segunda-feira, 26 de julho de 2010

Classismos e Tragédias

Nem toda a morte é trágica, nem toda tragédia tem morte em seu escopo. Sempre digo que basta estar vivo para morrer, e consequentemente a morte deve ser encarada como algo natural no decorrer da vida. Ainda temos muitos problemas em aceitar mortes prematuras, algo como um espelho que reflete o que seria de nossas vidas se tivéssemos morrido cedo demais. Nos ressentimos com a morte de estranhos pois não queremos isso para nós. Elegemos vilões, criamos teorias e somos manipulados infinamente rumo a revolta, justamente quando deveríamos, de fato, refletir.

A mídia está consternada com a morte de um menino de dezoito anos, filho de uma atriz famosa. Provavelmente devia ser um menino cheio de vida, com aspirações, saúde etc. Como pai, analiso e me consterno junto à mãe neste momento horroroso. Investimos tudo num filho, assistimos seu crescimento, renegamos parte de nossas vidas em prol da dele, e vemos nossa imagem naquele projeto de ser humano, o que nos dá ainda mais força para seguir. Perder esta vida é definitivamente perder parte da nossa, em que pese ainda respirarmos e continuarmos vivendo fisicamente, psicologicamente nos tornamos zumbis. Em tese, foi mais um adolescente para as estatísticas de mortes em vias públicas deste país, mas não é o que a mídia quer fazer parecer. Existe uma pressão para a distribuição de culpas e prisões sem que haja julgamento prévio daqueles que foram misteres na morte no rapaz. Teria sido mesmo uma tragédia? Ou uma consequencia natural de se praticar esportes radicais em vias públicas? Fico com a segunda opção.

Não posso crer que no meio de tudo isto a imprensa esqueça que, apesar das restrições de trânsito no local àquela hora, não se poderia, em hipótese alguma, praticar o skate por alí. É um túnel sem áreas de escape, mal iluminado, e em descida. O que ocorreu foi um acidente, não foi um assassinato, não foi doloso, foi a comprovação do risco que se corre ao se desafiar o perigo, assim como um paraquedista, um alpinista ou um piloto de fórmula um sofrem. Quero, portanto, desmistificar o papel da mídia no noticiamento de um acidente, e de como a mesma tende a julgar, sem se preocupar com a imparcialidade dos fatos.

É fato que dias antes da morte deste rapaz, um outro menino, mais novo, de nove anos,havia sido morto numa escola pública carioca por meio de uma bala perdida disparada por policiais em conflito com traficantes. Este menino era filho da camada mais pobre da sociedade, possivelmente iria enriquecer o ciclo da pobreza que assola este país, onde a mobilidade social é coisa para inglês ver. Nasceu pobre, e morreu pobre. Este menino e sua morte estúpida não teve nem dois dias de cobertura e apuração dos fatos pela imprensa. Quando um pobre morre, deixem que a polícia cuide. O filho da atriz era um membro da elite carioca, morava num bairro nobre. O menino favelado não estava numa aventura perigosa numa madrugada "zoando" com a galera. Estava numa escola, estudando, lutando para sair daquela vida difícil, com recursos escassos. Está aí a minha definição de fatalidade, de tragédia. Um alvejar de projétil numa sala de aula de uma escola numa favela num menino em plena atividade escolar, sendo que ninguém reconhece, ou quer reconhecer o autor do disparo.

Ora, mas a quem a imprensa deu mais cobertura? Obviamente para o menino pródigo da classe mais abastada. Eles fazem dossiês, buscam provas, câmeras, documentos, testemunhas...pasmem a imprensa está fazendo o papel da promotoria neste caso! Quanto ao menino da favela, deixem a justiça se encarregar, é o que dizem. São dois pesos e duas medidas. Eram duas vidas importantes, duas jóias que estavam separadas somente por suas classes sociais. Infelizmente a sociedade não os vê como semelhantes, não é preparada para ter opinião, é manipulada. Ninguém quer discernir a tragédia do acidente, o bandido do contraventor, o culpado do criminoso. Somente diferem o rico do pobre, o preto do branco. Somos obtusos demais, refletimos pouco. Que ambos descansem em paz!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

O Insone Adormeceu.

O controle remoto estava com as pilhas fracas, precisava de dois ou mais toques no seletor de canais para que houvesse mudanças. Meu whisky estava quente, o gelo há muito havia derretido, já houvera sido assim anteriormente. Era o mesmo filme, o enredo era igual. Era em preto e branco aquele romance estúpido da década de quarenta, aquela coisa pósguerra fabricada, sem muito efeito nos dias de hoje para essa geração marrenta e decompromissada. A minha poltrona estava quente demais, não achava uma posição ideal, e me deitei solenemente, fechando os olhos por um momento. Ali compenetrei-me nas distâncias intagíveis, nas realidades intocáveis...vou buscar mais gelo.

Aquilo não era só mais uma madrugada, era diferente. Estava tão silenciosa aquela noite, ouvia meu coração palpitar suavemente pela minha jugular no pescoço ao me deitar sobre o travesseiro gasto e duro da poltrona. Me encanta ouvir o corpo funcionar, a máquina divina perfeita é notável, seu mecanismo intrincado faria qualquer engenheiro surtar ao tentar reproduzi-la. Como grande hipócrita que sou, fui buscar mais um whisky, de modo a açoitar minha "máquina" e diminuir, quem sabe, os batimentos. Mudei o canal de novo, caí naquele mais popular. Me deparo com um homem de mais de cinquenta anos, falando como um menino de vinte, entretendo pessoas de dezoito. Ele fazia entrevistas vazias com pseudos ícones nacionais, talvez o meu estado de embriaguez elevado me tenha feito tolerar aquilo por uns vinte minutos. Cansei no exato momento em que ele disse: - Fala, garoto! Pensei: - Tchau, coroa!

O controle estava funcionando de novo, nunca entenderei de eletrônica, mas algo me diz que se você sopra uma pilha ela volta a funcionar. Deve ser superstição, sei lá. Bem, ele parou de novo, num programa Evangélico. Era só o que me faltava, mas vamos ver. Um homem, de terno e gravata, fechando os olhos e orando fervorosamente. Ele se dirige a mim como se eu fosse o único assistindo TV àquela hora. Talvez fosse. Nas palavras dele, o "inimigo" atrapalhava minha vida, me fazia ser um pervertido, me fazia beber, me fazia fumar, me fazia ter insônia...ora, por que ele não me matava logo? Ah, sim. Ele não tem poder para isso. Entretanto ele me pede para por um copo em cima da TV. Vocês acham que iria fazer isso em cima de uma finíssima e caríssima LCD? Olhei fixamente para o pastor e pensei: - Meu "inimigo" é você, meu prezado engravatado/pseudoreligioso/lavador de dinheiro. Meu mundo seria melhor se pessoas como você desparecessem!

Entre um gole ou outro de whisky, meu controle funcionava erraticamente, e eu parecia um louco zapeando de canal em canal, a procura de algo que não estava lá. Fechei meus olhos de novo. Uma imagem não se apagava da minha cabeça, algo que nem o álcool e nem os torpes programas de televisão ajudavam a apagar. Não era de se negar, eu estava em outro lugar, não estava alí. Aquela poltrona, aquele controle, aquele whisky...era tudo miragem. Olho ao meu redor e não vejo nada. Vejo um completo vazio, uma redoma repleta de objetos e coisas, sem nada quente e vívido. Nunca valorizei coisas, mas fui mestre em valorizar o que não se devia. Era isso, era a autocrítica. Precisava me autoflagelar naquele momento para entender que de nada me adiantava ficar pensando, divagando sobre questões fúteis na vida. Era momento de agir, de reconstruir aquilo que já tinha feito na base. Era o fim do meu auspício, do remorso, da choradeira juvenil e da tristeza de ter passado um ano desejando uma fraude. Já era hora de trazer de volta o homem, o ardil ser que teve culhão de revolucionar sua vida e voltar são e salvo pra contar as estórias. Lavei meu rosto insistentemente, molhei os cabelos, tomei um belo copo de leite e adormeci, nos braços de Orfeu (antes que alguém me chame de viado, vão olhar na Wikipédia).

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Assasinatos Brutais, Crimes Comportamentais.

Estranha esta explosão de atos violentos contra a mulher registrada nos últimos meses pelos meios de comunicação, não? Pessoas famosas e anônimas cometendo todo tipo de atrocidade contra suas mulheres, num misto de perversão e violência gratuita. Para um bom observador, estes atos parecem ter o mesmo tipo motivação: reatar relações desfeitas. Homens fracos, de baixa auto estima são impelidos por suas parceiras a terminarem seus relacionamentos, e não "entedem a mensagem", explodindo em doses letais de raiva e transgressões, ultrapssando o limite da agressão, assasinando o objeto de sua fúria.

O homem, por si só, é uma criatura mais violenta por natureza, costuma resolver muitas das suas diferenças por meio dela, mas com o passar dos tempos isso diminuiu. Não que sua testosterona de macho tenha ficado branda, ou tenha diminuído. Nossas mentes passaram a ter maior autocontrole, o que nos possibilita dialogar, discutir, quando não punir de outras formas, situações que, basicamente, seríamos violentos. As mulheres têm mais o dom da palavra, da imposição por meio dela, e resolvem suas diferenças assim, quase sempre sem serem violentas. Isso ajuda muito a entender, portanto, a mente de um homem assassino passional, e sua motivação para chegar a este ponto.

Gosto muito de citar o passado, pois a história pode explicar tudo sobre nosso presente, bastando que a entendamos a fundo. Não precisa ser nenhum historiador para saber que as mulheres percorreram um grande caminho até os dias de hoje, e movimentos como o feminista conquistaram para elas um vasto mundo de possibilidades que não tinham no passado. Oportunidades de trabalho, cargos de alto escalão, participação ativa na sociedade, na política e nos esportes. Tudo isso é muito bom, e dá possibilidades pra que sejamos ainda mais iguais no futuro, e toda aquela baboseria que vocês já sabem. Entretanto, faltou falar para alguns homens, de clase média e instruídos, que isso vem ocorrendo nos últimos quarenta anos com extrema velocidade.

Alguns desavisados vem querendo levar seus relacionamentos com o sexo oposto como era anteriormente, nos tempos de nossos avós e pais. As mulheres daquele tempo davam graças a Deus por terem maridos, pretendentes, seja lá o que forem. Isto ocorria porque não havia muitas perspectivas para as mesmas, a não ser casar e viver à sombra de seu homem. Era uma sociedade machista aquela, diferente da atual. Em algumas sociedades, as mulheres não votavam, não podiam andar sozinhas nas ruas, não trabalhavam, e as que o faziam, eram mal vistas. Era algo ruim, mas era arraigado na sociedade, e ninguém questionava. Os homens, por sua vez, numa zona de conforto impressionante, se sentiam livres para serem aquilo que ainda são em suas cabeças: se relacionavam com outras mulheres, chegavam a hora que bem entendiam em casa, pouco ligavam para os filhos e só faziam seus papéis de provedores, na acepção da palavra. Qualquer mulher que questionasse isso fatalmente era agredida, ou poderia sofrer o risco de perder o marido, sem qualquer direitos, e tudo isso era normal. Em algumas sociedades era permitido o assassinato da mulher, por meio de apedrejamento (e em algumas ainda o é), caso a mulher não correspondesse às necesidades do marido. Enfim, era a falocentria em escala, um mundo desigual pra cacete.

Dando um salto na história, a década de sessenta e setenta deram à mulher a voz que tanto necessitava. Era um período mais liberal, o mundo estava aberto a novas teorias, especialmente pela comoção causada pelo fim da Segunda Guerra, na década de quarenta. As pessoas que nasceram neste período, tornaram-se jovens idealistas nos vinte anos seguintes, e cresceram ouvindo sobre a podridão da sociedade em guerra. Os Baby Boomers, como são chamados os nascidos logo após a guerra, foram precurssores de movimentos de igualdade, que eram as vozes daqueles que eram marginalizados pela sociedade, e tinham direitos restritos. Por meio deles, o movimento feminista cresceu e as mulheres hoje são o que são.

Voltando aos atos de violência, compreendo que atualmente temos uma geração producente de mulheres independentes, que não tem no homem o alicerce para nada em suas vidas. Elas estudaram, experimentaram e hoje procuram nos homens um parceiro, um complemento para suas vidas, e não somente um meio de sustento. Homens retrógados "pastam" para compreender isso, e não entendem as posições femininas atuais sobre relacionamentos. A idéia do homem com o rabo sentado no sofá enquanto a mulher se mata para manter uma casa limpa e integra morreu quase que por completo. Pais que, só proviam, também estão com o dias contados, e os homens terão de ser mais participativos. Os namoros onde o homem tem a prerrogativa de tudo no relacionamento, e as mulheres são meros instrumentos de prazer estão também em extinção. Elas batem o pé pelo que querem, mesmo se tiverem que passar por cima de tudo e todos. É um rolo compressor, que a cada cinco dias do mês, fica complicado parar. Está tudo igual, a opinião dos dois conta, por vezes somente a dela, a submissão deu lugar à cumplicidade, e não obstante isso, homens podem sim ser, por vezes, emasculados por uma mulher. Isso significa ter que deixarmos nossos instintos de macho de lado, e sermos um pouco sensíveis e darmos preferência a elas em situações que exigem tal coisa.

A grande questão é saber também se, as mulheres como um todo, estão sabendo lidar com essa nova independência. Muitas não estão, em minha opinião. Estamos criando uma geração de mulheres um tanto arrogantes, cheias de si, que detêm pouco ou nenhum respeito pelos homens. É um momento conturbado, existem homens que não entendem a nova horda de mulheres descoladas atuais, e há montes de mulheres que não estão sabendo lidar com tantos poderes a elas dados pela sociedade. Aí está a minha explicação para estes atos violentos de ex companheiros a ex mulheres, que estão ocorrendo seguidamente, com grande cobertura midiática. Está na natureza do homem errar muito nos relacionamentos, somos imperfeitos demais. O que ocorre é que as mulheres não estão tolerando mais estes erros, e como não dependem dos homens, mandam o famoso "pé na bunda" quando bem entendem. O homem, perdido por não entender aquela reação antes masculina, acaba por se sentir acuado, diminuído. Sendo o cara um ser de baixa autoestima, um capachão, temos um perigo potencial. Estes costumam explodir de violencia quando levados ao limite, exatamente no momento em que a mulher diminui aquela altivez masculina, aquela nossa possessividade pela fêmea. Logo, nossos instintos mais primitivos afloram, e para recuperar nossa masculinidade, explodimos contra esse ser mais fraco, de modo a ter o comando da relação de volta. Isso não ocorre, no fim acaba mal para o agressor, e a mulher sai fortalecida, quando sobrevive, é claro. É uma solução estúpida.

Entendo que seja um período de adaptação. Houve uma masculinização da mulher e uma femininização do homem, isso tudo causou confusão demais para quem estava no meio de tudo isso. É flagrante que os padrões comportamentais mudaram um pouco demais, e com o tempo, assim como em qualquer paradigma, as coisas se ajustam. Logo veremos movimentos de mulheres que querem ser um pouco mais submissas, e de homens que querem rebuscar parte de sua masculinidade perdida no fim do século XX. Há coisas positivas nisso tudo, vemos mulheres mais liberadas sexualmente, menos travadas, que transam sem amor, só por tesão. Mulheres que pagam suas contas e te pagam um programa legal a dois, te fazendo sentir-se um Gigolô. Pelo lado do homem, o cavalheirismo não é mais obrigatório, ou seja, se tiver mulher em pé no ônibus, nenhum homem cederá seu lugar. Abrir a porta do carro está fora de cogitação etc. Peraí, será que isso é bom mesmo? Será que queremos isso? Não, né? Ainda vamos ter que passar por alguns ajustes então, perdoem-me pela ironia. Enquanto isso, como mero observador, acho que ainda verei alguns casos de crimes hediondos contra mulheres nos noticiários, infelizmente. Assim como em qualquer conquista na sociedade, precisaram-se de muitas mortes para que a mesma se estabilizasse, e melhorasse como um todo. Cabe ao homem ter controle de seus instintos e à mulher respeitar aquele ser mais explosivo que ela. Respeitar não é ser submissa.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Abaixo O Amor!

Escrever sem inspiração é terrível. Quando sua vida se encontra num marasmo onde nada de excitante ou diferente ocorre, o cérebro entra num estado meio que de zumbi, nada de bom ou criativo brota dali. É fato que o lirismo surge da paixão, o romancismo da imaginação e as narrativas das aventuras vividas e que nenhuma destas três está rolando neste exato momento na minha vida.

Devo ressaltar, entretanto, que a paixão foi razão de muitas das preciosas palavras de cunho lírico que tanto escrevi por aqui, mas por alguma razão sobre a qual não sei explicar fiquei racional demais. É, aconteceu aquilo que menos desejava, criei um calo emocional, petrifiquei sentimentos e me tornei um cara insensível aos acontecimentos e pessoas. Vou me afastando pouco a pouco do meu caráter companheiro e das minhas tendências de coração aberto, cara legal e terno, e me tornando muito mais prático e pragmático. Alguns já perceberam isso e me atentaram para este perigo. Eu dei de ombros.

Como disse antes, da razão eu não faço idéia, mas posso palpitar. Um homem que se entrega a qualquer coisa que pede seu coração, por experiência própria, pode se abismar com os resultados catastróficos que isso pode causar. Ao amar demais, o corpo se protege, como a evitar a piora de uma doença, pede repouso, um atraso naquela impulsividade do querer e se volta para uma bem vinda auto reflexão. A partir daí, a razão vai pedindo passagem. Aquele que atende os anseios de seu coração, como um pai a mimar seu filho, está fadado a ser um potencial insensível mais pra frente. Era um caso urgente eu ter ouvido minha consciência, quem não pensa age errado.

Ir contra seus próprios instintos pode ser burrice, ou até mesmo natural da condição humana. Um cara audaz, como eu, quer arriscar, quer participar agora pra não se arrepender depois. Tal comportamento dá muita margem ao fracasso. Não, não me acho burro, apesar de muitos acharem. Só adquiri agora uma concha, um invólucro, para evitar maiores ataques dos meus desejos, das minhas febris vontades de querer simplesmente ser livre. Liberdade custa caro, não sei se posso pagar este preço. Existem vários tipos de liberdades tolhidas, e vários presos por aí que nunca apodreceram em cadeia nenhuma nesta vida. São prisioneiros de seus sentimentos e desejos, criaturas dignas de pena. A solução pra isso é de cada um, uns procuram a religião, consumo, hobbies, drogas, sexo sem sentido, alguns saem, extravasam em locais públicos etc. São diversas válvulas de escape, espero não precisar de nenhuma delas, apesar de achar que já andei flertando com algumas.

Eu estou sem inspiração demais, está ficando muito chato viver desta forma. Mas é assim mesmo, não serei o único e nem último a passar por isso. O que fazer? Vou viajar. Isso aí, vou pegar um avião e encontrar a minha dama com flores nos cabelos, como na música Going To California, do Led Zeppelin. Não vou pra California, mas a Europa me parece bom. Vou tentar transformar os próximos trinta anos numa eterna Disneylândia. Não é para isso que trabalhamos?

Enfim, há gente que é merecedora de dedicação e carinho de sua parte, basta encontra-los. No entanto, alguns que não merecem temos que tolerar. Petrificação é uma saída interessante, é bom se defender sendo insensível, guardando pra si o que tem de melhor, ao invés de divulgar pra quem não merece, ou melhor, não sabe o que fazer com isso. Aliás, não sabe nem corresponder reciprocamente. Querem saber? Acho que estou escrevendo nonsenses demais. Está ficando muito sentimental isso aqui, melhor parar.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Pitacos Sobre A Publicidade.

Tenho um grande amigo publicitário e, vez por outra, num boteco desses, discutimos alguns temas como propaganda e anúncios em geral. Sempre o proponho perguntas malucas sobre este mundo engraçado do Marketing, onde a idéia é vender, é claro, mas nem sempre realçando o produto a ser vendido. Por vezes não entendo se a idéia é somente vender a coisa ou propor um objetivo acima disso, como uma determinação de comportamentos ou estilos. Algo como uma lavagem cerebral nos moldes do filme Laranja Mecânica, como meio de convencer as pessoas.

No Brasil temos um padrão de anúncios focados na alegria, no Joie de Vivre, na alegria sultânica dum cara cercado por mulheres e festas. Começando pela cerveja, algo não parece certo. Com exceção a uma propaganda atual, que valoriza os "feinhos" que absorvem deste néctar diariamente, o restante das empresas focam num perfil mais belo dos bebedores de cerveja, algo que não condiz com a figura de quem bebe muito. Vejo aquelas belas deusas, de curvas estonteantes e manés bombadões tomando cerveja, flertando com o alcolismo, rindo, sob música alta e sol escaldante.

Complicado dizer, mas até onde sei, um dos segredos da boa forma é não tomar cerveja e derivados do alcool, visto que qualquer dieta saudável vai por agua abaixo com esta bomba calórica. Misturar cerveja com petiscos então, nem se fala. É mais fácil alimentar elefantes a ovos e toucinho. Vamos ser realistas, se queremos vender cerveja, vamos vender a quem está pouco se lixando para a forma física, que vive alheio a este tipo de preocupação. "Ratos e ratas" de academia pouco tomam cerveja e alcool. Usem estes modelos em propagandas de suplementos protéicos, ou coisa que os valham.

Não é fácil assitir a isso sem pensar como deveria ser na realidade. Realizem só, quatro caras "cheinhos", tomando a sua cervejinha, acompanhados de uma porçãozinha de batatas fritas, recebendo ligações a cada hora em seus celulares das patroas em casa esperando para que os mesmos chegassem em casa para massagear seus grandes, gordos e mau cheirosos pés rachados. Isso sim, representa um cervejeiro!

Vamos a outro aborto marqueteiro que se propaga nas mídias por aí, anúncio de celulares. É fato que o sistema de telecomunicações brasileiro é um dos mais defasados e caros do mundo. Ter celular com conta aqui é privilégio de poucos, a maioria usa o famigerado crédito mesmo. Além disso, não existe banda larga neste país, sabiam? Sim, é propaganda enganosa. Não vou entrar em termos técnicos. Vão pesquisar! Mas posso adiantar que, aqui, banda larga nada mais é que um bloco de carnaval de gordinhos, e olhe lá.

Voltando aos celulares, é terrível ver tantas, mas tantas propagandas deste produto. Muitas nada têm a ver com o mesmo, pois parecem já ter se esgotado criativamente. Aquela clássica do garotão descolado mandando torpedos pro raio que o parta já se esgotou. O homem de negócios, com seu Smartphone, vendo cotações da bolsa de Tóquio no overnight também já era. A menina Indie (praga atual) usando seus créditos, toda pimpona, comunicando a todos seus amigos a tentativa de salvar a natureza também foi pelo ralo. O que resta? Colocar bolinhas flutuando no ar ao som de All You Need Is Love, dos Beatles, clássico das propagandas medíocres juntamente com Imagine, de John Lennon e no fim, mas no finzinho mesmo, o cara mostra a porra do celular. Concluíndo a basbaque, só nos resta o jogador de futebol fazendo estripulias e querendo me empurrar um planinho medíocre goela a baixo. É infame demais, mostrem só o produto e os gadgets que o mesmo tem. Se é pra vender só o plano, larguem as letras miúdas, partam pra real logo, já que a idéia é foder você mesmo.

Seria fácil demais falar de propagandas de Lojas de Departamento, com aquela gritaria onde tudo sai por 49,90, inclusive um televisor de LCD de mil reais, onde as parcelas estão escondidas por meio da repetição do termo "sem entrada!". Vou dar meu tiro de misericórdia nos anúncios de automóveis então. Estes não têm como esconder, precisam vender o carro, e devem expô-lo o máximo para isso. Entretanto, minha crítica vai para os meios de pagamento absurdos que os cara bolam no financeiro. Veículo sem entrada, ou parcelas fixas, ou IPVA e Frete inclusos etc. Tudo isso é falácia. Ninguém leu as letrinhas pequenas, e nem eu. Mas como um economista de merda que sou (não, não fico contando os peidos dos outros, dispenso a piada), sei que isso significa juros altos demais, ou entrada de mais de 50% do valor do carro ou então baixo desconto à vista, respectivamente. Ou seja, não há almoço grátis, você vai ser fodido, só precisa saber em qual posição, de quatro ou de lado. Durante a redução de IPI, a coisa degringolou de vez. Nunca vi tanta gente sair com nariz de palhaço das lojas, depois de ver um "milagre" publicado num anúncio de montadora no jornal. É, no fim a gente ganha um tapete grátis e fica tudo numa boa.

Aprendi que propaganda é coisa séria, pode levar uma empresa à derrocada quando não é bem feita, inclusive a propaganda governamental no caso dos governos. Repito, não sei nada disso, nunca estudei publicidade, mas prevejo que eu e este amigo ficaremos ainda horas e horas de nossas conversas debatendo mais esta vertente da estupidez humana. Nós, meros telespectadores, nos reservamos somente ao direito de criticar, quando possível. Façam pior, achou a publicidade ruim, não compre. Pelo menos é o que eu faço.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Que Parada É Essa?

Sempre digo por aqui que não sou um homem muito ligado em televisão, assisto a poucos programas, acredito que a mesma padece de um substrato moral maior para merecer a atenção de alguém consciente e atento aos problemas do mundo. Isso é crítica pessoal, não a imponho a ninguém, só opino, nada mais. Entretanto, neste domingo resolvi assitir a programação dominical Global, e me deparei com uma reportagem de quase cinco minutos sobre a Parada Gay de São Paulo. Nada mais justo, pensei. A atração da sociedade atual com o estilo de vida gay anda cada dia mais fatal, engendrando até mesmo simpatias dentre aqueles que veem normalidade nisto. A virilidade está aos poucos se esvaindo, como fumaça, nos homens de hoje. Uma tal metrossexualidade afeta tanto o sexo feminino quanto o masculino, e dá a tônica dos atuais comportamentos estranhos destes gêneros.

A televisão, devo reconhecer, tem boa parte de culpa nisso. Expor demais a homossexualidade deixa a mesma ordinária, comum até, numa sociedade que sempre abominou esta escolha sexual. Já vou logo dizendo, quem me taxar de homofóbico pode até ter razão, mas entendo que com argumentos leves e bem colocados, posso amenizar isso. Começo dando uma alfinetada de leve a quem é conivente com o mundo GLS: Algum de vocês deseja ter um filho (a) gay? Ou melhor, anseia isso? É óbvio que não. Logo, se a heterossexualidade é o desejo dos pais para seus filhos, porque então a sociedade permite que haja, cada vez mais, ganho de "terreno' da cultura gay nos meios de comunicação? É uma contradição, mas é fácil entender. Quem hoje em dia tem coragem de bater de frente contra o movimento gay? Claro que isso é relevante, afinal gays votam e gays compram, ou seja, o sistema achou um meio de absorvê-los e ganhar com eles. Logo, quem se demonstrar contra, apesar de não querer isso pra si, é logo visto como um parea na sociedade.

Que efeito isso tem nas pessoas como um todo? É complicado dizer, mas tornar a homossexualidade comum é meio que condenar uma geração de homens e mulheres que se orgulhavam de seus gêneros. Ter orgulho de ser homem passa a ser um traço de machismo (estranhamente mal visto hoje em dia) e ter orgulho ser mulher passa a ser sinal de submissão. Todos acabam se enviesando para a liberação total da mistura de gêneros como meio de fugir desses "adjetivos" acima, sendo melhores aceitos no meio social em que vivem. As mulheres querem homens mais femininos, e homens acabam por aceitar mulheres masculinizadas. Virou uma confusão sem fim. O que muitos não sabem é que o padrão do macho está sumindo. Alguns babacas correlacionam macho com homem violento, insensível. Não é isso. Na verdade, ser macho é ser altivo, orgulhoso, forte nas situações difíceis da vida, direto nas palavras, não se esquivar dos problemas. Em poucas palavras, ser corajoso. A sociedade americana soube cultuar seus machos, especialmente no cinema com exemplos como Clint Eastwood, Charles Bronson, Steve McQueen etc. Esses caras encarnavam o homem honesto, que não se vendia, que cuidava das suas mulheres. Está faltando exemplos assim no Brasil, e um menino precisa de símbolos como estes para crescer com força de caráter.

Para a mulher a coisa fica mais feia ainda. Quantas vezes me deparo com situações onde o gay diminui a mulher, a humilha por terem seus corpos com mais curvas que o homem, transformam-as em caveiras ambulantes. Machos gostam de mulheres de verdade, que têm curvas acentuadas. Gays fazem as mulheres reconsiderarem todos os padrões de beleza, criando roupas esdruxulas, que não caberiam nem em um alfinete para elas. Querem ditar estilo, querem fazê-las escravas da beleza inquieta, prejudicial à personalidade. Se tornam pessoas deprimidas e azedas por nunca chegarem neste padrão, e nós homens é que sofremos. Uma outra consequência é o alto padrão que eles estabelecem tanto na beleza masculina quanto na feminina, tornando as relações mais focadas na aparência do que em outras coisas mais nobres.

Após pensar nisso tudo, dei uma olhada melhor na Parada deles, e percebi uma série de quebras de conduta que a sociedade, em tese, não aceita, mas que para eles há uma "quebra de galho". Roupas mínimas, demonstrações exageradas de sexo e badernas são as consequencias desta Parada que a sociedade e as autoridades ignoram, visto o grau de importância que os gays atingiram atualmente. A pergunta persiste: Qual político será contra? Qual empresa não patrocinará? Qual louco irá expor sua opinião e ter o risco de ser preso por homofobia? Ninguém, é um fato que estamos engolindo à seco, e só nos restará nos agarrar aos nossos próprios princípios para evitar que o homossexualismo seja padrão, ao invés de uma exceção. É por aí que a sociedade deve começar a encarar esta questão, ou seja, não é normal. Não deve ser exaltado, mostrado e sim escondido, mantido entre quatro paredes. Porra de mania que o gay tem de expor sua sexualidade aos quatro cantos do mundo. O homossexualismo não é crime, mas não é natural, por mais que queiram torná-lo assim. A sociedade precisa se mover, porque quando o beijo gay e as cenas de sexo de mesma natureza chegarem ao horário nobre e sair do underground é o começo do fim da espinha dorsal da sociedade. Um mundo afetado é tudo aquilo que eles querem, mas é isso que nós queremos? Queremos nossos filhos usando maquiagem? Queremos nossas filhas escravas da moda? É o caminho mais curto para a infelicidade deles.

Eu já tenho a minha sugestão: Criar a Parada dos Machos Remanescentes. Caras como eu que curtem um bom Whisky, mulheres curvilíneas, revistas pornô, um churrasco com carnes sangrando, um bom jogo de futebol ou um motor cheio de graxa. Nada melhor pra combater a frescura com o seu completo oposto. Eu apoio um mundo onde mulheres são mulheres e os homens são homens. Pela nossa Parada, já!

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Sobre A Vaidade Feminina

Minha avó, já falecida, sempre dizia querer ter nascido homem. Era a voz de uma mulher que havia vivido num período difícil, num local estranho à felicidade feminina. Há setenta e tantos anos atrás, não havia muito do que se regozijar ao se descobrir fêmea. Pulando décadas no tempo, para não perder o objetivo do texto, a mulherada conquistou tudo, a torto e direito, e hoje é notável o orgulho que elas ostentam na sociedade, ao se demonstrarem altivas em muitas situações onde, antigamente, se esconderiam ou se absteriam de dar a cara pra "bater".

O objeto desta missiva é a vaidade feminina. Roupas, cabelos, unhas, sapatos, perfumes, lingeries, maquiagem, cintas etc. Para algumas mulheres pode ser motivo de riso, mas para a maioria são itens importantes para que, ao menos, possam por pés para fora de casa. Sou um mero trabalhador do centro da minha cidade, e lá trabalham muitas, mas muitas mulheres. Muitos homens podem somente admirar dotes, ou protuberâncias, mas alguns, como eu, olham além. Observo e me antento ao fato de muitas virem ao trabalho de salto alto. Eu não sou nenhum conhecedor de moda, na verdade a ignoro veementemente, entretanto não posso deixar de sentir pena por aquelas doces criaturas. São distâncias grandes a serem percorridas à pé para se andar por aí de salto. Será que compensa ter dores lancinantes nas articulações e coluna para se andar sempre "empinada"? É complicado dizer, mas acredito haver situações mais condizentes com o uso desta peça de vestuário tais como festas, saídas a restaurantes, teatros, cinema e até mesmo para dançar. Mas ao trabalho não se deveria usar algo mais confortável?

É fato que as mulheres do passado também foram escravas desta vaidade. Há séculos as mulheres, de alguma forma, sofrem para exibir o que têm de melhor, e os homens sofrem para não passar do limite sociável com as mesmas. No século XVIII era comum as moças da alta sociedade usarem cintas apertadíssimas para moldar suas cinturas. Sabe-se que esta prática era tão nociva, que em casos agudos realocava os orgãos da porção inferior do tronco, e os esmagava para a região intestinal, causando desconforto e dores terríveis. Perucas também eram parte da indumentária do período, mais pelo fato de os cabelos das pessoas à época não terem a mesma saúde das pessoas de hoje, ou seja, eram cabelos falhos e mau cheirosos. Ainda neste período surgiu a figura do Marquês de Sade, que submetia suas mulheres a uma miríade de torturas e pequenas atrocidades em prol da sua sexualidade, dentre elas o uso de roupas e acessórios que causavam dor para elas, e prazer para ambos. Freud explica! Ou não.

Com o tempo, novas torturas para melhorar a aparência surgiram, e nos remetem aos dias de hoje novamente. Além do salto, quero pontuar algumas outras peças do vestuário, que atiçam os machos, mas que devem ser terríveis para quem usa. Quero pontuar sobre o aperto das calças. Vivemos num país onde, felizmente para mim, as mulheres têm proporções "Boterísticas", não que sejam gordas e sim portentosas. Diferentemente do físico das francesas, por exemplo, que esbanjam magreza excessiva, as brasileiras são sensualmente generosas nos quadris e coxas. Eu pergunto, é possível que uma mulher consiga conforto em suas partes íntimas e liberdade de movimentos usando um jeans apertadíssimo, ou melhor, dois números abaixo do correto, para ela, além de estar de salto? Pois bem, o centro da minha cidade está abarrotado de mulheres em calças apertadas e saltos altos. Será que elas trabalham felizes e confortavelmente? Duvido muito. O pior é que para usar uma calça tão apertada, precisam usar calcinhas menores ainda, pois é uma gafe modística que as mesmas fiquem marcando na calça como "calçolas" da vovó. Ou seja, é o sonho de qualquer Ginecologista, e um alento à indústria farmacêutica que produz antifungicidas íntimos. Não se esqueçam que nosso país é quente demais, quase equatorial. É só juntar um fato no outro, e concordarão com a idéia.

A ditadura da beleza, no Brasil, é algo irrascível, ainda mais numa cidade litorânea como a nossa, onde os atributos de beleza são de longe mais valorizados que coisas mais importantes num ser humano. É natural. Entretanto, não se deve jamais se perder a ótica crítica mediante a uma situação onde se perecebe o sofrimento humano em prol de algo vazio, inócuo. A pergunta que não quer calar é: esta mulher vaidosa quer seduzir? Ou melhor, seduzir quem? Na minha modesta opinião, ninguém. É muita inocência do homem acreditar que aquela mulher está ali, linda, cheirosa, curvilínea para o deleite do seus olhos. Não está. Experimente assediar uma estranha na rua baseado nas roupinhas dela. É mão na cara, com certeza. Na verdade, é como uma competição, ela está assim para "peitar", literalmente, a mulherada em geral. Ela quer se destacar perante as suas "concorrentes". Até mesmo a atenção masculina é objeto de disputa, e aquela mulher que é mais assediada, por assim dizer, é normalmente a mais odiada pelas outras. A ciência explica. Mulheres, apesar de não terem mais hormônios masculinos que os homens, obviamente, são mais chegadas num conflito pacífico, daqueles que não rola disputa física (por vezes pode ocorrer, sim), mas a coisa toda ocorre nas entrelinhas, nos detalhes, onde homens preocupados demais com o sexo tendem a ignorar. Até mesmo porque nós somos um gênero mais unido, respeitamos mais nosso semelhante congênere. Elas gostam de guerras silenciosas, mas acredito serem mais cruéis em seus jogos.

É, portanto, algo natural que mulheres de um país como o nosso, rodeado por beleza corporal tão latente, exibam este atributo, a beleza, como seu maior instrumento de destaque dentre suas rivais. A indústria sabe disso e trabalha por elas, quase nada neste meio é feito para homens. O Brasil goza de uma clima perfeito para que as mulheres usem as roupas que desejarem, e que não se escondam atrás de casacos e guarda chuvas, como tanto pude presenciar em países da Europa, frios e nublados. Neste interim, as fêmeas se degladeiam como podem. Sofrem, é verdade, mas para nosso deleite, expõe aquilo que deveriam esconder, aquilo que têm de mais íntimo. Sofrem em momentos que deveriam prezar a concentração, a boa produtividade. Se deprimem, quando não atingem seu ideal de Vênus, comem para suprir esta lacuna. Se deprimem, novamente, por estarem fora de forma. Veem as atrizes da televisão, igualmente exageradamente belas, não se acham tão belas assim e se deprimem de novo. Descontam em mais chocolates, fazem academia, mostram mais as curvas, elevam mais o salto, põem uma cinta mais apertada, exageram na maquilagem, dizem não querer filhos, eles engordam (MEU DEUS!). Ganham calos nos pés, vão no podólogo, ganham rugas, usam botox, fazem Lipoaspiração, usam biquinis menores, ficam assadas nas pernas, se depilam, usam creme antiacne, antirugas, antihomens, antitudo. Viram bissexuais, ouvem Ana Carolina, Simone, ficam amigas de um homem gay, eles as derrubam - não sabem? - Eles sonham que os machos virem putos tornando as mulheres mais feias. Voltam a ficar hetero, caem na balada, transam com um estranho, voltam pra casa, se resignam e envelhecem sem traço qualquer de dignidade. É a conta da vaidade que o tempo cobra...

E não é que minha avó tinha razão? Ainda bem que nasci homem! Só me preocupo se meu time vai ganhar ou se meu carro tem arranhões.