram precurssores de movimentos de igualdade, que eram as vozes daqueles que eram marginalizados pela sociedade, e tinham direitos restritos. Por meio deles, o movimento feminista cresceu e as mulheres hoje são o que são.

Voltando aos atos de violência, compreendo que atualmente temos uma geração producente de mulheres independentes, que não tem no homem o alicerce para nada em suas vidas. Elas estudaram, experimentaram e hoje procuram nos homens um parceiro, um complemento para suas vidas, e não somente um meio de sustento. Homens retrógados "pastam" para compreender isso, e não entendem as posições femininas atuais sobre relacionamentos. A idéia do homem com o rabo sentado no sofá enquanto a mulher se mata para manter uma casa limpa e integra morreu quase que por completo. Pais que, só proviam, também estão com o dias contados, e os homens terão de ser mais participativos. Os namoros onde o homem tem a prerrogativa de tudo no relacionamento, e as mulheres são meros instrumentos de prazer estão também em extinção. Elas batem o pé pelo que querem, mesmo se tiverem que passar por cima de tudo e todos. É um rolo compressor, que a cada cinco dias do mês, fica complicado parar. Está tudo igual, a opinião dos dois conta, por vezes somente a dela, a submissão deu lugar à cumplicidade, e não obstante isso, homens podem sim ser, por vezes, emasculados por uma mulher. Isso significa ter que deixarmos nossos instintos de macho de lado, e sermos um pouco sensíveis e darmos preferência a elas em situações que exigem tal coisa.

A grande questão é saber também se, as mulheres como um todo, estão sabendo lidar com essa nova independência. Muitas não estão, em minha opinião. Estamos criando uma geração de mulheres um tanto arrogantes, cheias de si, que detêm pouco ou nenhum respeito pelos homens. É um momento conturbado, existem homens que não entendem a nova horda de mulheres descoladas atuais, e há montes de mulheres que não estão sabendo lidar com tantos poderes a elas dados pela sociedade. Aí está a minha explicação para estes atos violentos de ex companheiros a ex mulheres, que estão ocorrendo seguidamente, com grande cobertura midiática. Está na natureza do homem errar muito nos relacionamentos, somos imperfeitos demais. O que ocorre é que as mulheres não estão tolerando mais estes erros, e como não dependem dos homens, mandam o famoso "pé na bunda" quando bem entendem. O homem, perdido por não entender aquela reação antes masculina, acaba por se sentir acuado, diminuído. Sendo o cara um ser de baixa autoestima, um capachão, temos um perigo potencial. Estes costumam explodir de violencia quando levados ao limite, exatamente no momento em que a mulher diminui aquela altivez masculina, aquela nossa possessividade pela fêmea. Logo, nossos instintos mais primitivos afloram, e para recuperar nossa masculinidade, explodimos contra esse ser mais fraco, de modo a ter o comando da relação de volta. Isso não ocorre, no fim acaba mal para o agressor, e a mulher sai fortalecida, quando sobrevive, é claro. É uma solução estúpida.

Entendo que seja um período de adaptação. Houve uma masculinização da mulher e uma femininização do homem, isso tudo causou confusão demais para quem estava no meio de tudo isso. É flagrante que os padrões comportamentais mudaram um pouco demais, e com o tempo, assim como em qualquer paradigma, as coisas se ajustam. Logo veremos movimentos de mulheres que querem ser um pouco mais submissas, e de homens que querem rebuscar parte de sua masculinidade perdida no fim do século XX. Há coisas positivas nisso tudo, vemos mulheres mais liberadas sexualmente, menos travadas, que transam sem amor, só por tesão. Mulheres que pagam suas contas e te pagam um programa legal a dois, te fazendo sentir-se um Gigolô. Pelo lado do homem, o cavalheirismo não é mais obrigatório, ou seja, se tiver mulher em pé no ônibus, nenhum homem cederá seu lugar. Abrir a porta do carro está fora de cogitação etc. Peraí, será que isso é bom mesmo? Será que queremos isso? Não, né? Ainda vamos ter que passar por alguns ajustes então, perdoem-me pela ironia. Enquanto isso, como mero observador, acho que ainda verei alguns casos de crimes hediondos contra mulheres nos noticiários, infelizmente. Assim como em qualquer conquista na sociedade, precisaram-se de muitas mortes para que a mesma se estabilizasse, e melhorasse como um todo. Cabe ao homem ter controle de seus instintos e à mulher respeitar aquele ser mais explosivo que ela. Respeitar não é ser submissa.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Abaixo O Amor!

Escrever sem inspiração é terrível. Quando sua vida se encontra num marasmo onde nada de excitante ou diferente ocorre, o cérebro entra num estado meio que de zumbi, nada de bom ou criativo brota dali. É fato que o lirismo surge da paixão, o romancismo da imaginação e as narrativas das aventuras vividas e que nenhuma destas três está rolando neste exato momento na minha vida.

Devo ressaltar, entretanto, que a paixão foi razão de muitas das preciosas palavras de cunho lírico que tanto escrevi por aqui, mas por alguma razão sobre a qual não sei explicar fiquei racional demais. É, aconteceu aquilo que menos desejava, criei um calo emocional, petrifiquei sentimentos e me tornei um cara insensível aos acontecimentos e pessoas. Vou me afastando pouco a pouco do meu caráter companheiro e das minhas tendências de coração aberto, cara legal e terno, e me tornando muito mais prático e pragmático. Alguns já perceberam isso e me atentaram para este perigo. Eu dei de ombros.

Como disse antes, da razão eu não faço idéia, mas posso palpitar. Um homem que se entrega a qualquer coisa que pede seu coração, por experiência própria, pode se abismar com os resultados catastróficos que isso pode causar. Ao amar demais, o corpo se protege, como a evitar a piora de uma doença, pede repouso, um atraso naquela impulsividade do querer e se volta para uma bem vinda auto reflexão. A partir daí, a razão vai pedindo passagem. Aquele que atende os anseios de seu coração, como um pai a mimar seu filho, está fadado a ser um potencial insensível mais pra frente. Era um caso urgente eu ter ouvido minha consciência, quem não pensa age errado.

Ir contra seus próprios instintos pode ser burrice, ou até mesmo natural da condição humana. Um cara audaz, como eu, quer arriscar, quer participar agora pra não se arrepender depois. Tal comportamento dá muita margem ao fracasso. Não, não me acho burro, apesar de muitos acharem. Só adquiri agora uma concha, um invólucro, para evitar maiores ataques dos meus desejos, das minhas febris vontades de querer simplesmente ser livre. Liberdade custa caro, não sei se posso pagar este preço. Existem vários tipos de liberdades tolhidas, e vários presos por aí que nunca apodreceram em cadeia nenhuma nesta vida. São prisioneiros de seus sentimentos e desejos, criaturas dignas de pena. A solução pra isso é de cada um, uns procuram a religião, consumo, hobbies, drogas, sexo sem sentido, alguns saem, extravasam em locais públicos etc. São diversas válvulas de escape, espero não precisar de nenhuma delas, apesar de achar que já andei flertando com algumas.

Eu estou sem inspiração demais, está ficando muito chato viver desta forma. Mas é assim mesmo, não serei o único e nem último a passar por isso. O que fazer? Vou viajar. Isso aí, vou pegar um avião e encontrar a minha dama com flores nos cabelos, como na música Going To California, do Led Zeppelin. Não vou pra California, mas a Europa me parece bom. Vou tentar transformar os próximos trinta anos numa eterna Disneylândia. Não é para isso que trabalhamos?

Enfim, há gente que é merecedora de dedicação e carinho de sua parte, basta encontra-los. No entanto, alguns que não merecem temos que tolerar. Petrificação é uma saída interessante, é bom se defender sendo insensível, guardando pra si o que tem de melhor, ao invés de divulgar pra quem não merece, ou melhor, não sabe o que fazer com isso. Aliás, não sabe nem corresponder reciprocamente. Querem saber? Acho que estou escrevendo nonsenses demais. Está ficando muito sentimental isso aqui, melhor parar.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Pitacos Sobre A Publicidade.

Tenho um grande amigo publicitário e, vez por outra, num boteco desses, discutimos alguns temas como propaganda e anúncios em geral. Sempre o proponho perguntas malucas sobre este mundo engraçado do Marketing, onde a idéia é vender, é claro, mas nem sempre realçando o produto a ser vendido. Por vezes não entendo se a idéia é somente vender a coisa ou propor um objetivo acima disso, como uma determinação de comportamentos ou estilos. Algo como uma lavagem cerebral nos moldes do filme Laranja Mecânica, como meio de convencer as pessoas.

No Brasil temos um padrão de anúncios focados na alegria, no Joie de Vivre, na alegria sultânica dum cara cercado por mulheres e festas. Começando pela cerveja, algo não parece certo. Com exceção a uma propaganda atual, que valoriza os "feinhos" que absorvem deste néctar diariamente, o restante das empresas focam num perfil mais belo dos bebedores de cerveja, algo que não condiz com a figura de quem bebe muito. Vejo aquelas belas deusas, de curvas estonteantes e manés bombadões tomando cerveja, flertando com o alcolismo, rindo, sob música alta e sol escaldante.

Complicado dizer, mas até onde sei, um dos segredos da boa forma é não tomar cerveja e derivados do alcool, visto que qualquer dieta saudável vai por agua abaixo com esta bomba calórica. Misturar cerveja com petiscos então, nem se fala. É mais fácil alimentar elefantes a ovos e toucinho. Vamos ser realistas, se queremos vender cerveja, vamos vender a quem está pouco se lixando para a forma física, que vive alheio a este tipo de preocupação. "Ratos e ratas" de academia pouco tomam cerveja e alcool. Usem estes modelos em propagandas de suplementos protéicos, ou coisa que os valham.

Não é fácil assitir a isso sem pensar como deveria ser na realidade. Realizem só, quatro caras "cheinhos", tomando a sua cervejinha, acompanhados de uma porçãozinha de batatas fritas, recebendo ligações a cada hora em seus celulares das patroas em casa esperando para que os mesmos chegassem em casa para massagear seus grandes, gordos e mau cheirosos pés rachados. Isso sim, representa um cervejeiro!

Vamos a outro aborto marqueteiro que se propaga nas mídias por aí, anúncio de celulares. É fato que o sistema de telecomunicações brasileiro é um dos mais defasados e caros do mundo. Ter celular com conta aqui é privilégio de poucos, a maioria usa o famigerado crédito mesmo. Além disso, não existe banda larga neste país, sabiam? Sim, é propaganda enganosa. Não vou entrar em termos técnicos. Vão pesquisar! Mas posso adiantar que, aqui, banda larga nada mais é que um bloco de carnaval de gordinhos, e olhe lá.

Voltando aos celulares, é terrível ver tantas, mas tantas propagandas deste produto. Muitas nada têm a ver com o mesmo, pois parecem já ter se esgotado criativamente. Aquela clássica do garotão descolado mandando torpedos pro raio que o parta já se esgotou. O homem de negócios, com seu Smartphone, vendo cotações da bolsa de Tóquio no overnight também já era. A menina Indie (praga atual) usando seus créditos, toda pimpona, comunicando a todos seus amigos a tentativa de salvar a natureza também foi pelo ralo. O que resta? Colocar bolinhas flutuando no ar ao som de All You Need Is Love, dos Beatles, clássico das propagandas medíocres juntamente com Imagine, de John Lennon e no fim, mas no finzinho mesmo, o cara mostra a porra do celular. Concluíndo a basbaque, só nos resta o jogador de futebol fazendo estripulias e querendo me empurrar um planinho medíocre goela a baixo. É infame demais, mostrem só o produto e os gadgets que o mesmo tem. Se é pra vender só o plano, larguem as letras miúdas, partam pra real logo, já que a idéia é foder você mesmo.

Seria fácil demais falar de propagandas de Lojas de Departamento, com aquela gritaria onde tudo sai por 49,90, inclusive um televisor de LCD de mil reais, onde as parcelas estão escondidas por meio da repetição do termo "sem entrada!". Vou dar meu tiro de misericórdia nos anúncios de automóveis então. Estes não têm como esconder, precisam vender o carro, e devem expô-lo o máximo para isso. Entretanto, minha crítica vai para os meios de pagamento absurdos que os cara bolam no financeiro. Veículo sem entrada, ou parcelas fixas, ou IPVA e Frete inclusos etc. Tudo isso é falácia. Ninguém leu as letrinhas pequenas, e nem eu. Mas como um economista de merda que sou (não, não fico contando os peidos dos outros, dispenso a piada), sei que isso significa juros altos demais, ou entrada de mais de 50% do valor do carro ou então baixo desconto à vista, respectivamente. Ou seja, não há almoço grátis, você vai ser fodido, só precisa saber em qual posição, de quatro ou de lado. Durante a redução de IPI, a coisa degringolou de vez. Nunca vi tanta gente sair com nariz de palhaço das lojas, depois de ver um "milagre" publicado num anúncio de montadora no jornal. É, no fim a gente ganha um tapete grátis e fica tudo numa boa.

Aprendi que propaganda é coisa séria, pode levar uma empresa à derrocada quando não é bem feita, inclusive a propaganda governamental no caso dos governos. Repito, não sei nada disso, nunca estudei publicidade, mas prevejo que eu e este amigo ficaremos ainda horas e horas de nossas conversas debatendo mais esta vertente da estupidez humana. Nós, meros telespectadores, nos reservamos somente ao direito de criticar, quando possível. Façam pior, achou a publicidade ruim, não compre. Pelo menos é o que eu faço.